Tag Archives: mitos históricos

Sobre o salário mínimo

O liberal responde

Confesso que achei a resposta do Miguel Madeira a este post extremamente curiosa. Dá a entender que o “liberais” (pelos vistos somos um colectivo) apoiaram cortes na despesa pública mas não se preocuparam com o salvamento dos bancos. (infelizmente não fornece exemplos e eu também não me recordo de nenhum). É pena que se limite a citar este post do André (em que ele se limita a defender a política orçamental irlandesa) e não tenha lido o post imediatamente anterior. Aliás, não faço ideia onde é que terei escrito que a Irlanda estaria a salvo de qualquer tipo de crise. Quanto ao resto, se não entende o problema da dívida na crise irlandesa só o posso aconselhar a reler este artigo na integra. Se se tratasse de outro blogger eu até poderia admitir alguma dificuldade na interpretação do texto.

Hollywood Hates Capitalism

Mais uma trapalhada do Luís Rainha

Se pretende escrever soobre temas economicos e não quer fazer figuras tristes convém que se perceba alguma coisa do assunto em causa.

Bloco de direita

Paulo Portas parece partilhar com a extrema-esquerda os mitos do “dumping social” e “comércio justo” o que politicamente o coloca ao nível de José Bové.

O líder do CDS-PP, Paulo Portas, defendeu hoje, no Porto, que a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) devia fiscalizar os produtos asiáticos que concorrem de forma desleal com os portugueses, nomeadamente na área têxtil.(…) “Entram em Portugal produtos asiáticos que concorrem, não lealmente, com produtos portugueses, nomeadamente nos têxteis. Porque é que a fiscalização económica não os fiscaliza? Porque é que a ASAE se preocupou mais com restaurantes e a maçar as pessoas do que a fazer efectivamente fiscalização económica? Se a concorrência é desleal tem de ser fiscalizada”, disse o dirigente centrista.

As origens da crise subprime

Da resposta de Raghuram Rajan (U.Chicago) a Paul Krugman a propósito da recensão deste ao livro Fault Lines: How Hidden Fractures Still Threaten the World Economy” de Rajan.

It is true that the European Central Bank was less aggressive, but only slightly so; It brought its key refinancing rate down to only 2 percent while the Fed brought the Fed Funds rate down to 1 percent. Clearly, both rates were low by historical standards. More important, what Krugman does not point out is that different Euro area economies had differing inflation rates, so the real monetary policy rate was substantially different across the Euro area despite a common nominal policy rate. Countries that had strongly negative real policy rates – Ireland and Spain are primary exhibits – had a housing boom and bust, while countries like Germany with low inflation, and therefore higher real policy rates, did not. Indeed, a working paper by two ECB economists, Angela Maddaloni and José-Luis Peydró, indicates that the ultra-low rates by both the ECB and the Fed at this time had a strong causal effect in relaxing banks’ commercial, mortgage, and retail lending standards over this period.

Muy raro

Espanta-me a unanimidade dos comentadores em torno dos novos rácios de capital exigiveis às entidades bancárias. Ou ainda não compreenderam bem as implicações das medidas ou então a fé nos poderes curativos do multiplicador keynesiano não tem tantos devotos como supunha. (felizmente)

A herança de Ludwig Erhard

“The German Miracle: Another Look” de Lawrence White (WSJ)

Earlier this summer George Soros and some leading Keynesian economists criticized what they regarded as Germany’s overly strict fiscal discipline. Yet Germany’s real output expanded at a robust 9% annual rate in the second quarter, while the U.S. economy grew at an anemic 1.6% rate. So is Germany now a role model for how to recover?

In a June op-ed, German Finance Minister Wolfgang Schäuble justified his government’s decision to cut spending, citing “aversion to deficits and inflationary fears, which have their roots in German history in the past century.” He was presumably making a reference to the destructive hyperinflation of the 1920s.

Yet Mr. Schäuble might have cited another relevant episode from his nation’s history. Sixty-two years ago Germany became a role model for recovery from a very different crisis.

Continuem a a ler aqui.

Sessenta anos muitos pretendem repetir os mesmos erros. Não aprendemos nada.

A Guerra “Humanitária” – uma perspectiva histórica

Comentário de um leitor a este post d’O Insurgente

A “guerra humanitária” antecede Wilson e a idade moderna. Kant refere-se jocosamente a Grócio, Samuel Pufendorf e a outros teóricos da guerra “por boas razões”. Aliás, os proponentes das intervenções humanitárias recorrem frequentemente a Grócio (que fez a apologia da guerra contra os Portugueses em nome da picaresca abstracção do direito ao comércio internacional). Alberico Gentili defendeu a justeza da guerra travada contra aqueles que violassem “a lei comum da humanidade” uns séculos antes de Bonaparte ou Wilson. E os Utópicos de More, embora detestassem a guerra, achavam por bem travá-la em nome dos grandes princípios – “out of good nature or in compassion, assist an oppressed nation in shaking off the yoke of tyranny”.

Por exemplo, as guerras feitas pelos países europeus no processo de colonização eram frequentemente justificadas em nome da libertação dos selvagens dos abusos cometidos pelos tiranetes locais. Tal como, mais tarde, as acções militares conduzidas pelo Império Britânico contra o tráfico de escravos.

E antes disso tudo, Inocêncio VI teorizou sobre o direito e o dever que tinha de decretar a guerra aos príncipes muçulmanos que não respeitassem os “direitos naturais” (entenda-se que definidos por ele, o príncipe da Cristandade) dos seus súbditos (se os neoconservadores são discípulos de Wilson e este de Napoleão, então o córsico terá feito a aprendizagem com este).

A tecnologia e a demografia tornaram as guerras da idade moderna mais mortíferas. Há mais pessoas e mais e melhores meios para as liquidar rapidamente. Mas a dicotomia enunciada é falsa; tal como a tese sugerida de que a barbárie da guerra se acentuou com o advento dos estados constitucionais modernos. Quem julga encontrar esse tipo de correlações está a ceder à tentação de encontrar ordem no caos.

A Guerra dos Trinta Anos – feita em nome de grandes ideais religiosos – exterminou 1/4 da população alemã e regiões inteiras foram varridas do mapa. A guerra da revolta de Taiping – feita em nome de grandes ideais políticos, do progresso social (similar às guerras napoleónicas) – matou 30 milhões de pessoas. Já as invasões mongóis foram eminentemente territoriais e nem por isso deixaram de matar 60 milhões de pessoas, uma percentagem não negligenciável da população mundial da altura. A guerra Atenas-Melos foi feita por causa de uns tributos fiscais mas isso não impediu que os Atenienses conduzissem e concretizassem uma guerra de extermínio. Não se ficaram pela mudança de regime, a cidade-estado de Melos deixou de existir (bem como os seus cidadãos enquanto tal). E David conduziu uma bem-sucedida guerra de extermínio contra os Amalequitas, uma “nação iníqua”. Vai, pois, agora e fere a Amaleque, e o destrói totalmente com tudo o que tiver; não o poupes, porém matarás homens e mulheres, meninos e crianças de peito, bois e ovelhas, camelos e jumentos. Quem pensa que a guerra total é um fenómeno democrático leu muito pouco. Nem sequer a Bíblia.

Mitomania

O mito da desindustrialização da América por Don Boudreaux