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Eles conseguem dizer estas coisas sem se desmancharem (2)

“O deputado socialista Fernando Medina considerou hoje de “enorme gravidade” as recentes decisões do Governo relativamente ao programa ‘Novas Oportunidades’, realçando que a “qualificação” é o investimento mais importante para que Portugal volte a crescer economicamente.”

comentário de Fernando Medina assenta em dois equívocos que o desqualificam fatalmente. Em primeiro lugar o fecho dos centros do NO a que se refere deve-se a motivos administrativos e não políticos.  Como esclarece o Público, ao não cumprimento do contrato estabelecido com os centros (cujos critérios foram definidos pelo governo socialista) ou à solicitação dos próprios promotores. Em segundo lugar, confundir o NO com algum tipo de qualificação profissional e esperar que isso seja motor do crescimento económico só pode ser qualificado como demência ou piada de mau gosto.

De resto, aguardo pela decisão política (que já tarde) de encerrar definitivamente aquela fraude organizada pelo governo PS a que se convencionou chamar “Novas Oportunidades”.

ADENDA:  No Tempo do Valter Lemos é Que Foi Subir no Desenvolvimento de David Levy

Modelos a seguir para ataques “ad hominem” (2)

Visivelmente incomodado com dois posts no Insurgente que comentavam favoravelmente as declarações de Pedro Passos Coelho sobre a evolução do mercado de trabalho para os professores, Paulo Guinote prefere lançar suspeições sobre os seus autores não as concretizando  e excusando-se a comentar os argumentos apresentados. Diz que se tratam de “jovens dependentes da presença do PSD e CDS no Governo para beneficiar de visibilidade e presença“, “tertulianos que vivem dos apelidos familiares, numa dinastia académica ou empresarial“, “biutiful pipal da naite lisboeta“.

Perante uma resposta do Miguel Botelho Moniz, o PG é forçado apresentar alguns números para tentar negar que dada a evolução demográfica existiu uma diminuição da população escolar (e logo, a oferta de emprego para professores também diminuiu). Para sustentar a sua tese somente apresenta dados para 3 anos lectivos e que mostram um “misterioso” aumento da população escolar no anos de 2008/09. Jura não ter a ver com as Novas Oportunidades/RVCC.

O problema é que a análise de séries mais longas sobre a população escolar no Pordata corroboram a acentuada diminuição da população escolar desde o pico verificado nos anos 90. Aliás, a desagregação dos alunos do ensino secundário fornecida pelo Pordata demonstra inequivocamente que o “salto quântico” verificado em 2009 é grandemente explicado pelo NO/RVCC.

 Um comentário deixado no blog do PG fornece dados do Ministério da Educação (os mesmos que ele usou) de 1961 a 2010. Nele se verifica igualmente a forte redução no número de alunos. Noutro comentário, o mesmo autor demonstra que os dados PG incluem alunos dos programas NO/RVCC. Incapaz de contestar os números, PG responde com um comentário vago.

Para encerrar (?) este episódio, usando dados do ME, o Carlos Guimarães Pinto demonstra a redução dos alunos nos diversos graus de ensino num gráfico que permite adivinhar a tendência futura das séries. Noutro gráfico mostra que o número de professores no activo não seguiu a tendência verificada na população escolar. Conclui-se o óbvio. Há excesso de professores e o desemprego entre estes não irá certamente diminuir.

Num comentário.  ao post, PG não se dá por vencido mas afirma que não irá prosseguir a discussão por temer um processo judicial (nunca ninguém o ameaçou com tal) Diz que até podia “linkar declarações de PPC e PP sobre tudo isto” como se declarações políticas pudessem de alguma forma desmentir os dados estatísticos. E para terminar em beleza volta a fazer insinuações sobre as ligações partidárias e (incofessados) objectivos políticos-profissionais dos autores. 

Eles conseguem dizer estas coisas sem se desmancharem

No seguimento deste “estratégico” protesto temos esta “esforçada” fantasia de Ferro Rodrigues.

“[N]a generalidade, [ao anterior governo] estavam a correr bem, (…) o esforço feito em matéria de escola pública, de formação profissional e de certificação”

A fraude do programa “Novas Oportunidades”

A “Oportunidade”, um testemunho n’A Educação do Meu Umbigo

5. Se existem adultos que não correspondem aos objectivos dos módulos, se não se esforçam nem apresentam trabalho, não podemos pensar numa “não validação”, porque, como me disseram recentemente numa reunião, “não é suposto haver não validações”. Se o formando ultrapassa o limite mínimo de faltas que podia dar, é convidado a assinar algumas horas, na tentativa de que se salve ou permaneça um tempo mais no curso, de modo a não prejudicar as entidades formativas, que são avaliadas em função do número de validações atribuídas e da quantidade de burocracia que fazem nascer. Invariavelmente, são os próprios formandos que acabam por desistir – uns porque percebem que não podem ficar ali sentados sem fazer nada; outros porque depressa detectam o calibre de alguns dos colegas de grupo e não estão para aturar delinquentes.

A feira do senhor primeiro-ministro

Excerto de “Os Dias Contados” de Alberto Gonçalves (Diário de Notícias)

Porque é que milhares de crianças insistem em perder anos no ensino tradicional para obter o que as Novas Oportunidades lhes dariam num instante? Porque é que não se saltam as Novas Oportunidades e se distribuem doutoramentos aos recém-nascidos? Porque é que a epopeia de modernidade e crescimento para que o senhor primeiro-ministro nos convocou termina invariavelmente em rábula cómica, na educação e no resto? Porque é que a realidade teima em contrariar a propaganda que vai na cabeça de D. Sócrates I e, se os céus tiverem misericórdia de nós, último?

Deve ser praga

Mais um dirigente nacional do PS com uma licenciatura tipo “Novas Oportunidades”.

O triunfo da fraude

Público

O Ministério da Educação (ME) não confirma nem desmente que o ensino recorrente vá acabar, mas informa que em 2005 o Governo “decidiu apostar” nos cursos de EFA e no Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências, no quadro da Iniciativa Novas Oportunidades. Actualmente, existem três opções de ensino para os adultos: o recorrente “que tem registado uma diminuição gradual desde 2005”, assinala a tutela; os EFA, “que, ao contrário, têm registado grande crescimento”, e o Novas Oportunidades, que tem sido cada vez mais procurado. “Na realidade, o recorrente tem vindo a ser substituído pelas duas outras modalidades”, adianta o ME, em comunicado.

O que me espanta é que ainda haja quem procure do ensine recorrente. Quem no seu perfeito juízo prefere, durante anos, assistir a aulas nocturnas e submeter-se a avaliações quando pode obter a equivalência ao 9º ou ao 12º ano em 6 meses bastando-lhe elaborar uma biografia?

Novas Oportunidades (edição russa)

No blog Da Rússia

Há três semanas, a cadeia de televisão NTV relatou que mais de 70 engenheiros a exercer actividade numa fábrica de aeronaves em Komsomolsk-no-Amur, na região de Khabarovsk, tinham obtido falsas licenciaturas em engenharia de uma universidade técnica local. Esta fábrica militar de alta segurança, pertencente ao grupo Sukhoi, detido pelo estado, realiza a montagem dos caças Su-27, Su-30 e Su-35, bem como do aguardado avião comercial Superjet 100. É claro que o comércio de diplomas falsos não é novidade nenhuma. No entanto, o número de funcionários envolvidos neste caso é desconcertante.

Os gestores da Sukhoi mostraram uma atitude desinteressada em relação ao escândalo e recusaram-se a despedir os funcionários, referindo-se a uma regra da empresa que indica que os mesmos só podem ser despedidos caso tenham cometido “crimes graves” (de acordo com o Código Criminal, a compra de um diploma falso está sujeita a uma sentença máxima de 80.000 rublos e dois anos de “trabalhos correccionais”). A mesma equipa de gestão explicou também que os diplomas constituíam uma mera formalidade, uma vez que os engenheiros eram funcionários da empresa há vários anos, tendo garantido que nenhum dos visados estava envolvido na produção de aeronaves.

Este é um caso clássico de negação da realidade. A Shukhoi fingiu ter “aumentado as qualificações dos trabalhadores”, transformando instantaneamente dezenas de empregados com curso secundário em engenheiros com graus universitários. Até terem sido apanhados, todos parecem ter ganho com o esquema. A fábrica reportou à sede da Sukhoi em Moscovo que cumpriu o plano relativamente ao número de engenheiros universitários no seu pessoal, os trabalhadores receberam um pequeno bónus pelo seu novo nível de competências e todos fingiram que estavam a fabricar aviões melhores.