Tag Archives: Alemanha

Taxation without representation

Gráfico de João Miranda. Do mesmo autor, ver também “No spending without taxation”

Alguém que sabe do que fala (para variar)

Jornal de Negócios

O analista Marc Faber, célebre por ter previsto o “crash” bolsista de 1987, acha que a maioria dos países europeus devia ser considerado “lixo”. E diz que o corte de França foi insuficiente (…) pois não reflecte as contínuas tensões sistémicas da economia do país. Segundo Faber, a qualidade do crédito soberano de França não é boa.(…)

Sobre os Estados Unidos, o analista diz que o “rating” deste país devia ser ‘triplo B’ ou mesmo “lixo”, atendendo aos contratos de dívida que estão para vencer e que não têm fundos para serem suportados.

Faber sublinhou ainda à CNBC que não compraria obrigações soberanas de França ou dos Estados Unidos. Acrescenta, aliás, que não investiria em obrigações soberanas como investimento de longo prazo, pois perderia dinheiro. Quanto à Alemanha, o analista considera que “está ok”, mas que tem também muita dívida em mãos.

Marc Faber acha que estes cortes anunciados ontem pela S&P não terão um efeito significativo nos mercados accionistas mundiais, tal como aconteceu quando a agência desceu a notação dos EUA. Além disso, salienta, “a maioria dos ‘downgrades’ já foi descontada na Europa”.

O que poderá mexer com as bolsas, no entender de Faber, é se algum país disser “estamos fartos, vamos sair do euro”. “Se a Grécia o fizer, não será um desastre. Mas se a Grécia, Portugal, Espanha e Itália o fizerem, então isso terá um enorme impacto” nos mercados, referiu à CNBC

Safe haven

Segundo o WSJ hoje, pela primeira vez, os licitantes num leilão de dívida alemã aceitaram receber menos no futuro do que irão pagar agora.

“…for some investors, the return of their capital is clearly still far more important than the return on their capital. And Germany is probably benefitting as the pool of top-quality short-term bills has been sharply diminished as the euro-zone crisis has deepened and as ratings downgrades have kicked in.”

(via Ricardo Arroja)

Admirem-se…

The majority of Germans, 60%, believe the common European currency was a bad idea, according to a poll in Focus magazine.

Ai é?

A chanceler alemã Angela Merkel disse nesta manhã de sexta-feira, no Parlamento alemão, que a Europa está prestes a criar uma união orçamental, depois de na quinta-feira ter discutido com o Presidente francês formas de “refundar” a Europa.

E ainda nos vão perguntar qualquer coisa (tipo: querem ou não querem?) ou já decidiram por nós?

O início do fim do euro?

A propósito da emissão falhada de dívida alemã, o Alphaville e o Ricardo Arroja avançam com uma interessante explicação alternativa. Lembram-se disto e disto?

ADENDA; No Zero Hedge discordam desta teoria e voltam a insistir na tese da falta de compradores:

“Here is the bottom line: “failed” Bund auctions, in which the Buba (Bundesbank or the German monetary authority) steps in to “retain” an unbid for amount and hit a maximum issuance happen all the time. In fact literally all the time as the inset chart shows.(…) As SocGen puts it: “The fact that the Buba was forced to retain the biggest share of the sale in recent memory (see chart) is clearly a sign that some investors are no longer showing up or have started to buy considerably less, preferring other fixed income or alternative safe havens.” No need to conceive an explanation where simply supply and demand will suffice.”

O enterro definitivo da eurobonds?

As recentissimas dificuldades sentidas pela Alemanha na colocação de dívida pública só um sinal que o “núcleo duro” do euro não tem livre acesso aos mercados e não são imunes ao risco. Podem haver quem ache que isto obrigará a Alemanha aceitar as eurobonds. Dificilmente. Como poderá um país com dificuldades na colocação da própria dívida ser o principal avalista na colocação das obrigações europeias?

ADENDA: no Zero Hedge: “The sale “prompted concerns the debt crisis was even beginning to threaten Berlin on Wednesday, with the Bundesbank forced to buy large amounts of the bonds to ensure the auction did not fail. The low yields offered on the 10-year paper deterred investors from the auction, especially because of growing concerns over the cost to Germany of the escalating crisis.

Brest-Litovsk, 1939

German–Soviet military parade in Brest-Litovsk, na Wikipedia

Auf wiedersehen euro

O Financial Times Deustchland aparece hoje com o preço em DEM (marcos alemães)

Deve ter sido por causa do chumbo do PEC IV (2)

No Lex do Financial Times (minha tradução)

Portugal despediçóu a sua década na zona euro. A economia registou um pequeno aumento no crescimento antes da adesão, graças às reformas necessárias para assegurar que Lisboa se qualificava como membro. No entanto, entre 2001 e 2007 a economia cresceu apenas 1.1% ao ano, de acordo com a Capital Economics. Comparativamente a Irlanda cresceu 5% ao ano, e, apesar das (nossas) taxas de crescimento se compararem às da Alemanha e Itália para o mesmo periodo, a economia portuguesa permanece mais pobre e menos industrializada que as duas outras economias da zona euro.