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A vitória inútil de Sócrates

Depois de em 2005 ter queimado Mário Soares, nas presidências de 2010 José Sócrates acaba de vez com as ambições de vez Manuel Alegre, respectivo séquito e todos aqueles que sonham com aliança PS-Bloco. Desta forma, Sócrates reforça o domínio absoluto no PS. A derrota nas presidências é assim uma secreta e saborosa vitória. O problema é que isso só teria alguma utilidade se o PS e Sócrates ainda dominassem as sondagens. Algo que já não é verdade há algum tempo. O PS só lhe interessa enquanto meio de assalto ao poder. Como se comprova pela forma com tem dizimado sistematicamente a oposição interna com estes presentes envenenados. Não que isso me chateie. Antes pelo contrário.

Nacional-bolcheviques (2)

“O novo patriotismo da esquerda” de André Abrantes Amaral

O patriotismo que a esquerda está a adoptar não se funda no sentimento salutar de quem gosta do país onde nasceu como sendo a sua casa, o seu lugar. Surge, isso sim, como uma reacção ao que vem de fora, apelando aos instintos básicos, à paixão irracional e partindo do pressuposto de que ‘os outros’ nos estão a aldrabar. Pugna por uma independência nacional que visa o isolacionismo. Isolamento perante o investimento estrangeiro, como sinónimo de exploração, e aposta na produção nacional, boa ou má, como único meio de incentivar a produção e aumentar as exportações. Por isso, uma certa raiva contra a postura intransigente da Alemanha, a insensibilidade do FMI e da própria UE.(…)

A falência do Estado social vai-nos marcar bem mais do que podemos antever. É todo um modo de vida que vai ser alterado, obrigando-nos a acreditar mais uns nos outros, solidarizando-nos de modo mais genuíno e não automático, nem forçado. Algo que terá repercussões sociais e também políticas. Junte-se a isto as más escolhas que muitos farão de forma inesperada e desesperada e ainda vamos ver extremos opostos juntos e de mãos dadas a descer avenidas.

Um homem de convicções alheias

Excerto de “Os Dias Contados” de Alberto Gonçalves (Diário de Notícias)

Se perguntam a Manuel Alegre pelo Orçamento, ele responde que o grave é que Cavaco Silva não se pronuncie a respeito. Se perguntam a Manuel Alegre pelos juros da dívida pública, ele responde que o grave é que Cavaco Silva não tome uma posição. Se perguntam a Manuel Alegre pelas horas, ele responde que o grave é Cavaco Silva não usar relógio a pilhas. O grave, digo eu, é semelhante deserto opinativo ser candidato à presidência da República. É verdade que, numa rara aceitação dos seus limites, ele já avisou que um mandato basta para fazer o que quer. Acho que bastaria um dia.

Não contem comigo

Não contem comigo para reeleger Cavaco Silva (ok, eu sei que o meu apoio ou voto é irrevelevante mas ao menos alimento a fantasia que alguém se interessa pelo que escrevo). Esclareço que o que move contra ele não é a falta de veto à legalização do aborto ou do casamento homossexual mas a recordação desta bela trapalhada que ofereceu a eleição ao PS. E, de qualquer forma, não prevejo grandes dificuldades à sua reeleição. As aparições públicas do candidato mini-Chavez valem a Cavaco mais votos que umas boas centenas de outdoors.