A minha posição perante a "Carta dos Oito" e a ameça de guerra ao Iraque

Saiu hoje no Independente a lista dos primeiros aderentes ao abaixo assinado organizado por este semanário. A inclusão do meu nome, nessa lista, provocou alguma estupefacção. Justificada ou não sinto-me compelido a explanar a minha posição perante a iminente guerra ao Iraque e a chamada “Carta dos Oito”.

Entre as criticas dos detractores deste documento está o argumento que esta veio provocar a divisão na UE. Nada mais falso. Esta já existia, não foi criada pela carta e era por demais evidente.

Não existindo uma decisão colectiva da EU, o eixo franco-alemão teimava em impor o seu ponto de vista como posição oficial da EU, mesmo contra a opinião dos restantes governos.

Os “oito” tomaram a posição que acharam correcta e foram acusado de divisionistas e seguidistas.
A França e a Alemanha combinam entre si a política sem consultar os restantes parceiros e esperam que o resto da Europa os siga.

Temos pois dois pesos e duas medidas…

Não bastando a situação criada no seio da UE ainda fazem perigar os acordos de defesa mutua que são a base da NATO e que são a única garantia de sobrevivência de Portugal em caso de guerra.

Mas deixemos as contradições da política europeia e concentremo-nos no cerne da questão: o Iraque.

Afirma-se que a guerra deve ser evitada, Eu concordo. Mas não a todo o custo.

Há que saber discernir quando se pode evitar a guerra com tratados que previnam de facto a continuação de actos hostis ou quando os tratados, nada mais valem que o papel em que são impressos. Nesses casos ainda que constrangidos pelo sofrimento das vitimas inocentes devemos por a espingarda ao ombro e partir para a guerra

Como a História nos ensina a guerra não deve ser evitada a todo o custo

O célebre tratado de Munique que pretendia evitar a guerra com a Alemanha Nazi não foi mais que uma capitulação perante um dos maiores tiranos de sempre.

A Hitler tudo foi oferecido (incluindo a Checoslováquia) para tentar refrear as suas ambições expansionistas e para que calmamente continuasse, mas intra-fronteiras, a reprimir aqueles que não se ajustassem ao seu ideal de Novo Homem Alemão. E o tratado de nada valeu…

Ao Iraque já todas as hipóteses foram dadas, Já por várias vezes foram dados prazos limites para se desarmar. E Saddam Hussein continua a reforçar o seu arsenal militar e a reprimir impunemente o seu povo.

Para grande estupefacção minha ,e pensava eu também para a generalidade das pessoas mas pelos vistos estou errado, os EUA, que pese embora erros cometidos, são uma Democracia, são considerados mais perigosos que a sanguinária ditadura iraquiana.

Gostava de ver organizadores e os aderentes à manifestação a encherem as ruas em nome dos milhares de vitimas do governo iraquiano.

Publicado no Intermitente a 21/03/2003

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