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Tudo em família

Excerto de “Os Dias Contados” de Alberto Gonçalves (Diário de Notícias)

Foram precisos dois milénios de cristandade para que a esquerda se pronunciasse contra os subsídios do Estado aos artistas, ou “artistas”. Claro que o pronunciamento não aconteceu em sentido genérico e não aconteceu à toa, mas apenas porque, na história em causa, o Estado é o Instituto de Investigação Científica Tropical, presidido por Jorge Braga de Macedo, e a artista, ou “artista”, é Ana de Macedo, por acaso ou desígnio filha do supracitado economista barra tropicalista. Segundo consta, o misterioso IICT apoiou uma exposição de “arte contemporânea” da senhora em Maputo, um português lá residente escreveu há seis meses um texto no seu blogue sobre o assunto e, agora, o Bloco de Esquerda insurge-se contra o arranjinho e questionou o Governo acerca do esbanjamento de dinheiros públicos. Continuar a ler

Nada de novo à extrema-esquerda

Parra o ocaso do Bloco de Esquerda em nada (ou pouco) contribuirão cisões de seitas trotskistas ultra-minoritárias que nem uma sala conseguem encher. Esgotadas as principais “causa fracturantes” pouco mais resta que o programa e os métodos da UDP. E com grande espanto os eleitores descobrem que estiveram a votar num partido da extrema-esquerda. E depois temos estes rapazes que parecem prontos para reencarnar o Bloco de Esquerda numa reencarnação mais amiga dos bichos e das plantas. Até já gozam dos favores dos media.

Cuidado com os rapazes

Como bem nota o Henrique Raposo, não será por acaso que as boas prestações do PAN surgem ao mesmo tempo ao declinio da extrema-esquerda. O PAN tem tudo para tomar o lugar de um BE moribundo e substitui-lo como “queridinho” dos media. Para já, tudo ainda não passa de conjecturas mas há indícios fortes que será este o futuro. Convém não olhar para estes defensores dos bichinhos e vegetais com complacência. Não descurem o estrago que podem fazer a este depauperado país. Convém não repetir o erro feito com o bloco de extrema-esquerda.

Sondagens fresquinhas

Foi hoje divulgada uma sondagem da Universidade Católica com os seguintes resultados

PS: 36
PSD: 34
CDS: 10
PCP: 9
BE: 5

Outra da Eurosondagem parece confirmar as tendências da anterior:

PSD: 35.8
PS: 32.5
CDS: 11.1
PCP: 7.7
BE: 6.6

Alguns comentários:
1. Após o falhanço da governação socialistas é (para mim) espantoso que o PS continua a recolher 1/3 das intenções de voto e todas as sondagens indiquem um empate;
2. Esperemos que se tenha esgotado o “efeito Nobre” (que foi claramente uma aposta falhada -para não dizer desastrosa) e outros “tiros no pé” da direcção do PSD. Esperemos também que esta tenha aprendido alguma coisa com os seus erros. Isto partindo do princípio que os reconhece como tais;
3. Ajudaria também se alguns notáveis (como Pacheco Pereira ou António Capucho) decidissem se o seu principal objectivo é derrotar José Sócrates ou Pedro Passos Coelho;
4. O PSD parece ter recuperado o centro ao PS sem ter esvaziado o CDS;
5. O PS parece manter a votação roubando à BE os votos que perdeu para o PSD. Percebe-se bem a insitência de José Sócrates em colar o PPC ao “neoliberalismo” reservando para si o papel de “campeão do estado social”. Algo que muitas vezes não tem qualquer aderência à realidade;
6. Convém ter presente que existe aqui uma alteração sociologica e ideolígica de uma parte significativa do eleitorado socialista. Não sei como reagirão este novos eleitores a muitas das medidas que constam do acordo com a “troika”. Particularmente funcionários públicos.
7. Parece confirmar-se a tese que o eleitorado do BE é bem mais volátil que o do PCP. A verificar-se a tendência das songagens será uma estrondosa derrota para Louçã e sus muchachos que irão ver o grupo parlamentar reduzir-se considerávelmente.
8. Em anteriores eleições as sondagens subestimavam por regra a votação do CDS. Ou reconhecendo este erro procederam a uma alteração metodológica ou mantendo-se a tendência anterior poderá significar que este partido terá uma votação muito superior à das anteriores eleições.

