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Famous last words

Não serão necessárias medidas adicionais de austeridade

This is getting rather silly

Não fico nada surpreendido quando deputado economicamente iletrado acha que os 2000 milhões de euros que serão usados para pagar dívidas constituem prova da existência de uma “almofada” no OE. Muito pior é quando um professor de história económica repete a mesma falácia.

Quem quiser mesmo perceber a questão leia o João Miranda.

Bravo!

Maioria quer subir tributação nos juros e dividendos para compensar a perda de poupança com os novos textos para o corte de subsídios

Nada como aumentar os impostos para resolver o problema de crescimento da despesa pública. Se ainda não bastasse fica mais uma vez provado o cariz liberal (com ou sem prefixo – há quem insista que é necessário) deste governo e da maioria que o sustenta. Muito diferentes dos socialistas que os precederam.

(via Maria João Marques)

Adenda: O Luís Rocha dá algumas sugestões de cortes na despesa que compensam esta manifestação de “sensibilidade social” do PSD e CDS

Equidades

Na o artigo que hoje assina no DE, o Prof João Cardoso Rosas queixa-se que a (suposta) falta de equidade na distribuição da austeridade leva à “destruição da sociedade”. Esquece-se de referir os efeitos da falta de equidade na distribuição dos encargos do “estado social” (ver gráficos infra). Ou talvez ache que há algumas inequidades melhores que outras. Quem andou durante todos estes anos a pagar o despesismo estatal não foram os funcionários públicos.

E por muito que já tenha sido explicado (e mesmo descontado o facto do Prof JCR ser economista) muitos recusam compreender que o é necessário reduzir a despesa pública e que as despesas com os funcionários públicos são uma importante parcela do OE. Uma alteração sustentada na despesas pública terá obrigatoriamente que incluir uma diminuição permanente neste rubrica. Seja reduzindo os vencimentos de forma permanente, seja reduzindo de forma sustentada o número de funcionários. Como ontem alertava Miguel Beleza os “Impostos actuais são entrave ao crescimento”. E para podermos reduzir os impostos é obrigatório proceder a uma redução ainda mais significativa da despesa pública e enfrentar os interesses corporativos que ameaçam com a extinção da espécie humana caso sejam privados do seu quinhão no OE.

Notas: Gráficos vergonhosamente roubados ao Miguel Botelho Moniz. E, já agora, verifiquem estes posts da sua autoria.

We try harder

No esforço de redução da despesa pública o governo PSD/CDS opta, em grande medida, pelo aumento de impostos. O PS acha que o governo abusou na redução da despesa e, portanto, propõe aumentar ainda mais os impostos.

Ufa, que alívio

Tavres Moreira (Quarta República)

São cada vez mais os comentadores nacionais, sempre bem informados, esclarecidos e opinando com bastante segurança, revelando que este tremor em que a zona Euro tem estado e continua mergulhada faz cada vez menos sentido, que deve ser resolvido rapidamente pois se trata de um problema essencialmente político.

Ainda ao abrigo dessa análise, a responsabilidade por esta situação não é apenas nem principalmente dos países mais incumpridores da disciplina financeira e económica, é fundamentalmente dos líderes europeus que se têm mostrado incapazes de encontrar fórmulas globais e adequadas, de carácter político obviamente, para colocar um ponto final nesta inaceitável crise.

A esta mesma luz, a Grécia e Portugal em especial (da Irlanda não é conveniente falar) são agora vistos como os “bons da fita”, as vítimas inocentes da incompetência dos líderes europeus, prontos para serem imolados no altar dos egoísmos de Bruxelas, sujeitos a um tratamento quase desumano e intolerável(…)

Pela minha parte, acrescentarei apenas “ufa, que alívio!”, pois estava até agora convencido (i) que teríamos que pagar as dívidas que durante anos a fio fomos acumulando de uma forma quase demencial, (ii) que teríamos de “apertar o cinto” para reduzir o insustentável desequilíbrio externo da economia, (iii) que precisávamos de corrigir seria e urgentemente o brutal excesso de despesa pública que nos obriga a pagar impostos cada vez mais elevados e na minha errada análise tem contribuído para asfixiar a economia, etc, etc.

