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Austeridade e recessão

Excerto da entrevista de Álvaro Santos Pereira ao Expresso.

Expresso – As medidas anunciadas são, ou não, suficientes para Portugal conseguir cumprir os objetivos para o défice de 7,3% do PIB este ano e 4,6% do PIB em 2011?
Sinceramente não sei. Este governo tem permitido tantas derrapagens orçamentais e tem levado a cabo tantos malabarismos contabilísticos que é difícil afirmar com a certeza absoluta de que estas medidas serão suficientes. Esperemos que sim, pois fazer austeridade a conta gotas é meio caminho andado para termos uma recessão durante largos e penosos anos. Mesmo assim, e em última análise, penso que o objectivo do défice deste ano vai ser cumprido, nem que seja à custa de ainda mais medidas extraordinárias, tal como o lamentável negócio com a PT.

Demolidor

“O Preço da Irresponsabilidade” de Àlvaro Santos Pereira (Desmitos)

por favor não me venham dizer que o Ministro das Finanças é a única tábua de salvação no meio de um governo de incompetentes. Não é. Bem pelo contrário. Como é que podemos considerar “responsável” um Ministro das Finanças que tem sistematicamente levado a cabo desorçamentações e manobras de contabilidade criativa denunciadas pelas mais diversas instâncias nacionais (Tribunal de Contas e UTAO) e internacionais (OCDE e FMI)? Um Ministro das Finanças que omitiu descaradamente a execução orçamental em 2009? Um Ministro das Finanças que deixou derrapar as contas públicas dois anos seguidos? Um Ministro das Finanças que aprovou dois planos de austeridade em que prometia cortar na despesa e fez exactamente o contrário? Um Ministro das Finanças que tem feito todos os possíveis e possíveis para ocultar (sim, ocultar) o verdadeiro estado das contas públicas nacionais e de omitir os encargos da dívida pública indirecta (das empresas públicas) e dos encargos com as parcerias público-privadas? Como é que podemos considerar responsável um Ministro e um governo que nos trouxeram taxas de desemprego históricas, que contribuíram para o regresso da emigração, e que, ainda por cima, quase nos levaram à insolvência? Como? Se isto é responsabilidade, eu sinceramente não sei o significado da palavra irresponsável.(…)

Enfim, este é um documento típico deste governo: ambíguo, cheio de promessas que não devem ser para cumprir, e sem qualquer estratégia de combate estrutural ao voraz despesismo do nosso Estado. Um documento de uma era que ficará irremediavelmente marcada na nossa História pela irresponsabilidade gritante dos nossos dirigentes e pelas más políticas que condenaram Portugal a um novo atraso económico que já tinha sido superado nas décadas anteriores.

Recomendo a leitura integral do post onde ASP faz algumas considerações sobre o que ontem foi apresentado e propõe algumas alterantivas para evitar a subida do IVA.