Sobre os atentados de Oslo

“Os Bárbaros” de Fernando Gabriel (Diário Económico)

A confusão dos noruegueses perante o “drama no paraíso” seria menor se compreendessem que a afluência não é um seguro contra a barbárie mas pode tornar-se numa das suas manifestações e que nem o mais conformista sistema de “socialização” consegue sublimar todos os instintos de violência. Anulado o sentido de transcendência, restam poucas vias para os descontentes. Uma é a via contemplativa, prosseguida por Thomas Mann e centrada no comprazimento estético e lânguido pela decadência identitária. Outra é a via da acção fanática, teorizada por Georges Sorel e centrada na afirmação do poder regenerativo da violência. Aliás, os que procuram utilizar as vítimas de Oslo como “mártires” do multiculturalismo, deviam notar que Sorel percorreu com à vontade os discursos marxista, anarquista e fascista: no fanatismo da violência, a ideologia é meramente circunstancial. É por isso que o reforço da pressão do sistema de “socialização educativa” anunciado pelo primeiro-ministro norueguês e apoiado pelas boas consciências é um convite à repetição de eventos semelhantes. Um cínico diria que esse é o objectivo: criminosos como o sr. Breivik servem o propósito útil de dissipar a entropia acumulada pelo “sistema-fechado” do conformismo e o horror perante as consequências da violência fanática proporciona o pretexto ideal para o avanço continuado da “visão” política

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