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Sobre a intervenção na Líbia

“Do Céu que os protege” de Fernando Gabriel (Diário Económico)

O bombardeamento da Líbia é um acto cínico, demonstrativo da vulnerabilidade das democracias à imoralidade do oportunismo -o “futuro” anunciado aos líbios pelo cometa ardente dos mísseis que do céu os “protegem”. A coisa não se explica nem por cupidez nem por estupidez. (…)

Obama e Sarkozy aparecem unidos num virtuoso proselitismo bombista, mas não é da liberdade dos líbios que se trata: é da consciência da necessidade. Com uma aguda consciência da sua necessidade eleitoral, agravada pelos resultados das eleições locais, Sarkozy saiu disparado das boxes. Seguiram-se os ingleses e Obama, que estava em dia de ocidentalismo. Chamar-lhes descendentes de Gladstone é apoucar o intelecto do estadista vitoriano: são apenas populistas, antecipando que as acrobacias pós-heróicas nos céus da Líbia serão recompensadas com votos, porque este tipo de operações satisfaz o desejo de santidade de um certo eleitorado, que confunde o discurso moral com a pieguice humanitária e a guerra com a paz.

Bem podem algumas vozes ajuizadas lembrar que ninguém no chamado “mundo árabe” agradecerá a operação; que as histórias disseminadas por fanáticos do islamismo servirão para motivar inúmeros terroristas; ou que tem de ser a hipócrita Liga Árabe a assumir o ónus financeiro e militar de garantir a ordem civil na Líbia. A beatice internacionalista dá votos e isso basta para legitimar o bombardeamento “democrático” da Líbia. A derradeira ironia resulta do contraste entre a intenção e a realidade da ONU. Sendo o resultado funcional de um movimento internacionalista nascido da rejeição do cálculo paroquial de “interesses”, que se supunha levar inevitavelmente ao conflito, a ONU tornou-se há muito numa plataforma de corrupção e de autorização desresponsabilizada de intervencionismos arbitrários e estranhamente selectivos. O mundo seria um lugar mais seguro sem ela e a sua perigosa ilusão de “governança mundial”.

ONU: os 10 melhores de 2010

Portugal, Canadá e o Conselho de Segurança

Peter Worthington acerca das razões que levaram à exclusão do Canadá do Conselho de Segurança da ONU

So why did Canada lose?

Surely, it makes no sense to put Germany and Portugal on the Security Council – making four European countries represented. Besides, Portugal is a near-economic basket case, threatened with bankruptcy.

The truth is, Canada’s vigorous, unqualified support for Israel under Harper, worked against us at the UN, which regularly condemns Israel for policies it ignores in other countries.

No accusation against Israel is too extreme not to get a hearing at the UN.

Also, Harper’s government has been critical of some African countries, and we have tried to tighten aid programs that have run amok. Although the Security Council vote was secret, member states traditionally lie about for whom they’ll vote. Clearly, there was some getting even at Canada for whatever reason.

Good. Let Portugal now provide aid and soldiers when needed by the UN.

(via Nuno Gouveia)