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Sobre as nomeações para a EDP

Pedro Pita Barros sobre as nomeações para o conselho geral e de supervisão da EDP (meus destaques)

Se a opção política das pessoas escolhidas foi nalgum sentido relevante (…) para os accionistas privados, é porque estes julgam que essa proximidade política será de alguma forma vantajosa para a empresa (seja pela capacidade de acesso a decisores públicos cruciais, pela agenda telefónica, pelo conhecimento adquirido em funções públicos, o que for). Ora, pensar que esta possível proximidade é um potencial critério de escolha (livre) dos accionistas faz pensar sobre as ligações das grandes empresas ao poder público, e sobre a capacidade do poder público poder libertar-se das “rendas económicas” que têm sido mantidas (…). A estreita ligação entre as grandes empresas produtoras de bens não transaccionáveis e o poder público é aliás uma das preocupações que tem estado expressa em várias análises da economia portuguesa, não é uma ideia original minha.

Resta agora ao Governo mostrar total independência a essa possível “influência” dos actuais escolhidos pelos accionistas privados. É aqui que se joga parte do valor da privatização da EDP para a economia portuguesa. Não será fácil, tem porém a vantagem de depender apenas da vontade do Governo mostrar-se independente dessas “influências”.

O escrutínio público não deve ser sobre as escolhas dos accionistas privados sobre quem deve ou não pertencer ao conselho de geral e de supervisão da EDP. Deve ser a partir de agora sobre as opções de política do Governo e sobre as decisões de regulação do sector. Será essa a verdadeira prova da independência das escolhas feitas pelos accionistas da EDP face ao poder político.

Sobre a privatização da EDP

Luís Rocha no Blasfémias

Independentemente da opção tomada, o governo estaria sempre em cheque. A populaça comentará sempre em tom acrimonioso, como tão bem exemplificava a história de “o velho, o rapaz e o burro”. Mesmo que o modelo de privatização fosse o da venda em mercado aberto e em leilão competitivo, como aqui defendi. Isso representaria a opção pelo capitalismo popular, coisa mais escabrosa, ficaria a empresa na mão de uns milhares de alienados pelo lucro fácil e que venderiam na primeira oportunidade a quem quer que fosse, descurando totalmente os centros de decisão nacionais. Que já os perdemos há bastante tempo, mas é sempre uma tirada bonita, a puxar ao sentimento. 

Sinal dos tempos

We noted that the sovereign does not guarantee the debt of EDP so the utility debt is not at risk of subordination from EU/IMF facilities (particularly important post-2013, bearing in mind EFSF/ESM proposals)

Wiich we note in part for its irony, too. EDP is better off without a guarantee from a western sovereign. So much for risk-free rates and the sovereign ‘ceiling’ on creditworthiness. A sad relic of bond markets, nowadays