ADENDA: O Pedro Magalhães divulga outra sondagem da Aximage que confirma a tendência das anteriores

PSD: 33.9
PS: 30.5
CDS: 12.1
PCP: 9.3
BE: 7.7

Derrubar ou não, a escolha é simples


Como recorda o João Miranda, por altura da aprovação do OE 2011 as taxas andavam pelos 6% e a sua não aprovação, diziam as pessoas com elevado sentido de responsabilidade, poderia ser mal entendida pelos mercados. Pois. Neste momento as taxas já quebraram a resistência dos 7% (e se não fosse o telefonema para Frankfurt já andariam a rondar o 8%). Parece que agora não poderemos derrubar o governo pois “[n]ada podia ser mais trágico para o financiamento da República nos mercados internacionais”. Novamente a mesma história. Não sabem muito bem o que os “mercados” acham da nossa capacidade de endivididamento. O Prof Álvaro Santos Pereira apresenta 6 excelentes razões para derrubar o governo. Em alternativa podemos continuar a fingir que é a instabilidade política que nós vai levar à bancarrota.

Nota 1: À falta de melhor, os “abrantes” confortam-se com as palavras de Gil Garcia e Santana Lopes. (e, a qualquer instante, poderemos também contar com citações do amigo Daniel e do Renato Teixeira).´

Nota 2: Seria bom que o próximo governo adoptasse uma postura substancialmente diferente do actual quantos aos problemas estruturais que nos trouxeram até aqui. Implicava parar deixar de confundir a maquilhagem das estatísticas com reformas estruturais e abandonar a ideias que é possível compatibilizar o estado social(ista) com o aumento da riqueza. Nada me garante que os próximos governantes sejam agentes dessa mudança. Já aos actuais deixaram bem vincada a sua incompetência.
Nota 3: Se o PSD não gostar dos termos da moção bloquista que apresenta a sua.

A vitória inútil de Sócrates

Depois de em 2005 ter queimado Mário Soares, nas presidências de 2010 José Sócrates acaba de vez com as ambições de vez Manuel Alegre, respectivo séquito e todos aqueles que sonham com aliança PS-Bloco. Desta forma, Sócrates reforça o domínio absoluto no PS. A derrota nas presidências é assim uma secreta e saborosa vitória. O problema é que isso só teria alguma utilidade se o PS e Sócrates ainda dominassem as sondagens. Algo que já não é verdade há algum tempo. O PS só lhe interessa enquanto meio de assalto ao poder. Como se comprova pela forma com tem dizimado sistematicamente a oposição interna com estes presentes envenenados. Não que isso me chateie. Antes pelo contrário.

Nacional-bolcheviques (2)

“O novo patriotismo da esquerda” de André Abrantes Amaral

O patriotismo que a esquerda está a adoptar não se funda no sentimento salutar de quem gosta do país onde nasceu como sendo a sua casa, o seu lugar. Surge, isso sim, como uma reacção ao que vem de fora, apelando aos instintos básicos, à paixão irracional e partindo do pressuposto de que ‘os outros’ nos estão a aldrabar. Pugna por uma independência nacional que visa o isolacionismo. Isolamento perante o investimento estrangeiro, como sinónimo de exploração, e aposta na produção nacional, boa ou má, como único meio de incentivar a produção e aumentar as exportações. Por isso, uma certa raiva contra a postura intransigente da Alemanha, a insensibilidade do FMI e da própria UE.(…)

A falência do Estado social vai-nos marcar bem mais do que podemos antever. É todo um modo de vida que vai ser alterado, obrigando-nos a acreditar mais uns nos outros, solidarizando-nos de modo mais genuíno e não automático, nem forçado. Algo que terá repercussões sociais e também políticas. Junte-se a isto as más escolhas que muitos farão de forma inesperada e desesperada e ainda vamos ver extremos opostos juntos e de mãos dadas a descer avenidas.

Ridículos inflexíveis (2)

“A ditadura do precariado”. Um vídeo da Sábado online por Alberto Gonçalves

O anti-sionismo falou mais alto

A propósito do boicote ao festival de cinema Queer Lisboa promovido por grupúsculos ligados a BE ao descobrirem que o evento era co-patrocinado pela Embaixada de Israel escreve David Levy no Delito de Opinião

Este partido, para além de ser geneticamente anti-sionista, considera-se dono das minorias, dominando os movimentos homossexuais. Por isso, é-lhe impossível admitir que um país como Israel apoie um festival de cinema gay. É contra-natura e estraga-lhe a cartilha ideológica.Não há muito a fazer em relação a isso, excepto denunciar o totalitarismo do BE e das suas associações satélite, que com protestos destes acabam por se mostar mais preconceituosas do que muitos homofóbicos.

Nota: Não acho grande piada este tipo de eventos (para quando um festival de cinema heterossexual?) nem acho apropriado que neles se use o dinheiro dos contribuintes (mesmo no caso do tal festival de cinema heterossexual). Neste caso, o que me interessa é expor a falta de amor do BE às causas fracturantes quando a sua hegemonia e dogmas ideológicos são postos em causa.