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Convém perceber minimamente dos assuntos (3)

 

O autor do post aqui referido publicou um comentário onde tenta justificar a sua posição. Para qualquer um com um mínimo de conhecimento de Economia torna-se evidente a origem do seu equívoco.  Desta forma, o autor confunde um problema económico (ie a fixação de administrativa de um preço mínimo) com uma simples questão de estatística descritiva. No post anterior dei-lhe o benefício mas agora não resta qualquer dúvida. O autor não entendeu minimamente do que falava o secretário de estado. Tal como é sugerido no título desta série, se queremos discutir um assunto convém tentar percebê-lo minimanente. Por alguma razão não faço posts sobre física nuclear.

Convém perceber minimamente dos assuntos (2)

O último ministro das finanças que pôs em ordem as contas públicas e deixou os portugueses pobres… chegou a primeiro-ministro. Foi António de Oliveira Salazar. Por esta ordem de ideias, ainda vamos ter Gaspar a substituir Passos Coelho.


Evolução do PIB português em percentagem da Europa evoluída. Gráfico de Álvaro Santos Pereira e Pedro Lains

A sério. Convinha que as pessoas se informassem antes de proferirem determinadas sentenças. Para além da curiosa tese que pretende estabelecer entre o empobrecimento e a sustentabilidade das finanças que só parece ter sido copiada dalgum missal da extrema-esquerda a realidade também não lhe dá razão. Verifiquem igualmente o gráfico infra e verifiquem a como evoluiu, em períodos idênticos o endividamento público e a convergência da economia portuguesa.

Evolução da dívida pública portuguesa em percentagem do PIB. Gráfico de Álvaro Santos Pereira e Pedro Lains

Convém perceber minimamente dos assuntos

Segundo o Secretário de Estado do Emprego, o salário mínimo em Portugal não é realmente baixo.(…) [D]evia antes ter afirmado que os salários portugueses que são baixos não são só os que comem pela tabela mínima. Ou seja, há muita muita gente que ganha pouco, mesmo ganhando mais do que o salário mínimo.Como se resolve uma tão magna questão? Talvez baixando o salário mínimo, para os outros não serem tão “altos”… será?!

A ignorância económica tem destas coisas. O autor do post supra não se apercebe que acaba por dar razão ao secretário de estado. Em Portugal, o SMN é especialmente pernicioso porque se aproxima demasiado do salário médio. As consequência estão à vista e são indesmentíveis. O autor parece pensar enfermar da ilusão que estas questões se resolvem por decreto.

Eu que ainda tenho memória…

Recordo claramente uma altura em que as agências de notação não tinham qualquer credibilidade . Mas, como se sabe, as opiniões são algo voláteis. Particularmente as destes “especialistas”.

Já cá faltava

Tal como eu previ, a Alfama School of Economics também elaborou uma tese alternativa para explicar o sucedido. Diz este ilustre académico que os especuladores, que até são tipos inteligentes (presumo que esteja a avalizar a tese de racionalidade dos agentes), não querem dar dinheiro à Alemanha porque esta não se quer endividar para dar dinheiro aos países sobre-endividados. (convém recordar que aos últimos os especuladores não querem emprestar dinheiro). Perfeitamente lógico.

Quem te manda a ti sapateiro tocar rabecão? (2)

Como é seu hábito, o Daniel Oliveira compensa uma profunda ignorância em matérias económicas com uma grande dose de whishful thinking. E nem se dá ao trabalho de verificar se aquilo que publica corresponde à verdade. Deixo aqui dois exemplos da sua última crónica no Expresso.

“Os Estado e as famílias estavam endividados por anos de demissão fiscal dos mais ricos e de uma desigualdade na distribuição dos rendimentos da economia (…) que teve de ser compensada pelos dinheiros públicos e pelo crédito.”

Como se pode verificar no gráfico supra, a receita fiscal nos países da UE e mesmo da zona euro cresceu pelo menos 40%. Tendo sido também esta a altura em que se verificou o grande aumento do endividamento público não estou a ver onde é que se encaixa a “narrativa” da segunda ter dívida ter aumentado devido à míngua de receitas. Também não estou a ver como relacionar isto com “desigualdade na distribuição dos rendimentos”. Provavelmente nem ele sabe.

“Havia ali uma oportunidade de negócio e os ba[n]cos, descapitalizados pelos seus próprios erros, voltaram-se para as dívidas soberanas. Era ali que estava o jogo onde poderiam ficar a ganhar. Salvos pelos Estados, estava na altura de esmifrarem os Estados.”

Esta história é muitíssimo estranha. Julgava eu que os yields da dívida soberana apenas tinha começado a subir em meados de 2010. Podem verificar no gráfico supra a evolução das títulos gregos a 10 anos. Não estou bem a ver como é que os bancos “esmifraram” os estados neste contexto. Mas ele lá deve saber.

Investimento público contra-cíclico

Jardim “chuta” crise e gasta três milhões em iluminações de Natal

É assim que se combate a crise. Pelo menos segundo algund “especialistas”

Alfama school of economics

Para o líder da CGTP, Carvalho da Silva, o abaixamento dos salários “retira competitividade ao país” e é uma das “causas do prolongamento da crise”.

Como seria de esperar

Bancos alemães suspendem acordo para o perdão da dívida grega

Está-se mesmo a ver que os analistas do costume vão aproveitar para sublinhar o carácter anti-democrático dos mercados.

Mais um seguidor da Alfama School of Economics

O governo descrimina negativamente os funcionários públicos e os reformados não porque essa fosse a via mais razoável para a austeridade, mas porque uma boa parte dos seus membros tem uma ideologia irracional contra o Estado, o funcionalismo público e as pessoas “inúteis”

Infelizmente, após esta “pérola” da análise económica o Prof João Cardoso Rosas (um conhecido especialista na matéria) não oferece a sua solução para reduzir as despesas pública. Imagino que seja “aumentar os impostos”. Ou talvez tenhamos mais um adepto da misteriosa “austeridade inteligente”.