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Acerca da comemoração do 5 de Outubro de 1910

A 5 de Outubro de 1910 um punhado de revoltosos depôs o rei e instaurou um regime republicano que se revelou extremamente intolerante, autoritário, instável e tumultuoso. Acabou por matar ou exilar muitos daqueles que se lhe opunham e queriam um regime verdadeiramente democrático. Não admira que uma década e meia depois a ditadura militar tivesse sido recebida como alívio pela grande maioria da população e a memória traumáticas da Iª República tivessem facilitado a instauração e a longevidade da ditadura do Estado Novo.

 Sem renegar nada do que aqui escrevi, se me dessem a escolher entre o regime monárquico deposto e a república jacobina não hesitaria em escolher a primeira. Sinceramente, mesmo em republicanos convictos custa-me a entender a insistência a comemorar a implantação de tal regime. A verdade republica democrática e tolerante só foi fundada após a queda do Estado Novo e devia comemorar-se a 25 de Abril (não só a data do golpe mas também das primeiras eleições) ou a 25 de Novembro (quando finalmente foi afastado o espectro da ditadura comunista).

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“Poder do clítoris ou a cegueira do vamos a eles?” de Helena Ferro Gouveia

No dia 10 de Março um grupo de meia centena de estudantes universitárias invadiu a capela da Universidade Complutense de Madrid, onde se celebrava missa.

No altar as “activistas” desnudaram-se da cintura para cima e mostraram palavras de ordem escritas no corpo: “bissexual”, “puta”, “poder ao clitóris”. Cantaram cânticos blasfemos e traziam consigo imagens do Papa Bento XVI com uma cruz suástica.

A vulgaridade, o proselitismo anticlerical, que as “activistas” descreveram como “encenação poética”, foi registada em vídeo e disponibilizada na internet. Cheias de ódio à “intolerância católica” as “activistas” pintaram ainda na capela “vais morrer como em 1936” (uma referência à destruição das igrejas católicas durante a guerra civil espanhola). Trevas medievais embrulhadas na roupagem de 68?