Tag Archives: Educação

Infelizmente pouco “anti-SD”

“P anti-SD” de João Cardoso Rosa (Díário Económico)

Em Portugal já existe plena liberdade de escolha na educação e na saúde. A liberdade de escolha, recorde-se, consiste na ausência de obstáculos externos àquilo que queremos fazer. Em Portugal, ninguém é impedido de recorrer à esfera privada nestes domínios. Portanto, existe liberdade de escolha. Questão diferente – e sem dúvida importante – é a do financiamento dessa liberdade e é nisso que o PSD está a pensar. Ou seja, pretende-se que a escolha de privados seja financiada com recursos públicos e esteja sujeita aos mecanismos de mercado.

O artigo do Professor Carsoso Rosas reproduz duas falácias extremamente graves. Especialmente graves dado que o tenho por uma pessoa inteligente e informada. Até nem vou referir a ultra-regulação que o estado exerce nos domínios da saúde e educação que espartilham a oferta nestes sectores e impedem logo ex-ante a possibilidade de se falar numa verdadeira liberdade de escolha. Só podemos escolher dentro dos estritos parâmetros impostos pelo estado. Mas, adiante. As falácias a que me refiro são as seguintes. Em primeiro lugar as medidas do PSD não são assim tão liberalizados como o Professor Cardoso Rosas as apresenta. Infelizmente, digo eu. Em segundo lugar, a questão do financiamente é apresentada duma forma errada. Os chamados “recursos públicos” não são gerados ex-nihilo numa máquina de fazer dinheiro num qualquer departamente governamental. São subtraídos via impostos e taxas aos contruibuintes e tão somente redistruibuidos pelo estado. Somos obrigados a financiar os serviços públicos quer os utilizemos ou não. Se pretendermos, em vez dos serviços públicos, optar por um serviço similar privados somos obrigados a incorrer numa duplicação de custos. Desta forma só aqueles com mais posses terão verdadeiramente a liberdade de escolha. O bondoso estado social é extremamente perverso.

No último parágrafo o Professor Cardoso Rosas diz que um menor estado social cria uma “sociedade mais egoísta, espartilhada, violenta também“. Nem comento. Ele que olhe para as estatisticas que medem o crime e a generosidade na Europa.

Sobre o estado da educação (e não só)

Um importante artigo no Wall Street Journal (“A Nation of Dropouts Shakes Europe“) faz um diagnóstico deprimente mas certeiro da destruição causadas pelo socialismo. (minha tradução e meus destaques)

1. É preciso aumentar ainda mais os impostos:
“O estado da educação em Portugal diz muito acerca da razão pela qual este irá, com grande probabilidade, necessitar de ajuda externa e porque a factura será alta e difícil. Portugal necessita crescer o suficiente para conseguir pagar a enorme dívida acumulada.”

2. É preciso evitar cortes na despesa pública a todo o custo:“Cortes rápidos e dolorosos, que já estão a ser impostos por todo o continente, são o primeiro passo.”

3. Aliás, foi o aumento da despesa que salvou o país da recessão
“A economia – tanto o sector privado como público – acumulou um défice externo superior a 130 mil milhões de euros durante a última década. O estado não tem um orçamento equilibrado, quanto mais um saldo positivo, há mais de 30 anos. (…) O peso da dívida pública, detida em parte por residentes, vai chegar esta ano aos 90% do PIB. A economia portuguesa, o que incluí tanto o sector público como privado, deve ao exterior um montante superior a dois anos de produção de riqueza.”

4. O neo-liberalismo irlandês era um “tigre de papel”
“A Irlanda, apesar da brutal crise bancária, continua entre as nações mais ricas da Europa.”

5. É preciso mais esquemas como as “novas oportunidades”
“Somente 28% da dos portugueses entre os 25 e os 64 anos terminou o ensino secundário. Na Alemanha são 95%, na República Checa 93% e nos EUA 89%.” 6. Aliás, a educação pública é um modelo e a educação privada é uma ameaça aos ideias de justiça e igualdade “O sistema [público de educação] está calcificado. A administração central exerce um controlo apertado. Os currículos são simultanêamente pouco exigentes e rígidos. As taxas de abandono são elevadas. (…) O Externato de Penafirme, tal outras 90 escolas com “contractos de associação” onde o estado paga uma taxa de gestão a uma entidade privada, segue as linhas gerais do currículo oficial mas selecciona os seus professores. (…) Os resultados dos exames colocam Penafirme nos melhores 15% de todos o país. É a melhor em Torres Vedras (…) Para a actual ministra, Isabel Alçada, direccionar os escassos recursos públicos para entidades privadas como Penafirme enquanto as escolas públicas sofrem de graves carências, “não é justo“.

