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A festa da Democracia no Egipto (2)

Tal como aconteceu aquando da primeira volta, o resultados dos das recentes eleições egípcias foram em grande parte ignorados por cá. Apesar de alguns tentarem apresentar a Irmandade Mulçulmana como “moderada” o facto é que os partidos islamitas conseguiram 3/4 dos lugares da nova assembleia o que prenuncia um futuro nada risonho para a chamada “Primavera Árabe” em especial para os Cristãos Coptas cujas perseguições aumentaram nos últimos tempos.De registar igualmente a posição “moderada” da Irmandade Muçulmana acerca da existência de Israel e do tratado de paz

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A festa da democracia no Egipto

O resultado das eleições egípcias realizadas ontem não deixam margem para dúvidas. Em primeiro lugar ficou o braço político da Irmandade Muçulmana. Em segundo lugar os dos salafistas. Juntos, obtiveram 61% dos votos. A democracia egípcia promete.

Ilusões dos media ocidentais

The Middle East Policy Twilight Zone: Four Examples” de Barry Rubin

–“Here is the next challenge for the citizen movements that are advancing from Tunisia to Syria — and eventually, surely, to repressive non-Arab states such as Iran and China. Once they have toppled the secret police, the revolutionaries need to draft constitutions affirming the rights of the individual.” –David Ignatius, Washington Post

Yes, on the way to the Middle East utopia do stop off and adopt a Bill of Rights. It made such a nice adornment to the Soviet Constitution(…)

A Primavera da Irmandade Muçulmana

Mshari al-Zaydi, editor do Al-Sharq al-Awsat citado por Barry Rubin

“I recall how many Arab writers at the beginning of this year…prophesied that what we were witnessing were uprisings staged by non-political civilians and youth, and claimed that not a single radical or ideological slogan was chanted in Cairo’s Tahrir Square, or any other Arab public square.(…) “Now, these same well-intentioned writers – or at least many of them–have returned to warn against the Arab Spring being hijacked and despoiled. They have expressed their confusion about the presence and popularity of these radical Islamists who are overwhelming the political scene, and are asking: where did the Facebook youth go?(…)

“Rather than expressing shock and surprise, the question that should be asked is: how should we deal with this critical period which should be called the Muslim Brotherhood Spring, not the Arab Spring?”

The Western establishment pretends to be “pro-Arab” and “pro-Muslim” while subjecting these peoples to a terrible tyranny and decades of socio-economic stagnation and terrible bloodshed.

As I have repeatedly explained, understanding these issues is not based on being liberal or conservative, left or right, Jew or Muslim, American or Saudi. The struggle is between revolutionary Islamists who want to impose a repressive Sharia state and those Western useful idiots who help them against everyone else.  

Novas da revolução egípcia

Adivinhem que são as princípais vítimas no novo Egipto democrático? I told you so.

Entretanto, no Egipto

“Meet the anti-Israel demagogue who will likely be Egypt’s next president” no The New Republic

In 2001, Amr Moussa, the current Egyptian Secretary-General of the Arab League, briefly achieved pop-icon status. Serving at the time as Hosni Mubarak’s foreign minister, Moussa’s frequent anti-Israel pronouncements caught the attention of Egyptian pop singer Shaaban Abdel Rahim, who released a song with the line, “I hate Israel and I love Amr Moussa.” The song became a tremendous hit. Shortly thereafter, Mubarak, who had come to regard Moussa as a serious political rival, exiled him to the Arab League.

Ten years later, however, Moussa is back in the public eye. Despite having represented the combined interests of the Arab world’s 22 autocracies for the last decade, he is now the frontrunner to succeed Mubarak in what could be Egypt’s first-ever truly democratic presidential election. And Moussa owes his startling political ascendance primarily to one thing: his shameless exploitation of anti-Israel demagoguery for political gain.

Democracia e liberdade

“Entre a doçura e o fel das Democracias sem Liberdade” de Rodrigo Adão da Fonseca (O Insurgente)

O erro está em considerar que a opção pela democracia acarreta em si mesma valores finais, não funcionais. É que uma sociedade pode ser funcionalmente democrática, mas isso não significa que ela opte por adoptar os valores próprios de uma Democracia Liberal, ou de um Estado de Direito onde imperem a Separação de Poderes ou o Laicismo do Estado, condições essenciais para a afirmação de um ambiente de liberdade e de efectivo pluralismo.(…) A democracia pode vir a dar lugar a regimes teocráticos, incómodos para a Europa acomodada? É bem feito, pode ser que comecemos a perceber que foi um erro cair no relativismo, no politicamente correcto oco e burocrático, e na crença que, em sociedades abastadas como as europeias, não fazia sentido batalhar pelas ideias, e preservar e difundir a nossa matriz judaico-cristã. Quem diria, não é que a democracia não serve para nada, se nos esquecermos dos valores e das ideias?

Desmancha-prazeres

Barry Rubin

Those who don’t know history are doomed to repeat it. And those who don’t know history also smugly say things that have more holes than substance.Recently, someone responding to an article of mine said it’s a pity I couldn’t share the world’s joy at the uprising in Egypt. That’s precisely the way I feel. But someone has to point out certain problems

Egipto: instituições e democracia

“O Martelo Universal” de Fernando Gabriel (Diário Económico)

Por grosso, a coisa resume-se à regurgitação do credo revolucionário de Thomas Paine. (…) [O]s repetidores actuais dispensam-se de maçadas e declaram a democracia como o único sistema de governo, intrínseca e irrestritamente bom. Pouco lhes importa que na Inglaterra, onde Paine nasceu, a “universalização” da democracia foi o resultado de quase um século de reformas políticas graduais; ou que os EUA (…) tenham nascido como projecto republicano, só posterior e gradualmente democratizado. Não lhes ocorre, ou não lhes interessa, considerar as consequências potencialmente desastrosas da súbita introdução da “democracia” num país sem qualquer simulacro verosímil de Estado de Direito e em particular, sem um poder judicial independente e imparcial.(…)

Contrariar os desejos da turba, ou mostrar cepticismo quanto à prioridade da “democracia”, assegura imediatamente a condenação moral de “colaboracionismo” com a autocracia do senhor Mubarak, uma condenação sem recurso já aplicada às políticas externas dos países ocidentais. Rousseau e Paine também supunham que a política externa era uma “conspiração” de governos corruptos contra “os povos”, e, à semelhança de Trotsky, não lhe viam qualquer utilidade depois do “triunfo revolucionário”. As suas réplicas actuais desdobram-se em argumentos engenhosos para demonstrar a inocuidade prospectiva da Irmandade Islâmica e a desnecessidade de qualquer política externa: basta abençoar a democratização imediata do Egipto e o mundo árabe vai de si mesmo. (…) Emancipar o Egipto exige dotar o país de um Estado de Direito que faculte aos egípcios o acesso legal à propriedade, uma tarefa complexa que necessita do apoio de uma diplomacia ocidental cuidadosa e sofisticada. Insistir na democracia sem cuidar desta e de outras questões institucionais dará péssimo resultado; argumentar que a democracia encarregar-se-á de resolver os problemas, oscila entre a desonestidade e a ignorância, mas como dizia Mark Twain, quando só se tem um martelo, tudo se parece com um prego.

Sobre a destruição no Museu do Cairo

Ler Miguel Castelo-Branco (Combustões)

Foto retirada do Guardian