A insustentabilidade da dívida pública portuguesa (2)

“Contas em família (2)” de Tiago Mendes (Cachimbo de Magritte)

Imaginemos que numa família com pai, mãe e filho, o rendimento do agregado, auferido exclusivamente pelos pais, é de 2.000 euros. Imaginemos que os pais atribuem ao filho – estudante, sem outros rendimentos – uma mesada de 150 euros. O filho, por querer comprar um automóvel, endividou-se para fazer face a despesas totais de 240 euros por mês. Por mês o filho tem um “défice” de 90. Este défice de 90, face ao que ele recebe, que é 150, representa 60%. Mas, face ao que os pais ganham com o seu trabalho, é de 4.5%.

Pergunta: qual dos rácios é mais relevante – 60% do que ele ganha, ou 4.5% do que ganham os que o alimentam(…)

Esta discussão é importante porque revela bem como vemos a relação primordial entre cidadãos e estado (que é “pré-política”, e independente do que depois for feito com os impostos). Deve o Estado ser encarado com uma entidade relativamente autónoma e responsável, que, seguindo princípos básicos de prudência, faz as contas do seu défice tendo em conta as suas receitas? Ou deve o estado ser visto como um entidade toda poderosa que tem sempre direito a ir buscar mais impostos (mais “mesada”) aos contribuintes (os “pais” que trabalham)?

Anúncios
Post a comment or leave a trackback: Trackback URL.

Deixe uma Resposta

Please log in using one of these methods to post your comment:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: