Tag Archives: José Sócrates

E agora, Saldanha?

Perante as declarações da troika. O ilustre deputado e ardente patriota Saldanha Galamba tenta aqui defender a honra de José Sócrates mas o resultado é pior que uma música do Zé Cabra.

PS: Pois é, Adolfo. Acho até que ele levou prepositadamente o país à bancarrota só para ensinar uma lição a esses tipos.

E agora, José?

Jornal de Negócios

a) Não era necessário ter pedido ajuda mais cedo. A crise foi despoletada pelo “chumbo” do PEC IV

O representante da Comissão Europeia disse que se Portugal tivesse pedido ajuda mais cedo, a cura de austeridade poderia ter sido mais leve.(…)A mesma tese foi defendida pelo seu colega do FMI. “O atraso complica sempre as coisas e torna-as mais dolorosas. O desemprego acabou por subir mais do que o necessário”, exemplificou Poul Thomsen.

b) O programa de ajustamento vai ser “levezinho”

Ambos, a par do representante do BCE, Ramus Rüffer, negaram ainda a mensagem que havia sido transmitida por José Sócrates de que este programa seja mais leve do que o exigido à Grécia ou à Irlanda.

c) O programa de ajustamento é igual ao PEC IV

Kröger precisou (…) que o PEC IV, chumbado pela oposição, foi um “bom ponto de partida, mas não era suficientemente abrangente”. “Tinha elementos muito positivos em termos orçamentais, mas não era suficientemente profundo em termos de reformas estruturais”, acrescentou.

A maquina de desinformação socialista novamente desmentida pela troika. Ainda não conseguiram infiltrar um “abrantes”.

Então?

Um responsável comunitário contrariou as declarações de Sócrates de que o programa de resgate a Portugal é menos severo do que os da Grécia e Irlanda. E sublinhou que acordo ainda não está finalizado.

Que parvo que fui

Vi ontem a comunicação do “engº” Pinto de Sousa e fiquei com a impressão que a famosa “troika” veio cá para dar um voto de louvo ao ao governo socialista.

PS: E quem era aquele figurante atrás dele?

Still crazy after all these years

Sócrates nega que PS tenha abandonado obras públicas

Os culpados do costume

Segundo a mitologia socrática a responsabilidade pela miserável estado do país é atribuida à crise internacional ou ao PSD. Consoante o que mais se adequa ao discurso do momento e sem que se preocupem demasiado com a consistência do argumentos. Só o seu governo socialista parece ficar eximido de qualquer responsabilidade. O Professor Álvaro Santos Pereira contribui (mais uma vez) para desmascarar a mentira do Primeiro-Ministro.

Aliás

Eu percebo (e partilho) muitas das críticas que são feitas ao PSD e a Pedro Passos Coelho. A sério. Mas por vezes tenho dúvidas (sérias dúvidas) se o objectivo princípal de alguns ilustres comentadores é a derrota desta ou do PS.

O “culto da carga”

Chama-se “culto da carga” à tentativa de sociedades tecnologicamente atrasadas adoptarem, de forma ritualista, os sinais exteriores de progresso das mais desenvolvidas. Ainda que não consigam discernir de forma correcta a relação de causalidade, esperam com isso obter as mesmas comodidades das últimas. O exemplo clássico ocorreu nas ilhas do Pacífico praticamente isoladas de contactos exteriores até à chegada de americanos e japoneses durante a IIª Guerra Mundial. Após a partida das forças ocupantes, os ilhéus tentaram garantir a continuação do maná que literalmente lhes caia do céu, trazido pelos aviões de abastecimento, construindo réplicas exactas dos aeródromos. Mas há outros. No livro “Mao’s Great Famine” de Frank Dikötter (aqui recordado por Bryan Caplan) explica-se o comunismo como um “culto da carga” massificado em que as consequências foram amplificadas pela planificação central. No Grande Salto em Frente Mao Zedong pretendeu transformar a China num dos maiores produtores de aço a nível mundial. Afinal, todos os países desenvolvidos o eram também. O resultado deste maciço desvio de recursos foi a fome generalizada e toneladas de aço de fraca qualidade e sem utilidade para a economia chinesa. No plano nacional penso que o “culto da carga” é a forma correcta de entender as “paixões”, “apostas” e “prioridades” dos governos socialistas que prometiam tornar-nos numa referência de desenvolvimento a nível mundial. O maciço desperdício de recursos em que toda a despesa era por artes mágicas transformada em “investimento” levou-nos à ruína. As supostas “tecnologias do futuro” só se tornaram rentáveis graças a generosos subsídios estatais. O sobre-investimento em infraesturas revelou-se incomportável para a economia nacional. Os nossos sumo-sacerdotes garantiam um futuro radioso se lhe obedecessemos cegamente. Dir-se-ia que, em vez disso, despertam a fúria dos deuses,

O terramoto “Sócrates”

Este post surge a partir de uma sugestão do Fernando Gabriel

Segundo o governo japonês, os custos relacionados com devastação causada pelo recente terramoto (e a reconstrução de infraestuturas e habitações) situar-se-ão entre 141 a 22o milhões de euros (1)(2). Para termos uma noção da dimensão é o dobro do custo do terramoto de Kobe e quatro vezes mais que o Katrina.

Durante os 6 anos de governação de José Sócrates o stock de dívida pública aumentou 58.795 milhões de euros (3). Quer isto dizer que a recente governação socialista custou ao país 1/3 a 1/4 da maior catástrofe natural dos últimos 100 anos ou seja ao nível do furacão que arrasou New Orleans. Corrigindo pelo PIB per capita, o impacto económico por habitante do “terramoto Sócrates” duplica, o que nos coloca ao nível de tragédia de Kobe (4). Importa ainda relevar que não estou a considerar o valor das obrigações já contratadas pelo governo para anos subsequentes (PPP, seg social) ou os passivos dos empresas ou institutos públicos que terão que ser obrigatoriamente cobertos pelo OE. Espero ter ajudado todos aqueles que pretendiam um termo de comparação à “obra feita” pelos governos de José Sócrates .

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(1) taxa de câmbio 1 Eur=1.4 USD; (2) O estado japonês planeia emitir divida para angariar os montantes necessários o que segunda equivalência ricardiana tem efeitos económicos semelhantes ao financiamento via impostos: (3) fonte: IGCP. Stock de dívida em Fev/2005: 92.767 MEuros; Stock de dívida em Jan/2011: 151.562 MEuros. Para simplificar os cálculos não usei deflatores. Dado que a inflação agregada 205-11 foi positiva o valor em euros constantes seria superior. (4) PIB pc Japão: 42.235 USD; PIB pc Portugal: 21.085 USD.

A vitória inútil de Sócrates

Depois de em 2005 ter queimado Mário Soares, nas presidências de 2010 José Sócrates acaba de vez com as ambições de vez Manuel Alegre, respectivo séquito e todos aqueles que sonham com aliança PS-Bloco. Desta forma, Sócrates reforça o domínio absoluto no PS. A derrota nas presidências é assim uma secreta e saborosa vitória. O problema é que isso só teria alguma utilidade se o PS e Sócrates ainda dominassem as sondagens. Algo que já não é verdade há algum tempo. O PS só lhe interessa enquanto meio de assalto ao poder. Como se comprova pela forma com tem dizimado sistematicamente a oposição interna com estes presentes envenenados. Não que isso me chateie. Antes pelo contrário.