Tag Archives: Portugal

Jornalismo de causas

 
Estive aqui, sem grande sucesso, a tentar lembrar-me que medidas poderia o actual governo ter tomado em 6 meses que justificassem o título do post de Rui Peres Jorge. Para piorar ainda me lembrei que a variável do desemprego historicamente e no mesmo sentido às variações do PIB com um desfasamento de 6 a 9 meses e que o memorando da troika ainda foi assinado durante o mandato do governo PS.

Diz que é uma economia de mercado (2)

Mesmo que cumpram todos os requisitos legais (o que por cá já não é nada pouco) as empresas não podem despedir acima da quota estipulada. O cúmulo do absurdo é atingido quando a lei impõe quotas inclusivamente para rescisões por mútuo acordo. Para ultrapassarem a quota fixada as empresas têm de rogar permissão aos governantes. Ainda que se encontrem à beira da falência devido a uma drástica redução da actividade.. È com arbitrariedades deste tipo que se destrói a capacidade produtiva, se atrasa a recuperação económica e se promove a deslocalização. E se oferece um mar de oportunidade para políticos menos escrupulosos ou meramente com ambições de liderança empresarial engordarem a conta bancária.

Avisos urgentes

Os avisos do Banco de Portugal sintetizados pelo Massa Monetária.

a) A implementação das reformas no mercado de trabalho afigura-se crucial para dinamizar a criação de emprego. 

b) Uma reestruturação eficiente do sector empresarial passa por melhorar a afectação dos trabalhadores aos postos de trabalho e aumentar a flexibilidade interna e externa das empresas, de forma a assegurar a criação de emprego.  

c) A existência de barreiras à entrada é extensível ao mercado do produto, pelo que a redução dos custos de contexto da actividade empresarial é fundamental para a captação de novos projectos de investimento directo estrangeiro com progresso tecnológico incorporado, que permitam aumentar no curto e médio prazos a produtividade do sector de bens transaccionáveis. 

d) A reforma do sistema judicial desempenha um papel crucial para a melhoria do funcionamento dos mercados na economia portuguesa.

e) Estas reformas devem ser acompanhadas por um quadro fiscal adequado, com vista a promover o investimento produtivo quer ao nível do capital humano, quer do capital físico.

Et tu Krugman?

Jornal de Negócios

«Paul Krugman comenta hoje no seu blogue o mais recente trabalho sobre as razões que explicam a acentuada deterioração do endividamento público nos países europeus de Gianluca Cafis (…)

“As projecções sugerem que alguns países europeus estavam numa trajectória orçamental insustentável muito antes da crise financeira de 2008-09, caso da Grécia, Portugal e Reino Unido; ao invés, outros estavam numa trajectória sólida, caso de Espanha, Irlanda e Itália”.

O economista norte-americano corrobora as conclusões do estudo que sugere que, nem num cenário mais benigno, Portugal e Grécia poderiam regressar à dinâmica de endividamento que tinham antes da crise, porque ela era, já de si, insustentável: no prazo de dez anos, em 2021, a dívida estaria, em ambos os casos, acima ou perto do equivalente a 150% do PIB.

Krugman admite, deste modo, que Portugal e Grécia poderiam não ter alternativa a uma política de austeridade – que ele tanto tem criticado.»

Aguardo os comentários do clube de fãs de Paul Krugman.

Convém perceber minimamente dos assuntos

Segundo o Secretário de Estado do Emprego, o salário mínimo em Portugal não é realmente baixo.(…) [D]evia antes ter afirmado que os salários portugueses que são baixos não são só os que comem pela tabela mínima. Ou seja, há muita muita gente que ganha pouco, mesmo ganhando mais do que o salário mínimo.Como se resolve uma tão magna questão? Talvez baixando o salário mínimo, para os outros não serem tão “altos”… será?!

A ignorância económica tem destas coisas. O autor do post supra não se apercebe que acaba por dar razão ao secretário de estado. Em Portugal, o SMN é especialmente pernicioso porque se aproxima demasiado do salário médio. As consequência estão à vista e são indesmentíveis. O autor parece pensar enfermar da ilusão que estas questões se resolvem por decreto.

