Tag Archives: anti-semitismo

Uma notícia que (estranhamente) não passou nos media ocidentais

…talvez por dificuldade em arranjarem interpretes fluentes em árabe. Faço notar que para o Ocidente bem-pensante estas são consideradas as faces moderadas da causa palestiniana.

No YNet News (via David Levy e Jorge Costa)

During an event celebrating the 47th anniversary of Palestinian President Mahmoud Abbas’ Fatah movement last week, Mufti Mohammed Hussein cited a hadith (saying attributed to the Prophet Muhammad) claiming that the Earth’s end of days will not happen until Muslims kill Jews in a religious battle: “The Hour (of Resurrection) will not come until you fight the Jews. The Jew will hide behind stones or trees. Then the stones or trees will call: ‘Oh Muslim, servant of Allah, there is a Jew behind me, come and kill him.'”

The moderator who introduced the mufti at the Fatah event said, “Our war with the descendants of the apes and pigs (i.e., Jews) is a war of religion and faith.”

O regresso de M’bala

O comediante Dieudonné M’bala M’bala conhecido pelas suas posições anti-semitas volta à carga. Desta com dois documentários “surpreendentemente” finaciados pelo Irão.

Não digam que eu não sou vosso amigo

Um glossário extremamente útil para descodificar as notícias sobre o Médio Oriente, o mundo árabe, o Islão e Israel no Fontpage Magazine. Duas entradas aleatoriamente escolhidas;

Arab Street: Enraged mobs chanting and screaming their hatred, determined to annihilate Israel and the Jews. They can often be seen burning American and Israeli flags, passing out candies and firing guns into the air in response to successful murders of Westerners (closely related to):

Arab Humiliation: The pervasive feeling on the Arab street generated by their failure to annihilate Israel and the Jews in several wars. Many opinion-makers, Middle East experts and op-ed writers argue that Arab humiliation is at the root of the Middle East conflict; i.e., “If only the Jews would let themselves be destroyed, the Arab street would feel better about themselves, and then there would be peace.”

Anti-semitismo no PCP

O Avante subscreve o enredo do Protocolo dos Sabios de Sião. Ver os comentários do Miguel Serra Pereira.

O reich dos mujahidin

Artigo de Fernando Gabriel no Diário Económico

De entre as armas que o filo-islamismo incorporou no arsenal retórico anti-israelita, a mais vergonhosa é a acusação de “neo-nazismo”.

Não só pela imoralidade implícita, que devia ser óbvia, mas porque procura reescrever a história de modo a branquear a influência decisiva do nazismo e de nazis na definição do islamismo como doutrina ideológica revolucionária e anti-ocidental. A ligação entre o islamismo e o nazismo inicia-se na II Guerra Mundial. Por sugestão de dois generais turcos em visita a Berlim, a Abwehr, a unidade de intelligence da Wehrmacht, decide criar batalhões de infantaria islâmicos. O sucesso das unidades iniciais levou à sua proliferação: estima-se que cerca de 250000 muçulmanos serviram e combateram pela Alemanha nazi. As vulgatas ideológicas da história do pós-guerra atribuem a potência destruidora do islamismo contemporâneo ao recrutamento e financiamento americano de mujahidin afegãos no combate contra a ocupação soviética. Na verdade, a quinta coluna do islamismo formou-se na Alemanha cerca de 30 anos antes, em torno da construção da mesquita de Munique, um projecto impulsionado por Gerhard von Mende, o arquitecto ideológico da cooptação de islamitas para a causa nazi, entretanto recrutado pela CIA para a guerra psicológica contra a URSS e que até ao início da década de 60 seria um elemento crucial na ligação entre a CIA e os dissidentes muçulmanos de origem soviética.

No excelente A Mosque in Munich (Boston, 2010) o jornalista Ian Johnson relata o modo como um grupo de radicais ligados à Irmandade Islâmica e liderados por Said Ramadan -o pai do ubíquo Tariq- aproveitou o financiamento ocidental para disseminar o islamismo entre os muçulmanos europeus. Um analista da CIA dos anos 50 viu com clareza o carácter revolucionário do islamismo, algo que hoje parece turvo para muitos. No perfil psicológico de Ramadan, o agente descreve-o como um “reaccionário, de tipo falangista ou fascista”, uma observação facilmente aplicável a Hassan al-Banna ou a Sayyid Qutb e crucial para a compreensão do islamismo: é uma doutrina anti- tradicionalista e totalitária na submissão da vida moral a desígnios ideológicos. Parafraseando Eric Hoffer, para o islamita, a liberdade de pensamento não é só contra-revolucionária -é uma apostasia punível com a morte.

