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Este também é um tipo esperto

Na mesma revista que o camarada Zizek também publica o conhecido Noam Chomsky. Não deixa os seus crédito por mãos alheias propor para George W Bush o mesmo fim que teve Osama Bin Laden. Não podia faltar a costumeira comparação aos crimes do regime nazi.

We might ask ourselves how we would be reacting if Iraqi commandos landed at George W. Bush’s compound, assassinated him, and dumped his body in the Atlantic. Uncontroversially, his crimes vastly exceed bin Laden’s, and he is not a “suspect” but uncontroversially the “decider” who gave the orders to commit the “supreme international crime differing only from other war crimes in that it contains within itself the accumulated evil of the whole” (quoting the Nuremberg Tribunal) for which Nazi criminals were hanged: the hundreds of thousands of deaths, millions of refugees, destruction of much of the country, the bitter sectarian conflict that has now spread to the rest of the region.

A resposta de Christopher Hitchens merece ser lida

Chomsky still enjoys some reputation both as a scholar and a public intellectual. And in the face of bombardments of official propaganda, he prides himself in a signature phrase on his stern insistence on “turning to the facts.” So is one to assume that he has pored through the completed findings of the 9/11 Commission? Viewed any of the videos in which the 9/11 hijackers are seen in the company of Bin Laden and Ayman al-Zawahiri? Read the transcripts of the trial of Zacarias Moussaoui, the so-called “20th hijacker”? Followed the journalistic investigations of Lawrence Wright, Peter Bergen, or John Burns, to name only some of the more salient? Acquainted himself with the proceedings of associated and ancillary investigations into the bombing of the USS Cole or indeed the first attempt to bring down the Twin Towers in the 1990s?

Ainda sobre a morte de Bin Laden

O materail apreedido na casa de Bin Laden parece comprovar a tese que as funções deste era bem mais que meramente simbólicas na estrutura da Al Qaeda. Torna ainda mais aberrante que em vez de o capturarem para interregatório tenham optado pela execução do líder terrorista.

Nuke Osama

No Washington Times

“My concern now is that we cannot exclude the possibility that officers in the Pakistani military and the intelligence service were helping to harbor or aware of the location of bin Laden,” said Olli Heinonen, who served as the deputy director general of the International Atomic Energy Agency (IAEA) from 2005 to 2010.

“What is to say they would not help al Qaeda or other terrorist groups to gain access to sensitive nuclear materials such as highly enriched uranium and plutonium?”

Obama e Osama (2)

Em complemente ao artigo do Diário Económico, duas notas adicionais de Fernando Gabriel

Dois aspectos importantes suscitados pelo discurso de Obama ficaram de fora do texto final da coluna. O primeiro refere-se a outra teoria amplamente difundida, segundo a qual a eliminação de bin Laden “não afecta” a organização da al Qaeda porque, presumivelmente, não passaria de uma “referência heróica” para os aderentes à causa do jihadismo. Suspeito que à medida que for possível conhecer parte da informação apreendida nas instalações onde se escondia, esta teoria será amplamente revista: as primeiras notícias sugerem que bin Laden mantinha a coordenação efectiva da al Qaeda.

O segundo refere-se à extraordinária frase proferida por Obama, ao anunciar a execução de bin Laden: justice has been served. Gostaria muito de saber qual teria sido o conteúdo dos jornais ocidentais no dia seguinte se o presidente dos EUA ainda fosse George W. Bush e, na sequência de uma invasão do território soberano de um país (formalmente) aliado, para levar a cabo uma execução sumária, Bush tivesse aparecido na televisão a proferir o mesmo discurso de Obama. O conceito de “justiça” implícito na declaração já o conhecemos: é o conceito de “justiça” prevalecente nos julgamentos revolucionários de Saint-Just e Robespierre, comum à maioria dos despotismos do séc. XX; uma sensação desconfortável agravada pela invocação de sondagens, indicando a “aprovação popular maioritária”, como se tal constituísse uma forma de justificação. Para que não restem dúvidas: gostaria que o terrorista tivesse sido capturado, interrogado, apresentado a um tribunal competente, provavelmente militar e norte-americano, julgado e condenado, eventualmente à pena capital, mas de acordo com a lei. A verificar-se a absoluta impraticabilidade da captura de bin Laden, algum dos certamente caríssimos assessores de Obama devia ter-lhe explicado as implicações de tal frase: pelos vistos, os anos que Obama empregou a estudar Direito em Columbia e Harvard somados aos anos em que ensinou Direito Constitucional na universidade de Chicago não foram suficientes para que o próprio fizesse uma reflexão mínima sobre o peculiar conceito de “justiça” que declarou ter sido “servida”.

Obama e Osama

“A cabeça de Holofernes” de Fernando Gabriel (Diário Económico)

Obama declarou o mundo “um lugar mais seguro”. Obviamente não está e a conclusão não depende de conjecturas sobre presumíveis “retaliações”: é a intervenção militar sancionada por Obama no norte de África que está a tornar o mundo mais perigoso, ao terraplanar os destroços dos autoritarismos árabes, sem a mínima ponderação sobre os prováveis beneficiários do vácuo político. O chamado “levantamento árabe” devolve vastas extensões territoriais à condição de territórios tribais e na Líbia, tal como no Iémen, emerge uma das mais antigas e perigosas tradições do mundo islâmico: a combinação do espírito de revolta tribal com um sentimento de revivalismo religioso. As consequências da destruição na última década do remanescente do equilíbrio governativo nos territórios tribais recebido pelo Paquistão do Raj britânico é uma antevisão do Iémen e da Líbia da próxima década: durante algum tempo, as tribos rivais liquidar-se-ão mutuamente, até aparecer uma figura de autoridade religiosa -ironicamente, o termo árabe designador da virtude de sabedoria religiosa é baraka- que denunciará a impiedade dos tempos, unificará os beligerantes sob uma causa puritana e indicar-lhe-á a casa do inimigo a destruir.

Dead

Sinceramente, não compreendo o incómodo causado pela celebrações públicas da morte do líder da Al Qaeda. Eu sei que o acto tem será simbólico que outra coisa mas, precisamente, é um marco na luta contra o terrorismo islamita. Procurar algum equivalente moral entre estas a celébrações públicas da barbárie terrorista do 11 de Setembro (eu recordo-me de algumas) parece-me sintoma de um grave desarranjo na cadeia de valores.