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Lá se vão as teorias das conspiração “abrantinas”

Afinal de contas, parece que quem obrigou José Sócrates a encarar a realidade do país e a pedir ajuda externa foram Mário Soares e Teixeira dos Santos.

E eu proponho que a consilidação se faça pela descoberta de poços de petróleo

No Jornal de Negócios:

António José Seguro aproveitou a entrevista à RTP para criticar o caminho seguido pelo Governo para consolidar as contas públicas em Portugal. O Governo propõe a austeridade e “proponho outro caminho” que passa por “ter como prioridade o crescimento e o emprego”.

Realmente o caminho proposto pelo líder socialista parece bem mais simpático e faz lembrar a fantástica redução do défice feita pelo primeiro governo de José Sócrates. Aproveitou o aumento da receita fiscal e manteve a despesa a subir a bom ritmo. Quando lhe faltou a receita foi o descalabro. A situação que herdou já não era famosa mas ele conseguiu deixar-nos em pior estado. Bem pior. É pois, perfeitamente natural que Seguro “Não consig[a] visualizar mais medidas de austeridade”. Para os socialistas não há vida para além do défice.

O deputado Saldanha Galamba perdeu (mais) uma boa oportunidade para estar calado

No Público

O deputado socialista João Galamba disse que os números põem em causa as afirmações do Governo quanto ao desvio da despesa na primeira metade de 2011. “Em contabilidade nacional, não há qualquer desvio da despesa. O único desvio, diz o INE, é nas receitas não fiscais – a Madeira, o BPN, etc.”, disse o socialista, acusando o Governo de, no orçamento rectificativo para 2011, ter procedido a uma “sobreorçamentação” da despesa de forma a “culpar” o Executivo de José Sócrates do tão falado “desvio colossal” nas contas públicas.

Morais Sarmento reagiu, dizendo que, no final do primeiro semestre de 2011, o défice atingiu cerca de 70% do total estimado para o total do ano. “Não há memória de isto ter acontecido noutro ano. Não é uma questão de sazonalidade”, garantiu.

Perfeitamente natural

O bastonário da Ordem dos TOC afirma convicto que “hoje em dia, muitos portugueses já pensam ‘volta Sócrates, estás perdoado’“. Não adianta grandes argumentos para sustentar a sua posição mas mais à frente, no artigo, somos informados que o actual bastonário é um ex-deputado socialista. As saudades que sente explicam-se perfeitamente.

Les beaux esprits se rencontrent (2)

O Daniel Oliveira avaliza a sabedoria económica de José Sócrates. (e o tio Balsemão ainda lhe paga para escrever estas coisas…)

Os “abrantes” avalizam a sabedoria económica de Pedro Santana Lopes.  Começa a ser um hábito. Felizmente já não somos nós a pagar-lhe o ordenado. Espero.

 

O triste espetáculo de José Sócrates

Alberto Gonçalves sobre a doutrina sócratica quanto à gestão da dívida pública

[A]dmito que o episódio irritou-me um bocadinho, divertiu-me um bocadinho e envergonhou-me um bocadinho. Porém, o episódio sobretudo comoveu-me. De repente, pela primeira e espero que última vez na vida, dei por mim com pena do eng. Sócrates: o que foi aquilo, meu Deus? Uma coisa são as vastas limitações da criatura, outra é a candura com que a criatura as expõe, essa sim uma propensão infantil. Pobre homem, que não arranja uma alminha amiga para preveni-lo do ridículo que comete, que está rodeado de tontos ou sabujos prontos a alimentar os seus delírios, que vive enfim numa completa solidão. O preço do poder, ou dos privilégios amealhados no poder, não precisa de ser tão elevado. As benesses materiais e afins não podem servir unicamente para enxovalhar o usufrutuário, ainda que a falta de consciência do usufrutuário, tradicionalmente aliada aos excessos do respectivo ego, o ponham a jeito com regularidade.

Durante seis longos anos, assistimos ao espectáculo em cadeiras de orquestra. Hoje, o espectáculo prossegue em Paris. A rábula da entrada na Sciences Po da Sorbonne, segundo a imprensa rejeitada em duas ocasiões e conseguida à terceira mediante “cunha” diplomática, já constituiu um monumento de humilhação auto-infligida, a que os aplausos na conferência mencionada acrescentam agora, a título de clímax, a adequada dimensão irónica. A história da dívida “gerida” recebeu palmas porque os espectadores não percebiam português e porque o francês técnico do eng. Sócrates não chega para plateias, embora sobre para estudar numa das mais prestigiadas universidades do continente. Estudar, seja filosofia, economia, inglês ou engenharia, é a vocação dele. Aprender, inclusive a estar calado, não é. Típico de criança.

Duas pérolas

Em duas intervenções feitas esta semana, de António José Seguro e de José Sócrates resumem na perfeição o ideal socialistas de finanças públicas e explicam bem o estado a que chegámos.

Andaram muito ocupadinhos nos 3 últimos anos?

No Público

A Comissão Europeia acabou de abrir uma investigação “aprofundada” sobre a nacionalização do Banco Português de Negócios (BPN), em 2008, para averiguar se as ajudas públicas concedidas são compatíveis com as regras comunitárias da concorrência.(…) Três anos depois de ter sido efectuada, a operação do BPN nunca foi notificada à Comissão. Desde então, as respostas enviadas pelo anterior governo aos pedidos de informação que foram sendo enviados por Bruxelas chegaram sempre tarde e de forma incompleta. “Apesar de sucessivos pedidos, a Comissão não dispõe na presente fase de todas as informações de que necessita para adoptar uma decisão relativa ao eventual auxílio”, frisa o comunicado

Era mais fácil despedir o ministro

Diário Económico

“Nós chegámos perto da bancarrota com uma política orçamental em 2008, 2009 e 2010 que foi suicidária e anti-nacional”, acusa o economista [Luís Campos e Cunha] que esteve cinco meses no primeiro Governo de José Sócrates, citado pela Renascença. (…)

“Em Junho de 2005 eu chamei à atenção que se não controlássemos a dívida pública e o défice público teríamos ‘spreads’ a subir, mais tarde ou mais cedo, e que isso teria consequências para o financiamento da economia e para o financiamento das famílias”, argumenta o antigo ministro.

“Nessa altura estava preocupado porque no final de 2005 a previsão era de chegarmos a 67% de endividamento público. Neste momento estamos a mais de 100%”, sublinha.

Eternamente grato ao amigo Pinto Monteiro

Cova da Beira vai a julgamento, mas investigação ficou a meio Não foi só o papel de Sócrates que ficou por esclarecer. A segunda fase do projecto foi marcada pelo favorecimento de um dos arguidos.