O branqueamento do islamismo conduz à relativização do terrorismo: observe-se, por exemplo, o contorcionismo de Eric Holder, o procurador-geral norte-americano, incapaz de admitir perante o Comité Judicial da Câmara do Representantes que o islamismo é a motivação ideológica dos ataques terroristas aos EUA. O negacionismo de Holder recorda-me uma passagem do notável romance La Village de L’Allemand (Paris, 2008) do escritor argelino Boualem Sansal, o relato da descoberta do horror do Holocausto pelos filhos de Hans Schiller, um SS refugiado na Argélia e o rosto ficcional de inúmeros nazis que disseminaram o anti-semitismo pelo mundo árabe. No romance, quando um grupo de banlieusards decide organizar-se para resistir ao islamismo, descobrem que o termo “islamita” foi suprimido do dicionário. A supressão lexical é um tropo da cumplicidade cobarde e demissionária do ocidente e o romance funciona como uma séria advertência moral para as consequências do branqueamento do islamismo: o califado, o Reich dos mujahidin, é um horror totalitário, um crime cuja cumplicidade condenará pais e filhos por igual.

Um futuro

Artigo de Fernando Gabriel no Diário Económico

No palco, surge um sujeito de cara coberta por uma máscara, com as tranças e o chapéu negro característicos dos judeus ortodoxos.

Lê um comunicado, apelando à conversão de “todos os que o ouvem”. Exorta-os a juntarem-se ao “eixo do bem” e esclarece: ao “eixo americano-sionista”. Depois, faz a saudação nazi, sob o aplauso estrondoso de uma plateia ululante. Eis Dieudonné M’bala M’bala, num ‘sketch’ transmitido em Dezembro de 2003 pelo canal France 3.

Em 2009, Dieudonné apresenta-se como candidato nas eleições para o Parlamento Europeu, à frente de um partido que define como “anti-comunitarista” e “anti-sionista”. Dieudonné descreve os judeus como “negreiros reconvertidos à banca, ao espectáculo e, actualmente, à acção terrorista”, acusa-os de terem “fundado impérios sobre o tráfico de negros e a escravatura”e classifica o Holocausto como “pornografia memorial”. O seu partido congrega outras cabecinhas doentes, como o ex-comunista Alain Soral, que agora defende posições próximas das da Frente Nacional de Le Pen. Soral apresenta os sintomas clássicos dos crentes na tese da conspiração global do sionismo, que classifica como uma “psicopatologia”. Se não fosse pela absoluta ausência de base legal, a presidência francesa teria exigido a proibição da candidatura. Seria um enorme erro político: Dieudonné e a sua pandilha de tontos interpretariam a proibição como o suplício dos justos e a prova definitiva da conspiração sionista.

Parte do insultos que Dieudonné dirige aos judeus, como as acusações de esclavagismo, são ridículas e irónicas: se ainda há negreiros, eles são árabes. Num documentário intitulado Destins Clandestins, o jornalista Grégoire Deniau e o fotógrafo Olivier Jobard mostraram as condições degradantes impostas pelos traficantes norte-africanos aos imigrantes negros que tentam entrar clandestinamente na UE. Mas a mistura de anti-semitismo e negação do Holocausto que define o programa do partido é partilhada pela maioria da população islâmica europeia: por exemplo, no Reino Unido apenas 29% dos muçulmanos aceitam o Holocausto como um facto histórico.

As projecções demográficas indicam que nas próximas décadas existirão alterações profundas na composição da população europeia, com os efeitos conjugados do envelhecimento e da duplicação da população islâmica residente na Europa, de 20 para 40 milhões em 2025. O resultado será o alargamento do eleitorado sectário e largamente imune à argumentação racional, que fornecerá a base ideal para a implantação de partidos extremistas e ideologicamente promíscuos. A candidatura de Dieudonné é o esboço de um futuro sinistro, uma sombra projectada sobre uma Europa esclerótica e dissociada da sua história e civilização