Tag Archives: Dívida Pública

I want out

Segundo um dos promotores da “auditoria cidadã à dívida pública” o contribuintes não têm de “aceitar o empobrecimento apenas porque o Estado assumiu determinados compromissos em [seu] nome”. certíssimo. Nesse caso, não se devem opor que outros se recusem a suportar as despesas inerentes à manutenção do estado social. Em nome da coerência.

O “haircut” grego

Após vários meses de negação os líderes da UE finalmente acordaram a reestruturação da dívida grega. Mas será suficiente? O que foi acordado foi o perdão de 50% da dívida privada. Segundo o Público esta “ascende actualmente a 210 mil milhões num total de 350 mil milhões de euros”. Contas simples, serão perdoados 105 mil milhões de euros o que equivale a 30% da dívida total. Várias estimativas apontavam para valores na ordem dos 60-70% da dívida total. Isto é, duvido muito que fiquemos por aqui.

Era mais fácil despedir o ministro

Diário Económico

“Nós chegámos perto da bancarrota com uma política orçamental em 2008, 2009 e 2010 que foi suicidária e anti-nacional”, acusa o economista [Luís Campos e Cunha] que esteve cinco meses no primeiro Governo de José Sócrates, citado pela Renascença. (…)

“Em Junho de 2005 eu chamei à atenção que se não controlássemos a dívida pública e o défice público teríamos ‘spreads’ a subir, mais tarde ou mais cedo, e que isso teria consequências para o financiamento da economia e para o financiamento das famílias”, argumenta o antigo ministro.

“Nessa altura estava preocupado porque no final de 2005 a previsão era de chegarmos a 67% de endividamento público. Neste momento estamos a mais de 100%”, sublinha.

Por uma economia liberta das grilhetas do mercado (2)

(mais) Um grande título do Público: “Orçamento vai empurrar a economia para pior recessão desde 1975”

A malvada austeridade orçamental é a fonte de todas as nossas desgraças. Compare-se com o pujante crescimento proporcionado pelo crescimento da dívida pública em 104 mil milhões de euros nos últimos 10 ano. Onde é que está escrito que algum dia teriamos de pagar estes desvarios investimentos?

Quem te manda a ti, sapateiro, tocar rabecão?

A propósito deste artigo sobre a dívida pública oculta na Alemanha, o Ségio Lavos resolveu escrever uma tremenda asneira que foi prontamente repetida pelo Daniel Oliveira no Expresso. Pensam que este comprova as suas teses sobre a duplicidade criminosa da Sra Merkel mas espalham-se ao comprido. É o que normalmente sucede quando se proclamam sentenças em matérias desconhecidas.

O Carlos Guimarães Pinto já esclareceu a confusão dos “arrastões”. Particularmente grave, na minha opinião, é a incapacidade que demonstraram para reconhecer as consequências dos sistemas públicos de saúde e pensões sobre as contas públicas. Algo que fica bem claro no resumo do artigo que até está escrito em português e numa linguagem perfeitamente acessível para leigos em matérias económicas. Quanto à comparação espúria entre a dívida alemã considerando os encargos com estes sistemas e a grega e italiana sem os mesmos encargos apenas têm culpa de repetir de forma acrítica o que leram. Não se pode exigir mais.

ADENDA: Este comentário no post do Sérgio Lavos é esclarecedor sobre uma eventual comparação com a situação portuguesa.

Nada pára o socialismo madeirense

Juro que não percebo o ódio que lhe votam. Alberto João Jardim tem tudo para ser um ícone da esquerda portuguesa. Numa altura de crise generalizada e a braços com um colossal “buraco” nas finanças regionas, o presidente do governo regional culpa o “poder financeiro” e garante que não despedirá funcionários públicos nem irá rever o programa de obras públicas. Não é exactamente isto que os cainesianos continentais reclamam? Nada, nem o a falta de financiamento, parece capaz de parar o socialismo madeirense. Alguém (que não eles) pague a conta. Mais ou menos como na história das eurobonds.

O modelo madeirense

Seguro desafia Coelho a esclarecer quem paga “irresponsabilidade” da dívida da Madeira

Trata-se efectivamente de uma excelente questão que merece melhor resposta por parte do governo. Seria extremamente útil acabar com a irresponsabilidade fiscal das autarquias e regiões autónomas fazendo com que sejam os contribuintes locais a pagar pela “obra feita” dos lideres locais. Para além da ressalva aqui feita pelo Nuno Gouveia, o que acho estranho é que seja feita pelo líder do partido que se tem batido por um modelo de regionalização que irá semear várias “Madeiras” pelo continente.

Nuts

via Gerontion

Sempre a subir

Will Wilkinson explica detalhadamente porque razão as contrapartidas do acordo entre republicanos e democratas, que permitirá aumentar o limite de endividamento do governo federal, são risíveis. Como se pode comprovar pelo gráfico infra, o acordo nem prevê uma redução efectiva da despesa.

“Unless the bill fails (…) it looks like our democracy will have raised the debt ceiling, didn’t really cut a thing, passed off responsibility for substantial deficit reduction to a “super committee”, which will either come up with a plan that does not bind the future executive and legislature or will trip a “trigger” that won’t go into effect until after the next election, and then, again, will go into effect only if the government of the future wants it to go into effect. If this is what “raw extortion” delivers, it’s not very much

Eu, “talibã” me confesso

Acho estranho (mas não surpreendente) o ambiente de festa com que foi recebido o acordoque permitirá aumentar o limite de endividamento público nos EUA. Diria eu que, em nome do bom senso seria preferível começar já a reduzir a colossal dívida pública americana. Em vez disso, perante o aplauso generalizado, foi aprovado um plano que aumenta imediatamente o limite de endividamento (melhor dizendo, o objectivo) em 2.4 mil biliões de USD em troca de uma redução da despesa de 2.8 biliões que, embora significativa, tem um prazo de 10 anos para ser implementada. Como diz o Zero Hedge, isto significa que da próxima vez que for necessário aumentar o limite (previsivelmente no 1º trimestre de 2013 e no mínimo num montante idêntico ao que agora irá ser aprovado) os cortes da despesa serão irrisórios. Mas, pelos vistos, isto só espécie a “talibãs” e “fundamentalistas” como eu. Não me admira nada que tenhamos chegado aqui.

ADENDA: Estranho também que a decisão de aumentar o endividamento permita aos EUA manterem a notação AAA na dívida soberana. E pelos vistos, não sou o único.

ADENDA2: Don Boudreaux: “An un-raised debt ceiling, (…) [would] oblige Washington politicians to do what they’ve refused to do for generations: make tough choices instead of shifting the costs of today’s spending onto tomorrow’s taxpayers and continuing to spend wildly.”