O eco-fascismo

“O Novo Mantra Ecologista” de Fernando Gabriel (Diário Económico)

Este autoritarismo ecologista é, no essencial, semelhante ao autoritarismo fascista: se no fascismo a autoridade prescritiva da conduta política advém do carisma do líder, no ecologismo ela resulta da fé messiânica na revelação da salvação ambiental. Em ambos os casos, a autoridade funciona como uma injunção ético-política à qual todos se devem submeter. Tal como no fascismo, os ecologistas não admitem contestação racional às suas posições. A discussão, assente nos pressupostos da racionalidade científica ou no carácter prático do confronto ideológico, não é só desnecessária – é contraproducente, porque retarda a acção política “urgente”. Daí a irrelevância política das “alterações climáticas” ou da “biodiversidade”: são apenas pretextos para a concentração de poder em organizações inimputáveis e para a legitimação de um vasto programa extorsionário posto em marcha por uma coligação de ideólogos, académicos e burocratas. Aliás, sem menosprezar o batráquio multicolor que ilustrou diversas “notícias” recentes sobre as ameaças à biodiversidade, a espécie que esta coligação ameaça de extinção é o homem livre ocidental, para quem a governação era a arte da contingência e não a imposição de um plano político que nega a autonomia moral e reduz todos à condição de bichos.

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Comentários

  • marques263  On 03/11/2010 at 17:52

    Miguel, sei que não foi você que escreveu este texto, mas fico desiludido que o ache assim tão interessante. Uma crítica que frequentemente vejo em blogues de direita dirige-se à tendêcia que algumas pessoas na esquerda têm de fazer comparações que não fazem sentido e são até insultuosas. Como exemplo temos as comparações entre as políticas de Israel como as do regime Nazi, ou as comparações entre regimes totalitários e a política externa dos EUA. Ora este artigo faz isso mesmo! Por muito que os ambientalistas sejam moralistas e pouco amigos da dissidência há uma grande diferença entre isso e ser fascista. Há uma grande diferença entre querer forçar consensos científicos e condenar milhares de pessoas à morte ou a trabalhos forçados. Este tipo de linguagem, em vez de fazer avançar o debate, apenas fecha ainda mais cada grupo político dentro do seu silo.

    • Miguel  On 03/11/2010 at 19:01

      Penso que o Fernando Gabriel explica bem esse ponto. Os ambientalistas não são apenas moralistas. Antes fossem. Pretendem (e têm conseguido) proibir senão mesmo crimanalizar a dissidência.

      • miguelmadeira  On 03/11/2010 at 21:49

        Alguém tem sido preso ou multado por criticar as ideias ambientalistas?

  • miguelmadeira  On 03/11/2010 at 22:14

    Mais ou menos o mesmo pode ser dito dos anti-ambientalistas:

    “Tal como no fascismo, os ecologistas não admitem contestação racional às suas posições. A discussão, assente nos pressupostos da racionalidade científica ou no carácter prático do confronto ideológico, não é só desnecessária – é contraproducente”

    Os anti-ambientalistas também tendem a recusar todos os argumentos científicos a favor da tese do aquecimento global antropogénicos (nesse aspecto, embora muita gente fale da “eco-religão”, os anti-ambientalistas parecem-me muito mais “religiosos”)

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