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Sobre o modelo educativo estatizado

Dois posts de Ramiro Marques no ProfBlog:“A mentira da Educação” e “Quatro verdades simples sobre a mentira da educação”

Chegámos a uma situação em que é de mau tom afirmar aquilo que todos conhecem: há crianças muito inteligentes, outras que o são medianamente e outras ainda que são muito lentas a aprender. E há crianças que se esforçam muito, outras que se esforçam pouco. E há algumas que adoram aprender e outras que se cansam facilmente.

E, por fim, há crianças que adoram a escola e outras que a detestam.

A falácia da escolaridade obrigatória e de uma via única para todos é aceite de forma inquestionável. O resultado está à vista: os gastos com a Educação não cessam de subir e os resultados não passam da mediocridade.

Todos nós sabemos isso mas fingimos que não é verdade. E vamos repetindo até à exaustão o contrário. Fazê-mo-lo em todo o lado: nos relatórios que elaboramos, nos planos que desenhamos, nos trabalhos que redigimos.”

A “habilidade” de Maria de Lurdes Rodrigues

“Tudo se Paga” de David Levy

Maria de Lurdes Rodrigues teve sempre a habilidade de ter com ela os dirigentes das escolas. (…) Esta habilidade consistiu num chorudo suplemento remuneratório atribuído aos directores e que fez com que muitos se comportassem como autênticos comissários políticos da ministra da Educação dentro das escolas.

Eles conseguem dizer estas coisas sem se desmancharem (2)

“O deputado socialista Fernando Medina considerou hoje de “enorme gravidade” as recentes decisões do Governo relativamente ao programa ‘Novas Oportunidades’, realçando que a “qualificação” é o investimento mais importante para que Portugal volte a crescer economicamente.”

comentário de Fernando Medina assenta em dois equívocos que o desqualificam fatalmente. Em primeiro lugar o fecho dos centros do NO a que se refere deve-se a motivos administrativos e não políticos.  Como esclarece o Público, ao não cumprimento do contrato estabelecido com os centros (cujos critérios foram definidos pelo governo socialista) ou à solicitação dos próprios promotores. Em segundo lugar, confundir o NO com algum tipo de qualificação profissional e esperar que isso seja motor do crescimento económico só pode ser qualificado como demência ou piada de mau gosto.

De resto, aguardo pela decisão política (que já tarde) de encerrar definitivamente aquela fraude organizada pelo governo PS a que se convencionou chamar “Novas Oportunidades”.

ADENDA:  No Tempo do Valter Lemos é Que Foi Subir no Desenvolvimento de David Levy

Modelos a seguir para ataques “ad hominem” (2)

Visivelmente incomodado com dois posts no Insurgente que comentavam favoravelmente as declarações de Pedro Passos Coelho sobre a evolução do mercado de trabalho para os professores, Paulo Guinote prefere lançar suspeições sobre os seus autores não as concretizando  e excusando-se a comentar os argumentos apresentados. Diz que se tratam de “jovens dependentes da presença do PSD e CDS no Governo para beneficiar de visibilidade e presença“, “tertulianos que vivem dos apelidos familiares, numa dinastia académica ou empresarial“, “biutiful pipal da naite lisboeta“.

Perante uma resposta do Miguel Botelho Moniz, o PG é forçado apresentar alguns números para tentar negar que dada a evolução demográfica existiu uma diminuição da população escolar (e logo, a oferta de emprego para professores também diminuiu). Para sustentar a sua tese somente apresenta dados para 3 anos lectivos e que mostram um “misterioso” aumento da população escolar no anos de 2008/09. Jura não ter a ver com as Novas Oportunidades/RVCC.

O problema é que a análise de séries mais longas sobre a população escolar no Pordata corroboram a acentuada diminuição da população escolar desde o pico verificado nos anos 90. Aliás, a desagregação dos alunos do ensino secundário fornecida pelo Pordata demonstra inequivocamente que o “salto quântico” verificado em 2009 é grandemente explicado pelo NO/RVCC.

 Um comentário deixado no blog do PG fornece dados do Ministério da Educação (os mesmos que ele usou) de 1961 a 2010. Nele se verifica igualmente a forte redução no número de alunos. Noutro comentário, o mesmo autor demonstra que os dados PG incluem alunos dos programas NO/RVCC. Incapaz de contestar os números, PG responde com um comentário vago.

