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Notícias da frente madeirense

 

Pese embora confesse necessitar de ajuda financeira “como de pão para a boca”, Alberto João Jardim garante que não vai assinar m programa de assistência financeira “inexequível”. O que no dicionário albertojoãojardinista corresponde à imposição de qualquer tipo de limites ou controlo externo sobre a despesa pública o endividamento.

Para além das habituais e inconsequentes ameças de independência não sei quais serão os seus planos de contingência. Talvez planeie recriar o extinto regime comunista albanês que a facção UDP do BE garantia ser o “sol da terra” e o “futuro da humanidade. Tal como estes, os madeirenses poderão gozar assim a sua plena soberania e manter o regime socialista, longe do colonialismo português. Talvez encontre aqui aliados para o seu projecto. (Bastante) Pobrezinhos mas honrados.

Nota: Custou mas, finalmente a esquerda começa a reconhecer Alberto João Jardim como um dos seus.

Uma delegação albanesa num comício do PC(R)

"Problemática Albanesa" de Rui Bebiano (A Terceira Noite)

Em Abril de 1977 veio a Portugal uma delegação do Partido do Trabalho da Albânia – episódio já mencionado pela Ana Cristina Leonardo na sua Pastelaria –, destinada a ornamentar o primeiro comício público do PCP(R). Num último assomo de convicção pessoal na força da tal «doutrina sempre jovem e científica», ainda fui de camioneta até ao comício no Campo Pequeno para saudar os camaradas albaneses. O momento parecia festivo: muitas bandeiras vermelhas, faixas com palavras de ordem como «os ricos que paguem a crise» e «abaixo a democracia burguesa», música do GAC, julgo que também alguns retratos de Estaline, de Mao e do camarada Hoxha. Mas a festa esmoreceu rapidamente com a entrada em cena da delegação albanesa: um pequeno grupo de idosos de rosto impassível, com chapéus à Al Capone, lenços de Cachemira impecavelmente dobrados no pescoço à maneira dos galãs dos anos 40, e enormes sobretudos cinzentos a contrastarem com o sol de Abril, que conservavam abotoados enquanto batiam palmas daquela forma compassada e aborrecida que podemos observar agora no You Tube. Uma viagem no tempo em forma de pesadelo. E nós que tanto desejáramos encontrar antigos guerrilheiros de porte enérgico e uniforme de partisan, se possível de cartucheira a tiracolo, prontos a esmagar «o imperialismo e o social-imperialismo», empenhados em dar-nos a força da qual tanto precisávamos para resistir à longa ressaca do 25 de Novembro! Creio que o meu entusiasmo esmoreceu logo ali um bom pedaço. E meses depois tinha-me convertido num «independente de esquerda» um tanto problemático. Graças, em parte, à falta de graça dos camaradas albaneses. A juventude não perdoa. Na época dir-me-iam que a «ideologia de classe» também não.