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Uma pechincha, não era?

Há duas semanas, o socialista Arons de Carvalho deu a cara por um movimento que se propunha defender o “serviço público” de televisão. Por uns meros 300 milhões de euros anuais garantiamos um serviço de qualidade que prestava elevadíssimos serviços à pátria. Um valor ligeiramente superior ao da poupança com o anunciado corte no abono de família a 1.383.000 crianças e jovens.

Entre a defesa do estado social ou a manutenção do serviço de propaganda a escolha do PS foi óbvia.

Humor de perdição

Excerto de “Os Dias Contados” de Alberto Gonçalves (Diário de Notícias)

Bastou que o projecto de revisão constitucional do PSD considerasse a mera hipótese de alienação dos canais televisivos estatais para que as tropas se mobilizassem. E mobilizaram-se tão rapidamente que Arons de Carvalho, uma sumidade que só desce à Terra quando o estatuto da RTP é ameaçado, já se encontra a liderar um abaixo-assinado contra uma privatização que não existe, não se sabe quando existirá e nem sequer se sabe se virá a existir.

Rapidez à parte, o importante é que o dr. Arons não se apresenta sozinho: com ele, todos janotas, vêm dois argumentos a favor da manutenção da RTP (e da RDP) ao serviço do Governo, perdão, do público.

O primeiro argumento é o do custo. De acordo com o dr. Arons, cada português paga, pela televisão e rádio públicas, uns singelos dois, três euros mensais, menos, conforme ele apropriadamente lembra, do que um bilhete de cinema, ou 27,6 euros anuais, menos do que 12 bilhetes de cinema. Os montantes tornam-se ainda mais irrisórios ao constatarmos que, nos últimos nove anos, apenas se despejaram 2,4 mil milhões de euros na RTP, menos do que mil milhões de bilhetes de cinema das sessões baratinhas.

O segundo argumento do dr. Arons é o do benefício. Na sua sábia perspectiva, os media públicos oferecem, a troco dos mencionados trocos, a “diversidade”, maravilha que o dr. Arons exemplifica com os “programas para minorias”. Dado que a RTP ainda não emite produtos destinados a anões, zulus ou transexuais, presumo que as minorias em causa sejam as que vêem as conversas “culturais” da RTP2 ou os concursos daquele sr. Malato. Mas as vítimas de encefalopatia crónica também são gente.

A terminar, o dr. Arons avisa que quem adquirisse a RTP o faria unicamente pelo lucro, esse monstro que hoje se afugenta com galhardia, e prevê que a privatização seria, cito, uma tragédia. Evidentemente, o dr. Arons prefere a comédia.

Um serviço público e insubstituível (2)

É chocante a facilidade com que os políticos relativazam umas centenas de milhões de euros de despesa (leia-se impostos):

Para Arons de Carvalho, a televisão e rádio públicas (…) custa[m] a cada português cerca de 2,3 euros por mês, “um valor razoável e muito abaixo de outros países europeus, é, aliás, dos mais baixos da Europa”. O custo mensal por habitante – “menos que um bilhete de cinema”, frisou — perfaz os 300 milhões de euros anuais de investimento no serviço público de rádio e televisão que, argumentou, “foram estipulados pelo próprio PSD no Governo de Durão Barroso”.

Para terem uma ideia do valor relativo desta “pechincha” recordo este editorial do Diário Económico

A RTP continua a ser um sorvedouro de dinheiros públicos. Só nos últimos nove anos, o Estado já injectou mais de 2,4 mil milhões de euros na estação pública de televisão.Isto equivale a quase três vezes o custo da Ponte Vasco da Gama, a preços de 1998.

Para além disto não será demais recordar o “colapso iminente do Estado social”.

Um serviço público e insubstituível

Um movimento anti-privatização da RTP está a ser criado e lançará um abaixo assinado, disse hoje à Lusa o socialista Arons de Carvalho, promotor da iniciativa que contesta o fim do serviço público admitido na proposta de revisão constitucional do PSD. (…) Para Arons de Carvalho, a televisão e rádio públicas são “insubstituíveis”, oferecendo uma “diversidade” que não se encontra nos operadores privados (…)