Finalmente e felizmente vem aí uma solução política (global e adequada) que nos vai aliviar desta enorme pressão em que temos vivido, encontrando fórmulas mágicas de pagar as nossas dívidas, restaurar a competitividade perdida, aumentar as exportações e reduzir as importações sem termos de contrair a despesa e o consumo em especial…quiçà mesmo permitir retomar o programa de grandes obras públicas, para “dinamizar a economia”.

Só espero que comecem também rapidamente a reduzir as taxas dos impostos, pois não acredito que nessa bem-vinda solução política não haja lugar para impostos muito mais baixos do que aqueles que hoje temos de suportar…

Mais um seguidor da Alfama School of Economics

O governo descrimina negativamente os funcionários públicos e os reformados não porque essa fosse a via mais razoável para a austeridade, mas porque uma boa parte dos seus membros tem uma ideologia irracional contra o Estado, o funcionalismo público e as pessoas “inúteis”

Infelizmente, após esta “pérola” da análise económica o Prof João Cardoso Rosas (um conhecido especialista na matéria) não oferece a sua solução para reduzir as despesas pública. Imagino que seja “aumentar os impostos”. Ou talvez tenhamos mais um adepto da misteriosa “austeridade inteligente”.

Demagogias fáceis

José Pacheco Pereira e Cavaco Silva demonstram o seu descontentamento com o corte nos subsídios dos funcionários públicos [FP]. JPP acusa o o governo de imitar José Sócrates “lança[ndo] o odioso sobre os funcionários públicos” e optar por soluções fáceis. Cavaco Silva entende que existe violação da “equidade fiscal”. Alguns comentários.

Em primeiro lugar. O governo deveria ter simplesmente justificado os cortes com a necessidade de  equilibrar o orçamento e que para voltar  a colocar a despesa numa trajectória sustentável é imprescindível cortar na despesa pública. Ora as despesas de pessoal são despesa pública pura e constituem uma enorme proporção das despesas do OE. Há 3 alternativas, despedir FP, cortar nos salários da FP ou uma mistura das 2.
 
Em segundo lugar, Se como diz o JPP (e já ouvi outros) cortar na FP é assim tão fácil espanto-me como até agora nenhum governo teve *aqueles legumes ora verdes ora vermelhos que são usados nas saladas* para o fazer. Parece que ainda mais fácil seja dizer que é uma solução fácil.
 
Em terceiro lugar, Dizer que na FP existe “emprego garantido” só é falacioso na mente do JPP, extrema-esquerda e sindicatos. (não falo de contratados ou avençados da FP). Qual é a quota da FP no aumento do desemprego dos últimos meses? Se qualquer empresa privada tivesse as dívidas do estado português a solução seria encerrar dispensar todos os trabalhadores. Infelizmente não podem obrigar os clientes a pagar-lhe mais ou a aumentar as compras. JPP exibe os seus dotes de demagogo quando escreve “O argumento de que o seu emprego está garantido é também falacioso, principalmente quando na mesma frase se fala dos cortes salariais e da necessidade de despedimentos na função pública.”. Confunde (deliberadamente?) a intenção do governo com o status quo.
 
Por último. Já sabemos que para Cavaco Silva a alternativa é aumentar os impostos. (uma excelente forma de garantir a perpetuação do “monstro”) E o que propõe JPP com alternativa aos cortes na FP? Parece que há outras mas pertencem ao domínio da fantasia ou são ainda piores. Estamos conversados, portanto.

Por uma economia liberta das grilhetas do mercado (2)

(mais) Um grande título do Público: “Orçamento vai empurrar a economia para pior recessão desde 1975”

A malvada austeridade orçamental é a fonte de todas as nossas desgraças. Compare-se com o pujante crescimento proporcionado pelo crescimento da dívida pública em 104 mil milhões de euros nos últimos 10 ano. Onde é que está escrito que algum dia teriamos de pagar estes desvarios investimentos?

O Prof Rosas conseguiu animar o meu dia

Já Fernando Rosas foi mais longe nas críticas que fez. “É um orçamento de desastre económico. O funcionamento do Estado em sectores provavelmente vitais vai ficar inviabilizado