Para encerrar (?) este episódio, usando dados do ME, o Carlos Guimarães Pinto demonstra a redução dos alunos nos diversos graus de ensino num gráfico que permite adivinhar a tendência futura das séries. Noutro gráfico mostra que o número de professores no activo não seguiu a tendência verificada na população escolar. Conclui-se o óbvio. Há excesso de professores e o desemprego entre estes não irá certamente diminuir.

Num comentário.  ao post, PG não se dá por vencido mas afirma que não irá prosseguir a discussão por temer um processo judicial (nunca ninguém o ameaçou com tal) Diz que até podia “linkar declarações de PPC e PP sobre tudo isto” como se declarações políticas pudessem de alguma forma desmentir os dados estatísticos. E para terminar em beleza volta a fazer insinuações sobre as ligações partidárias e (incofessados) objectivos políticos-profissionais dos autores. 

Modelos a seguir para ataques “ad hominem” (1)

No Jornal de Negócios, Camilo Lourenço comentou o absurdo do sistema de avaliação que atribuiu um “Bom” a Mário Nogueira apesar desta não exercer há vários anos qualquer actividade docente. Na réplica, excusando-se a comentar a questão da avaliação dos docentes, Mário Nogueira limita-se a acusar Camilo Lourenço de ser fascista e a tecer outras considerações sobre a sua pessoa.

O insucesso escolar é a principal causa do insucesso escolar

 

“No Luxemburgo também têm esse problema” de David Levy

A socialista Ana Maria Bettencourt, que preside a um viveiro de eduqueses chamado Conselho Nacional de Educação, divulgou hoje mais um estudo sobre o estado do sistema educativo. Como todos os estudos feitos por socialistas também este concluiu que o problema está nos professores e nas escolas que não têm uma atitude adequada perante o insucesso escolar dos alunos, recorrendo excessivamente aos chumbos. Tal recurso causa a desmotivação e o abandono dos mais desfavorecidos. Ou dito de outra maneira: as crianças chegam à escola cheias de vontade de aprender e de ter sucesso, mas os malvados dos professores não deixam. Este é o resumo do pensamento socialista para a educação: a culpa é sempre dos professores e nunca, jamais e em tempo algum é do laxismo dos pais ou do desinteresse absoluto dos alunos.

A mentalidade socialista em acção

 

Consta que ontem Pedro Passos Coelho terá aconselhado os professores a emigrarem. Não foi bem assim. Não existe nenhum apelo directo à emigração e a leitura integral da notícia conta uma história muito diferente. Pedro Passos Coelho limitou-se a dizer que não haverá lugar para todos (espanto!!) e que quem não quiser trabalhar noutras áreas (para evitar o desemprego, entenda-se) poderá pensar em procurar colocação nos países lusófonos onde terá algumas vantagens comparativas e onde existe procura para a sua especialização.

Como escreve o Carlos Fernandes, muitas reacções parecem vir de crianças mimadas que fazem birra quando não lhes é satisfeito o capricho e que, talvez por direito divino, lhe é devido um emprego.

Não se espero grande grandes rasgos de honestidade de certas pessoas mas confesso que esperava que outros lessem a notícia toda. Como escreve o Francisco Teixeira, “O que deveria dizer o primeiro-ministro? Deveria vender ilusões?“. Deveria dizer que todos tem emprego garantido? Acrescento, eu. Não adianta culpar o governo pelas consequências da evolução demográfica e ao contrário do que pensam os socialistas nem tudo se resolve por decreto-lei.

Eles conseguem dizer estas coisas sem se desmancharem

No seguimento deste “estratégico” protesto temos esta “esforçada” fantasia de Ferro Rodrigues.

“[N]a generalidade, [ao anterior governo] estavam a correr bem, (…) o esforço feito em matéria de escola pública, de formação profissional e de certificação”

Este tipo só me desilude

Leiam o Alexandre Homem Cristo a propósito de uma inusitada proposta do eurodeputado Paulo Rangel.

Os barricados do “eduquês”

Na última edição do Eixo do Mal, Daniel Oliveira afirma que “Nuno Crato é um taliban“. Sugerem-me que talvez seja por usar barba. Já o ilustre deputado Saldanha Galamba classifica-o como um “neoconservador“. Pensava eu que estes fossem ferozes inimigos dos primeiros. Afinal…

Parece que o que os aterroriza é a (anunciada) chegada ao Ministério da Educação de um critico do “eduquês” . Ainda por cima defende a “excelência no ensino”, o deputado Saldanha Galamba disse-o com o terror estampado na face. Supostamente, no ensino, a excelência opor-se-á à “democratização”. Imagino que o zénite deste processo terá sido atingido com o programa Novas Oportunidades.