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A máquina cavaquista

“Corre veneno puro nos fontanários de Belém” de Ana Sá Lopes (i)

Back to Verão de 2009: uma “fonte de Belém” resmungou ao “Público” um conjunto de desabafos que favoreciam a ideia de que o Presidente suspeitava estar a ser vítima de “vigilância” por parte do governo Sócrates. (…) Para se vingar de uns socialistas (José Junqueiro e Vitalino Canas) que criticaram a participação de elementos do gabinete presidencial na preparação do programa do PSD, a poderosa “agência de comunicação” de Belém lançou veneno puro na campanha eleitoral que se aproximava.(…)

O folhetim teve qualquer coisa de novela latino-americana. Nos primeiros dias a presidência não desmentiu – deixou pousar. No fim da campanha eleitoral, Cavaco Silva fez uma comunicação ao país em que, obviamente, se vitimizou. Foi um momento patético que deixou feridas dentro de vários sociais-democratas muito próximos de Belém. Afinal Cavaco tinha acabado por contribuir para a destruição total da campanha de Manuela Ferreira Leite, sua íntima amiga e líder do PSD na altura dos trágicos acontecimentos.

Errar continuadamente no alvo

Excerto de “Os Dias Contados” de Alberto Gonçalves (Diário de Notícias)

Manuela Ferreira Leite padece de dois problemas. Um é a falta de clareza naquilo que diz. O outro é a falta de noção de ridículo dos que interpretam o que diz. É pena. Sobretudo porque as opiniões da senhora, embora nem sempre emitidas no português mais linear, representam uma reserva de lucidez quase inexistente num meio em que a dissimulação é estado de espírito.

No tempo em que liderava a oposição, a dra. Ferreira Leite fartou-se de avisar para o buraco em que o país acabou por cair. Apesar de a realidade lhe ter dado razão, o que a memória guarda dos avisos é a histeria subsequente a cada um, devidamente truncado e reduzido ao grotesco. Hoje, quando a dra. Ferreira Leite não lidera coisa nenhuma, continua a ser das poucas pessoas a notar a tendência do actual Governo para reduzir o défice à custa do contribuinte e não à custa do Estado. Escusado dizer, a tendência passa incólume, mas as limitações orais da dra. Ferreira Leite e os inevitáveis gritinhos de repulsa, não.

O mais recente “equívoco” aconteceu num debate televisivo, no qual a dra. Ferreira Leite quis dizer que o SNS só poderia manter-se gratuito para alguns se outros o pagassem, disse que, caso contrário, os insuficientes renais arriscariam perder a hemodiálise subsidiada e foi citada como tendo dito que os velhinhos doentes deviam morrer e pronto.

Seguiu-se o habitual concurso para apurar quem insulta a dra. Ferreira Leite com maior violência, prova que invariavelmente termina com a satisfação de todos os participantes. No fundo, trata-se do popular “bater no ceguinho”, excepto que, no caso, a senhora costuma estar certa e cegos são os que preferem a patranha, ainda que perigosa, à respectiva denúncia, ainda que confusa.