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FMI desmente o deputado Saldanha Galamba

O homem forte do Fundo Monetário Internacional [Poul Thomsen ] diz que o programa de ajuda a Portugal é diferente do PEC 4 porque vai mais longe em quase todos os aspectos. É mais abrangente e obriga a mais reformas estruturais

E agora, José?

Jornal de Negócios

a) Não era necessário ter pedido ajuda mais cedo. A crise foi despoletada pelo “chumbo” do PEC IV

O representante da Comissão Europeia disse que se Portugal tivesse pedido ajuda mais cedo, a cura de austeridade poderia ter sido mais leve.(…)A mesma tese foi defendida pelo seu colega do FMI. “O atraso complica sempre as coisas e torna-as mais dolorosas. O desemprego acabou por subir mais do que o necessário”, exemplificou Poul Thomsen.

b) O programa de ajustamento vai ser “levezinho”

Ambos, a par do representante do BCE, Ramus Rüffer, negaram ainda a mensagem que havia sido transmitida por José Sócrates de que este programa seja mais leve do que o exigido à Grécia ou à Irlanda.

c) O programa de ajustamento é igual ao PEC IV

Kröger precisou (…) que o PEC IV, chumbado pela oposição, foi um “bom ponto de partida, mas não era suficientemente abrangente”. “Tinha elementos muito positivos em termos orçamentais, mas não era suficientemente profundo em termos de reformas estruturais”, acrescentou.

A maquina de desinformação socialista novamente desmentida pela troika. Ainda não conseguiram infiltrar um “abrantes”.

Chega de desculpas

O ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, acusou hoje os partidos da oposição, em particular o PSD, de “enganarem” os portugueses quando transmitem a ideia de que Portugal pode resolver os seus problemas sem medidas de austeridade adicionais.

1. Não me parece que o PSD não defenda a necessidade de medidas adicionais. Alias, até já as defende há muito mais tempo que o PS. Recordo que na legislativas de 2009 enquanto Sócrates prometia aumentar a despesa (supostamente para “estimular a economia”), Manuela Ferreira Leite defendia a urgência na contenção dos gastos públicos. É visível o resultado da “escolha” em aumentar o défice e o efeito destrutivo nas contas públicas e na credibilidade externa.

2. Se o Ministro Teixeira dos Santos defende a necessidade de “medidas adicionais” podia começar por informar os portugueses o que falhou na implementação das anteriores. Desde o OE2010 que o PSD tem cedido à “chantagem da estabilidade”. Ainda assim o governo tem falhado todos os objectivos a que se propôs e continuamos insolventes. Não é ao PSD que tem cabido a execução dos programas, logo, se existe alguma culpa que lhe seja imputável é o de ter “aparado” todas as golpadas e incompetências do governo.

3. Chega de medidas a “conta-gotas”. Precisamos de um governo que olhe para a situação de forma realista e se preocupe mais com a sua resolução do que mascarar as estatísticas e negar a realidade. Urge reconhecer que nos estamos a financiar a taxas incomportáveis, que estamos insolventes e que a consolidação orçamental deve ser feita reduzindo de forma estrutural e significativa a despesa pública.

JÁ BASTA!

O mistério dos PECs

No Massa Monetária, Pedro Romano faz as contas aos impactos anunciados dos vários PEC e conclui que há algo de errado com as contas do governo (meus destaques):

Um dos pontos mais curiosos do PEC 4 é o facto de fazer tábua rasa de tudo o que foi apresentado até aqui. Partindo de um défice de 4,6%, o Governo acrescenta medidas no valor de 2,5 e 1,2 pontos percentuais de PIB em 2012 e 2013, de forma a chegar ao fim do ciclo com um buraco orçamental de 2%. Ou seja, o PEC 4 faz um “reboot” do sistema e põe o contador a zeros. (…) [C]om o PEC 3 – o que serviu de base ao OE para este ano – e se o PEC se tivesse concretizado na totalidade, teríamos já um défice abaixo dos 3% do PIB em 2011. E chegaríamos a 2013 com um desequilíbrio de apenas 0,9% do PIB.(…) Com as medidas do PEC 4, e considerando todas as anteriores, o saldo orçamental passaria a positivo já em 2012.

O somatório dos impactos é o gráfico de baixo. Dá-se de barato que, sem quaisquer medidas, o défice manter-se-ia nos 9,3% atingidos em 2009. Mesmo assim o somatório dos três PEC atirava o saldo orçamental de 2013 para um excedente perto de 3% do PIB.

Há várias explicações para este resultado absurdo:
1) O cenário macroeconómico é pior do que o Governo esperava.(…)
2) Algumas das medidas são duplicadas. (…)
3) O impacto das medidas foi sobreestimado. (…)
4) Algumas das medidas não foram, ou não vão ser, implementadas.