Sobre a Grécia

Para quem se quiser inteirar acerca da razão da recente (melhor dizendo, continuada) crise grega aconselho a leitura deste Q&A de Edmund Conway no Daily Telegraph. Não restam grandes dúvidas que o melhor caminho a seguir será preparar urgentemente uma reestruturação ordenada da dívida grega (obrigando os credores a assumir parte dos custos) antes que sejam atingidos por um default bem mais grave. Contrariamente à tese popularizada pela extrema-esquerda, a reestruturação não é o “fim da história” nem permite o fim da austeridade (*). Até porque às já impossíveis condições de financiamento vão piorar ainda mais pelo que continua a ser necessário o programa de assistência financeira da UE/FMI. E vai continuar a ser necessário colocar as finanças do estado grego num caminho sustentável e mesmo com a reestruturação o stockde dívida acumulado vai continuar a ser colossal. Aliás, tal como Conway (e não só) sugere provavelmente a reestruturação não será suficiente e assistiremos à expulsão do Grécia da zona euro readoptando uma moeda (bastante) desvalorizada. O empobrecimento vai ser brutal. Tal como o enriquecimento era artificial.

Em Portugalficaremos (espero) pela reestruturação e pelo rigoroso programa de ajustamento. Não sendo tão mau como as provações que esperam os gregos não vai ser mesmo fácil.

(*) A este propósito leiam o Impertinências.

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