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A máquina cavaquista

“Corre veneno puro nos fontanários de Belém” de Ana Sá Lopes (i)

Back to Verão de 2009: uma “fonte de Belém” resmungou ao “Público” um conjunto de desabafos que favoreciam a ideia de que o Presidente suspeitava estar a ser vítima de “vigilância” por parte do governo Sócrates. (…) Para se vingar de uns socialistas (José Junqueiro e Vitalino Canas) que criticaram a participação de elementos do gabinete presidencial na preparação do programa do PSD, a poderosa “agência de comunicação” de Belém lançou veneno puro na campanha eleitoral que se aproximava.(…)

O folhetim teve qualquer coisa de novela latino-americana. Nos primeiros dias a presidência não desmentiu – deixou pousar. No fim da campanha eleitoral, Cavaco Silva fez uma comunicação ao país em que, obviamente, se vitimizou. Foi um momento patético que deixou feridas dentro de vários sociais-democratas muito próximos de Belém. Afinal Cavaco tinha acabado por contribuir para a destruição total da campanha de Manuela Ferreira Leite, sua íntima amiga e líder do PSD na altura dos trágicos acontecimentos.

Eu não votei nele


Se a mesquinha “guerra” entre Cavaco Silva e governo servir para o PSD “matar o pai” e cortar em definitivo as amarras que o prendem ao avô do “monstro” despesista, o saldo final pode vir a ser extremamente positivo . Para o partido e para o país.

ADENDA: Significativamente, sempre na defesa do despesismo , dos interesses instalados e dos jogos de bastidores, os “abrantes” saudam as manobras do Presidente da República.

República vs Monarquia

As recentes declarações de Cavaco Silva têm sido aproveitadas por vários adeptos da causa monárquica para demonstrar a inferioridade e os defeitos das instituições republicanas. Pressupõem que esta polémica seria impossível caso tivéssemos um monarca em vez de um presidente da república. Das minhas leituras acerca da história do último rei português, recordo as inúmeras polémicas entre D.Carlos e as cortes acerca da “lista civil” e de eventuais “adiantamentos” que teriam sido feitos pelo executivo à revelia das primeiras.

Não tendo sido particularmente feliz ou dignificante (e vamos deixar por aí) uma enorme parte da actuação dos presidentes da República Portuguesa, o facto é que também nas monarquias se encontram exemplos muito pouco dignificantes que fazem maravilhas pela causa republicana.

A verdade é que o debate entre monarquia e república deve centrar-se no campo das instituições e não das pessoas que ocupam o cargo. E bem vistas as coisas, verifico não existir qualquer mecanismo na instituição monárquica que garanta o bom desempenho do cargo. Tanto no caso da monarquia como no da república, este depende mais das características pessoais dos ocupantes do que a natureza da instituição. E para controlar os potenciais e possíveis estragos nada melhor que a limitação temporal dos mandatos. Eu que nesta questão não me coloco decididamente em nenhum dos lados diria que a república ganha a devido a este pequeno pormenor. Que faz toda a diferença

O avô do monstro

José Carlos Alexandre n’A Destreza das Dúvidas

Como é evidente, Cavaco Silva não é único responsável da actual crise – nem nunca ninguém disse tal enormidade. Há muitas causas e muitos responsáveis. Todavia, como afirmou Vasco Pulido Valente recentemente numa entrevista ao Público, foi “Cavaco que empurrou o carrinho pela descida abaixo.” Em especial, na última parte da sua governação (1991-1995) (…)

A título de exemplo (…) Cavaco Silva que criou um sistema de promoções automáticas na função pública, cujas ondas de choque na despesa do Estado se fizeram sentir muito para além do inicialmente previsto (…) e (…) criou o 14.º mês para os pensionistas(…)

Numa palavra, Cavaco Silva elevou as expectativas dos portugueses para níveis muito acima das possibilidades do país. E foi aí que começou o desastre. É verdade que os que vieram a seguir não emendaram os erros que vinham de trás, pelo contrário, agravaram ainda mais a situação. Só que nada disso iliba Cavaco Silva

A contas com uma herança cavaquista

A Gare Intermodal de Lisboa (GIL), responsável pela gestão da Gare do Oriente, acumula prejuízos de cerca de 87 milhões de euros desde a sua criação, em 21 de Setembro de 1994. Esta é uma das principais conclusões da auditoria do Tribunal de Contas (TC) a 14 empresas do Sector Empresarial do Estado (SEE), divulgada esta semana.

Dois comentários. Com tanto “investimento público estruturante” e “défices virtuosos” admiro-me como ainda não atingimos o paraíso socialista. Com este tipo de legados da sua governação o actual PR deviam ter algum pudor quando comenta os sacrifícios infligidos à população pelo despesismo público.

Uma vitória clara

Cavaco Silva venceu de forma clara o maior grupo de ineptos que alguma vez se candidatou contra um presidente eleito. Foram tantos os tiros no pé e as facadas nas costas nas cadidaturas adversárias que era difícil não ganhar à primeira. Foi sem sombra de dúvida o melhor candidato mas não o suficiente para merecer o meu voto. (faço minhas as palvras do Rodrigo). Espero que o este mandato seja bem melhor que o primeiro e que da próxima vez possa votar num candidato não socialista.

Não contem comigo

Não contem comigo para reeleger Cavaco Silva (ok, eu sei que o meu apoio ou voto é irrevelevante mas ao menos alimento a fantasia que alguém se interessa pelo que escrevo). Esclareço que o que move contra ele não é a falta de veto à legalização do aborto ou do casamento homossexual mas a recordação desta bela trapalhada que ofereceu a eleição ao PS. E, de qualquer forma, não prevejo grandes dificuldades à sua reeleição. As aparições públicas do candidato mini-Chavez valem a Cavaco mais votos que umas boas centenas de outdoors.