Tag Archives: Economia

Entrevista

Recomendo a leitura da entrevista do Luís Aguiar-Conraria ao webzine açoriano Etc e Tal

O Governo prepara-se para colossais cortes na despesa, designadamente em setores tão importantes como o da Saúde (800 milhões) e Educação (600 milhões). Ao mesmo tempo que cria receita através do aumento de impostos, com destaque para o IVA e logo no que concerne a bens tão importantes como a eletricidade, o gás, e os transportes. Essas medidas são essenciais? Os cortes na despesa são estruturais? Não falta aqui um plano ao incentivo ao crescimento?

Não há qualquer consenso quanto ao que é um bom plano de incentivo ao crescimento. Por exemplo, um desses planos foi a aposta nas Energias Renováveis, Já viu os lindos resultados desse plano? A eletricidade seria muito mais barata se não fosse essa política voluntarista. Outro plano de crescimento foi a construção de estádios. Belo resultado, não? E o da construção de aeroportos? Quase que temos de pagar aos turistas para aterrarem no Aeroporto de Beja. Independentemente da bondade de tais políticas, a verdade é que não há dinheiro para as financiar.

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Sobre os vencedores do Nobel da Economia de 2011

“A prize for the scientific method in economic policy” de Ramon Marimon (Vox.eu)

Not all scientific contributions need to be the basic research that ultimately seeks to solve problems affecting our society, but those contributions have special value. Behind the abstract models and econometric techniques developed by [Thomas] Sargent and [Christopher] Sims, there are two social scientists who have always followed this principle. It is not by accident that, beyond the ‘origins of the revolution,’ both have worked on models where agents form their expectations through learning, rationality is limited, or where policymakers are uncertain about what constitutes the proper model of the economy (and these features can help to better explain the data). It is not an accident that Sims’ pioneering paper introducing VARs was not titled “Introducing Vector Auto Regressions” but, rather, “Macroeconomics and Reality” (Econometrica 1980) nor that Sargent has worked on problems that affect us directly, such as European unemployment or what, with Neil Wallace, they called ‘unpleasant monetarist arithmetic’ (further developed by Sims in the ‘fiscal theory of the price level’). It was unpleasant because it made us aware of how monetary and fiscal policies – and now we need to add, the financial sector – are intrinsically integrated; for example, if we do not fix the solvency problems of the latter, the former will pay with a depreciation of the euro. These lessons, unfortunately, are too often forgotten by those who decide economic policy but harbor a disdain for economic theory.

A Metade, réplica a Pedro Lains

Pedro Lains publicou ontem um post em que critica aqueles que dizem que o estado português gasta “gasta metade do que os “portugueses” produzem”. Os seus argumentos resumem-se desta forma

a) O estado apenas gasta 10% e redistribui os restantes 40%;

b) O crescimento económico dos Séc. XIX e XX acentuou a desigualdade na distribuição do rendimento;

c) O nível de despesa do estado e as políticas redistributivas não devem ser contestadas pois resultam de escolhas democráticas.

Por comodidade troco a ordem dos argumentos (tal como são apresentados no post de Pedro Lains) e começo a minha réplica pelo fim.

Qualquer decisão, mesmo as que resultam de escolhas maioritárias, é passível de ser contestada. Ainda mais num estado de direito democrático que reconhece os direitos (e a necessidade) de existência de opiniões concorrentes e mesmo antagónicas. O modelo democrático não exige ex-ante a definição da dimensão e das funções do estado. Outro ponto importante é que a natureza democrática dos processos de decisão não implica que os resultados obtidos respeitem os direitos individuais ou que sejam economicamente sustentáveis. A Teoria da Escolha Pública explica muito bem como processo legislativo pode ser desvirtuado.

A aumento da desigualdade na distribuição dos rendimentos só por si diz muito pouco. O resultado final resulta de práticas ilícitas? Verificou-se ou não o aumento generalizado do nível de vida? Existe mobilidade social? Qual o fundamento das políticas redistributivas? Honestamente, não percebi muito bem a intenção de Pedro Lains ao referir este argumento.

Chegamos pois ao último (melhor dizendo, ao primeiro) ponto. Fico com a impressão que Pedro Lains pretende afirmar que contrariamente aos criticos (que não identifica) a dimensão do estado e o controlo que este exerce sobre a economia é afinal reduzida. E os restantes 40% obtidos (maioritariamente) por via fiscal e que são alocados segundo critérios políticos? Parece estar a sugerir que as consequências económicas (e como deixou bem explícito o seu post era essencialmente sobre matérias económicas) de um estado que se limita a controlar controla 10& do PIB e outro que controla 50% mas que redistribui 80% do montante anterior são idênticas.

Tudo somado. Fico sem perceber muito bem as críticas de Pedro Lains. O único ponto que em que estamos em total acordo é na necessidade de melhorar o ensino de economia no ensino secundário. Mas isso pouco tem a ver com o tema em causa.

Setembro negro (2)

O prémio, ou ‘spread’, das obrigações do Tesouro português a 10 anos face às ‘bunds’ alemãs da mesma maturidade subiu hoje 15 pontos para 351 pontos base, um novo máximo histórico. O anterior, de 346 pontos base, datava da sexta-feira negra de 7 de Maio, o pico da crise da dívida soberana na Europa.

Portugal, polaroids de uma década perdida

Gráfico da autoria de Luís Aguiar-Conraria.

Portugal, polaroids de uma década perdida

Gráficos da autoria de Luís Aguiar-Conraria.