A “paixão pela educação”, a propósito da revolução tunisina

“Uma Arte” de Fernando Gabriel (Diário Económico)

Governar, garantem os sábios, é uma arte, como tudo o resto. Os governantes que se imaginam mandatados para “apostar” o dinheiro que não lhes pertence nas suas obsessões particulares fariam bem em não esquecer que apostar é sujeitar-se aos caprichos da fortuna: nem todos terão a sorte de um exílio dourado, como o autocrata tunisino.

Acerca do financiamento estatal ao ensino privado

Acerca dos cortes no financiamento estatal ao ensino privado recomendo a leitura dos posts da Bárbara Wong e do Alexandre Homem Cristo.

Fugir ao “eduquês”

Sem grande surpresa, as escolas privadas continuam a dominar os lugares cimeiros dos rankings do ensino secundário. O que surpreende é que, apesar da crise, tantas familias prefiram incorrer numa duplicação de custos para poder proporcionar um melhor ensino aos filhos. Até quando nos continuará a ser negada a liberdade de escolha na educação?

All must have prizes ou as consequências do “eduquês”

Comunicação de Katharine Birbalsingh, Executive Headteacher na St Michael and All Angels Academy na conferência dos Conservadore em 05 de Outubro.

Nota1: Pelos vistos há quem não goste ser confrontado com a realidade. Esta comunicação tem-lhe causado bastantes problemas com superiores hierárquicos. Podem seguir o desenvolvimento da polémica no blog Arcebishop Cranmer (1, 2, 3, 4)

Nota2: “All must have prizes” é frase de “Alice in Wonderland” e é também o título de um livro da jornalista Melanie Phillps cuja leitura recomendo.

Novas teconologias e Educação

“Econometria da educação” de Nuno Crato (Expresso)

Recentemente, como já aqui referimos, um grupo de investigadores da Universidade Duke, na Carolina do Norte, analisou uma amostra gigantesca, de 150 mil estudantes, seguidos ao longo de cinco anos, concluindo que os jovens não melhoram os seus conhecimentos pelo simples uso de computador pessoal. Os rapazes têm mesmo algum retrocesso escolar, um retrocesso modesto, mas estatisticamente significativo.

Mais recentemente ainda, investigadores do Instituto Superior Técnico e da Universidade de Carnegie Mellon estudaram os resultados da introdução de banda larga nas escolas portuguesas. Analisaram mais de 900 escolas entre os anos 2005 e 2009 e registaram as classificações dos alunos no 9º ano de escolaridade. Construíram um modelo de “função de produção” com base nas “primeiras diferenças”, de onde extraíram as suas conclusões.(…)

O que os investigadores verificaram foi que as escolas em que mais tinha aumentado o uso da Internet foram aquelas em que os resultados escolares mais diminuíram. Notaram ainda uma tendência, embora menos evidente, para que os resultados tivessem piorado mais nas escolas em que o acesso à Internet foi, possivelmente, menos bem enquadrado.

Novas Oportunidades (edição russa)

No blog Da Rússia

Há três semanas, a cadeia de televisão NTV relatou que mais de 70 engenheiros a exercer actividade numa fábrica de aeronaves em Komsomolsk-no-Amur, na região de Khabarovsk, tinham obtido falsas licenciaturas em engenharia de uma universidade técnica local. Esta fábrica militar de alta segurança, pertencente ao grupo Sukhoi, detido pelo estado, realiza a montagem dos caças Su-27, Su-30 e Su-35, bem como do aguardado avião comercial Superjet 100. É claro que o comércio de diplomas falsos não é novidade nenhuma. No entanto, o número de funcionários envolvidos neste caso é desconcertante.

Os gestores da Sukhoi mostraram uma atitude desinteressada em relação ao escândalo e recusaram-se a despedir os funcionários, referindo-se a uma regra da empresa que indica que os mesmos só podem ser despedidos caso tenham cometido “crimes graves” (de acordo com o Código Criminal, a compra de um diploma falso está sujeita a uma sentença máxima de 80.000 rublos e dois anos de “trabalhos correccionais”). A mesma equipa de gestão explicou também que os diplomas constituíam uma mera formalidade, uma vez que os engenheiros eram funcionários da empresa há vários anos, tendo garantido que nenhum dos visados estava envolvido na produção de aeronaves.

Este é um caso clássico de negação da realidade. A Shukhoi fingiu ter “aumentado as qualificações dos trabalhadores”, transformando instantaneamente dezenas de empregados com curso secundário em engenheiros com graus universitários. Até terem sido apanhados, todos parecem ter ganho com o esquema. A fábrica reportou à sede da Sukhoi em Moscovo que cumpriu o plano relativamente ao número de engenheiros universitários no seu pessoal, os trabalhadores receberam um pequeno bónus pelo seu novo nível de competências e todos fingiram que estavam a fabricar aviões melhores.