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Andaram muito ocupadinhos nos 3 últimos anos?

No Público

A Comissão Europeia acabou de abrir uma investigação “aprofundada” sobre a nacionalização do Banco Português de Negócios (BPN), em 2008, para averiguar se as ajudas públicas concedidas são compatíveis com as regras comunitárias da concorrência.(…) Três anos depois de ter sido efectuada, a operação do BPN nunca foi notificada à Comissão. Desde então, as respostas enviadas pelo anterior governo aos pedidos de informação que foram sendo enviados por Bruxelas chegaram sempre tarde e de forma incompleta. “Apesar de sucessivos pedidos, a Comissão não dispõe na presente fase de todas as informações de que necessita para adoptar uma decisão relativa ao eventual auxílio”, frisa o comunicado

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Amnésia socialista

Camilo Lourenço (Jornal de Negócios)

“Maria de Belém diz que enquanto presidente da Comissão que investigou o BPN lhe “passou muita coisa estranha debaixo dos olhos” e criticou a falta de sanção dos “actos criminosos”. Uma pergunta: Maria de Belém criticava as falhas do anterior Governo? É que o banco foi nacionalizado em Novembro de 2008 e até Março de 2011 Teixeira dos Santos nunca disse qual o custo para o contribuinte. E em vez de vender o BPN mais cedo, quando a conjuntura era mais favorável, empurrou com a barriga… até levar com o gravíssimo ultimatum da troika (que deu todo o poder negocial ao comprador). Maria de Belém deve estar com amnésia. O que é estranho em quem dirigiu a referida Comissão…”

BPN: “Uma solução onerosa para os contribuintes”

Tavares Moreira faz uma resenha da história da nacionalização do BPN. Um pormenor chamou-me a atenção. Conta Tavares Moreira que o Ministro Teixeira dos Santos terá recusado um plano de recapitalização e recuperação do BPN apresentado pela equipa de Miguel Cadilhe. Este previa uma comparticipação pública de 600 milhões de euros (eventualmente reembolsável) o que foi recusado pelo Ministro alegando que não podia aceitar que fossem os portugueses a suportar as perdas. Resolvi procurar provas do que Tavares Moreira afirmava. E aqui está ela (meus destaques):

O Ministério das Finanças reagiu, esta segunda-feira, com surpresa às declarações do presidente do Banco Português de Negócios (BPN), reafirmando que a proposta do banco era muito «onerosa para os contribuintes».
Miguel Cadilhe criticou, esta segunda-feira, a decisão do Governo de nacionalizar o banco, classificando-a como uma solução «desproporcionada», afirmando que esta não foi a decisão que propôs, e recusou continuar à frente da instituição após a passagem do controlo para o Estado.

«Foi solicitado ao Estado que injectasse 600 milhões de euros no banco, o que implicaria que, parte das perdas existentes fossem de imediato da responsabilidade do Estado», explica o Ministério das Finanças, em comunicado.

Segundo a tutela, «a situação de insolvência do banco e as suas perspectivas de evolução eram tais, que as possibilidades do Estado recuperar aquele montante eram diminutas, impondo assim aos contribuintes um custo inaceitável».

O comunicado dá ainda conta da surpresa do ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, com o facto de uma «proposta tão onerosa para os contribuintes tenha sido feita por um anterior titular da pasta».

Desta forma, a solução “menos” onerosa para os contribuintes custou-nos até agora 2.4 mil milhões de euros e dependendo do que ainda conseguir recuperar dos “activos tóxicos” e das indemnizações pode chegar aos 4 mil milhões. Mas Miguel Cadilhe é que era irresponsável ao propor aquele plano.

Prevê-se futura correcção ao défice de 2011

O BPN será vendido até julho, mas não terá preço mínimo, segundo o acordo entre o Governo e a troika.

Coisa pouca

Agora são mais 500 milhões de euros. A juntar aos 5.3 mil milhões.

5.3 mil milhões

A CGD já emprestou ao BPN cerca de 5,3 mil milhões de euros, linhas que o BPN substituiu no final de 2010, com a emissão de papel comercial com garantia do Estado

Leram bem: “com garantia do Estado”. (para além disso a CGD é detida na totalidade pelo estado pelo que a garantia é de certo modo redundante).

Uma história muito mal contada

Da entrevista de Miguel Cadilhe ao Diário Económico

O BPN constituía ou não um risco sistémico?

A nacionalização foi politicamente justificada pelo risco sistémico, mas isto foi uma colossal mistificação. O BPN era um banco relativamente muito pequeno, perante quem a supervisão fechou os olhos anos a fio. Quando ela abriu os olhos, o BPN foi literalmente empurrado para a nacionalização, o autêntico porquê do empurrão é que é um mistério para muita gente. Nesse momento, vieram alguns dos nossos banqueiros aclamar o acto, mas isso, a meu ver, vale o que vale, é preciso ler nas entrelinhas.