Se a falência for uma medida de sucesso…

Ministro das Finanças diz que Estado social “é um sucesso”

Acerca do “downgrade” da Fitch

Camilo Lourenço

Há duas formas de olhar para o corte no rating. Uma é dizer que a política que estamos a seguir está errada (como sugeriu Pedro Marques). A outra é lembrar ao deputado que a decisão da Fitch, e o facto de os nossos juros não acompanharem a descida dos juros irlandeses (seis pontos percentuais desde 21 de Julho), pode ter outra leitura: Portugal não foi suficientemente longe no corte de despesa.

Irlanda vs Portugal, Espanha vs Itália

“The Irish Lesson, or: it’s Competitiveness, Stupid!” de Henry Kaspar (Kantoos Economics)

[L]ook at two economies deep in the throes of financial turbulence: Ireland and Portugal. Both have public debt ratios of about 100 percent of GDP. Both have tightened the fiscal stance significantly since the crisis’ onset – Ireland by 7, Portugal by 5 percent, according to IMF data. And yet markets perceive these countries differently.(…)

Why? (…) Because Ireland’s economy has adjusted – and this at a breathtaking pace. Between Q3 2009 and Q4 2010 (…) its unit labor cost in the manufacturing sector fell by almost 5 percent compared to the rest of the euro area, granting the Irish economy a large competitiveness boost. As a result, Ireland’s economy is already growing, driven by exports, and its current account has shifted into surplus. It also seems its banks are now fixed (although this has come with a high price tag). All this has made investors come gradually around to the view that Ireland may be able to grow out of its debt.(…)

Another example: Italy and Spain. Italy’s CDS spread has more than doubled since mid-year, while Spain’s is (roughly) unchanged. Why? For once, Spain has made (modest) progress in improving competitiveness, while Italy has moved in the wrong direction. But arguably more important is that Italy’s government refused very publicly to take any growth enhancing measures, triggering a negative reassessment of Italy’s growth prospects, and therefore its solvency. There is no doubt in my mind that Italy’s risk spread surge is a solvency event, not a liquidity event (otherwise, why hasn’t Spain’s spread surged? Why not Ireland’s?).

In a nutshell: at its core, the euro area crisis is about economies’ ability to adjust within a currency union, or put differently: about the member countries’ capacity to behave in a euro-compatible manner. Economies that do adjust, like Ireland or – to a lesser degree – Spain (or in the early 2000s Germany), stand a fair chance to convince investors that they are good places to put their money. Economies that don’t, however, will struggle to regain or maintain market access – and this independent of how large any rescue pot would be.

Portugal, Espanha e o Euro

Recomendo a leitura da entrevista do André Azevedo Alves ao webzine espanhol Libre Mercado

P: Por último, ¿ve probable que Portugal abandone la Unión Monetaria? ¿Sería deseable?

R: Por el momento todas las opciones están encima de la mesa. Si la situación no empieza a mejorar rápidamente, particularmente en términos de consolidación presupuestaria, es bastante posible que el abandono del euro se convierta en una realidad. Abandonar el euro facilitaría al Gobierno la solución de sus problemas mediante una devaluación de la moneda. Sin embargo, además de conducir casi seguramente al impago de la deuda portuguesa nominada en euros, esto también implicaría un coste brutal para la población y la situación social en el país se deterioraría.

A nivel europeo, tener mayor competencia monetaria (que no necesariamente significa abandonar el euro) y menos centralización de las políticas sería preferible. Pero en el contexto actual, creo que el deseo de pertenecer a la Eurozona continúa teniendo algunas influencias positivas importantes en términos de la decisión sobree políticas económicas para países como Portugal o España. Esto es, por supuesto, una apuesta muy arriesgada en el contexto de una moneda única, dado que asume que el BCE será capaz de mantener una política monetaria relativamente sólida, a pesar de todas las presiones políticas para no hacerlo. Para Portugal, el escenario de permanecer en la Unión Monetaria está lejos de ser brillante, pero las consecuencias de abandonarla pueden ser incluso mucho peores.

Assim não vale!

Se não existir uma crise global quem é o governo vai culpar pela nossa recessão? (bolas, até os espanhois…)