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Mistério…

Portugal deverá ter arrancado o ano já em recessão, ainda antes de terem chegado ao terreno as medidas de austeridade impostas pelo resgate financeiro do país.(…) A agência Bloomberg divulgou a previsão média de todos os analistas que ouviu, apontando para uma contracção de 0,3%. A verificar-se um número negativo, fica confirmada a recessão técnica – isto é, a ocorrência de dois trimestres seguidos com a economia a andar para trás.

Se não foi das medidas negociadas com a “troika” ao menos deve-se poder imputar a recessão ao chumbo do PEC IV pela oposição. Não. Esperem lá… Isso também foi depois. Há ainda outro mistério que urge desvendar. Como é que a execução da receita estava a correr tão bem num clima de recessão.

Isto seria um grande favor que nos faziam

E ainda dizem mal deles. Os finlandeses podem revelar ser afinal os nossos maiores benfeitores:

Finland may insist Portugal’s rescue include terms that force investors to share losses as lawmakers in the northernmost euro member try to find a common stance on bailouts before next week’s gathering of European finance heads.(…)

While [finance minister Jyrki] Katainen, whose pro-Europe National Coalition is Finland’s largest party, would be able to get majority lawmaker support for a Portuguese bailout without the True Finns, he can’t do so without the backing of the Social Democrats. The party yesterday said it wants burden sharing to be incorporated into bailouts and demands a bank tax be introduced to help fund future financial rescues.

Patético

O Zero Hedge sobre o vídeo do momento:

Portugal attempt to preempt popular hatred of being on the bailout wagon by releasing what can only be described as the most pathetic, see thru propaganda video conceivable

O Samuel Paiva Pires compila alguns erros grosseiros do vídeo.

Deve ter sido por causa do chumbo do PEC IV (2)

No Lex do Financial Times (minha tradução)

Portugal despediçóu a sua década na zona euro. A economia registou um pequeno aumento no crescimento antes da adesão, graças às reformas necessárias para assegurar que Lisboa se qualificava como membro. No entanto, entre 2001 e 2007 a economia cresceu apenas 1.1% ao ano, de acordo com a Capital Economics. Comparativamente a Irlanda cresceu 5% ao ano, e, apesar das (nossas) taxas de crescimento se compararem às da Alemanha e Itália para o mesmo periodo, a economia portuguesa permanece mais pobre e menos industrializada que as duas outras economias da zona euro.

Se querem saber como chegámos aqui

A confusão entre liberdade e socialismo é o grande o equívoco do 25 de Abril. Ainda agora as ideologias à disposição no boletim de voto nada mais são que gradações do mesmo socialismo. Descubram um partido que não pretenda ter descoberto a fórmula mágica para salvar o desastroso “estado social”.

O “culto da carga”

Chama-se “culto da carga” à tentativa de sociedades tecnologicamente atrasadas adoptarem, de forma ritualista, os sinais exteriores de progresso das mais desenvolvidas. Ainda que não consigam discernir de forma correcta a relação de causalidade, esperam com isso obter as mesmas comodidades das últimas. O exemplo clássico ocorreu nas ilhas do Pacífico praticamente isoladas de contactos exteriores até à chegada de americanos e japoneses durante a IIª Guerra Mundial. Após a partida das forças ocupantes, os ilhéus tentaram garantir a continuação do maná que literalmente lhes caia do céu, trazido pelos aviões de abastecimento, construindo réplicas exactas dos aeródromos. Mas há outros. No livro “Mao’s Great Famine” de Frank Dikötter (aqui recordado por Bryan Caplan) explica-se o comunismo como um “culto da carga” massificado em que as consequências foram amplificadas pela planificação central. No Grande Salto em Frente Mao Zedong pretendeu transformar a China num dos maiores produtores de aço a nível mundial. Afinal, todos os países desenvolvidos o eram também. O resultado deste maciço desvio de recursos foi a fome generalizada e toneladas de aço de fraca qualidade e sem utilidade para a economia chinesa. No plano nacional penso que o “culto da carga” é a forma correcta de entender as “paixões”, “apostas” e “prioridades” dos governos socialistas que prometiam tornar-nos numa referência de desenvolvimento a nível mundial. O maciço desperdício de recursos em que toda a despesa era por artes mágicas transformada em “investimento” levou-nos à ruína. As supostas “tecnologias do futuro” só se tornaram rentáveis graças a generosos subsídios estatais. O sobre-investimento em infraesturas revelou-se incomportável para a economia nacional. Os nossos sumo-sacerdotes garantiam um futuro radioso se lhe obedecessemos cegamente. Dir-se-ia que, em vez disso, despertam a fúria dos deuses,

Sinal dos tempos

We noted that the sovereign does not guarantee the debt of EDP so the utility debt is not at risk of subordination from EU/IMF facilities (particularly important post-2013, bearing in mind EFSF/ESM proposals)

Wiich we note in part for its irony, too. EDP is better off without a guarantee from a western sovereign. So much for risk-free rates and the sovereign ‘ceiling’ on creditworthiness. A sad relic of bond markets, nowadays

Discutir a crise, com racionalidade

“Vamos ser racionais?” (1, 2 e 3) de Vítor Bento (Sedes)

Nas conversas que por aí andam sobre a dívida portuguesa, os mercados, os especuladores e a possível “vinda do FMI”, há muita emoção, mas pouca razão. Tentemos analisar o que está em jogo (numa série de 3 posts)

Portugal, Canadá e o Conselho de Segurança

Peter Worthington acerca das razões que levaram à exclusão do Canadá do Conselho de Segurança da ONU

So why did Canada lose?

Surely, it makes no sense to put Germany and Portugal on the Security Council – making four European countries represented. Besides, Portugal is a near-economic basket case, threatened with bankruptcy.

The truth is, Canada’s vigorous, unqualified support for Israel under Harper, worked against us at the UN, which regularly condemns Israel for policies it ignores in other countries.

No accusation against Israel is too extreme not to get a hearing at the UN.

Also, Harper’s government has been critical of some African countries, and we have tried to tighten aid programs that have run amok. Although the Security Council vote was secret, member states traditionally lie about for whom they’ll vote. Clearly, there was some getting even at Canada for whatever reason.

Good. Let Portugal now provide aid and soldiers when needed by the UN.

(via Nuno Gouveia)

A crise portuguesa vista pelo WaPo

“Debt concerns hit Ireland, Portugal” no Washigton Post

Fears that Europe could see a Greek-like debt crisis unfold in Ireland or Portugal escalated Tuesday, with investors selling off bonds and analysts warning that both nations might be heading into critical periods that could trigger bids for bailouts.(…) Concern has been growing for weeks. But on Tuesday, investors punished Ireland in particular after a warning by Standard & Poor’s that it might further downgrade Irish bonds as the cost of that nation’s government bank rescue potentially reaches backbreaking levels. In Portugal, attempts to rein in runaway spending are falling far short of promises, prompting fear that it might need to follow Greece, which late last spring secured a $145 billion sovereign debt bailout from the IMF and the E.U.(…)