Contrariamente ao que afirma Ricardo Paes Mamede (RPM), a aposta em larga escala nas PPP não foi motivada por qualquer intenção de reduzir o peso do estado-social. Muito pelo contrário. Esta parece ter partido da ambição dos governantes em alargar as redes de infraestruturas públicas mesmo quando não existiam recursos suficientes nem coragem para apresentar a factura de forma clara aos eleitores/contribuintes. Esta mesma conclusão é avançada pelo juíz Carlos Moreno cujo livro RPM cita favoravelmente mas cujas conclusões parece ter seleccionado de forma cuidadosa.
Importa acrescentar que ainda que o estado assumisse de forma directa a construções e exploração dos equipamentes teria sido necessário o recurso ao endividamento ou ao imediato aumento de impostos por forma a captar os recursos necessários. O histórico não permite antever onde estariam os ganhos de eficiência ou garantir que seriam evitadas “derrapagens” orçamentais. O único ganho estaria numa maior clareza quanto à despesa a ser suportada pelos contribuintes que, provavelmente, não faria ganhar votos pela “obra feita”. Mas, imagino, terá sido essa a razão que os levou a optar pelas PPP.
também publicado no Cachimbo de Magritte
Comentários
A ideia das PPP foi provavelmente essa – pedir empréstimos disfarçadamente; mas o argumento dado ao público para justificar as PPP foi a que o RPM refere (de que “o privado é mais eficiente que o público”).
O RPM ainda acredita no Pai Natal? De qualquer forma, O RPM cita o livro do juiz ignorando uma das principais conclusões (nada surpreendente, diga-se de pasagem). Logo por azar é a que invalida a sua tese.