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Não há proteccionismos grátis

No seu blog, Vital Moreira dá conta do desagrado com um acordo que  retira alguns entraves à importação de produtos paquistaneses. Estará a queixar-se que, ao conceder condições preferenciais, este acordo viola os princípios de livre comércio? Longe disso. Queixa-se que irá prejudicar algumas industrias de “países menos ricos” da UE e que apenas irá beneficiar os “países ricos“.

Existem neste discurso duas enormes falácias e duas incongruências.  Em primeiro lugar,  o proteccionismo comunitários faz-se à custa dos consumidores que para além de verem artificialmente limitado a possibilidade de escolha são forçados a pagar mais caro pelos mesmos produtos. Em segundo lugar, nada nos garante que os principais beneficiados pelo acordo sejam os consumidores dos países mais ricos. Eu diria até que os efeitos ao nível do rendimento disponível serão maiores nos países mais pobres (não uso eufemismos) da UE.

É claro que ainda podemos falar do malefícios que os entraves ao comércio têm nos potenciais exportadores que se vêm assim privados de fontes de rendimento. Podem alegar tráfico de droga é sempre uma alternativa.  Depois, para aliviarem a consciência, os socialistas  defendem generosos programas de ajuda cuja maior fatias desaparece nos bolsos dos autocratas locais e nos meandros das ONG’s ao mesmo tempo que culpa o “capitalismo” e o “neoliberalismo” pelo infortúnio destes países.

No fundo, o que Vital Moreira defende é a manutenção de uma renda económica (cuja concessão critica noutros casos) à custa de terceiros. Os políticos adoram falar em “inovação”, “modernização” e “competitividade” e gastam rios de dinheiro em programas inúteis mas depois criam legislação que artificialmente prolonga a agonia de algumas industrias não competitivas e impede a efectiva reafectação dos recursos.

A Madeira é o seu Jardim

Alberto João Jardim deu instruções aos departamentos do governo regional da Madeira para dar “prioridade às empresas que actuam” no arquipélago.

Ilegalidades à parte, estou curioso para ver a reacção dos neo-proteccionistas a esta medida jardinista. Por muito que tentem negar, Alberto João Jardim tem implementado todas as políticas que eles defendem, criticado o liberalismo e resistido austeridade que eles dizem ser a origem de todo o mal. Continuo sem perceber a repulsa que lhes causa.

O regresso do capitalismo de estado

Numa altura em que muitos preferem ignorar as lições do passado a Economist publica um oportuno artigo: “The rise of state capitalism”

When the government favours one lot of companies, the others suffer. In 2009 China Mobile and another state giant, China National Petroleum Corporation, made profits of $33 billion—more than China’s 500 most profitable private companies combined. State giants soak up capital and talent that might have been used better by private companies. Studies show that state companies use capital less efficiently than private ones, and grow more slowly. In many countries the coddled state giants are pouring money into fancy towers at a time when entrepreneurs are struggling to raise capital.

Those costs are likely to rise. State companies are good at copying others, partly because they can use the government’s clout to get hold of their technology; but as they have to produce ideas of their own they will become less competitive. State-owned companies make a few big bets rather than lots of small ones; the world’s great centres of innovation are usually networks of small start-ups.

Nor does the model guarantee stability. State capitalism works well only when directed by a competent state. Many Asian countries have a strong mandarin culture; South Africa and Brazil do not. Coal India is hardly an advertisement for efficiency. And everywhere state capitalism favours well-connected insiders over innovative outsiders. In China highly educated princelings have taken the spoils. In Russia a clique of “bureaugarchs”, often former KGB officials, dominate both the Kremlin and business. Thus the model produces cronyism, inequality and eventually discontent—as the Mubaraks’ brand of state capitalism did in Egypt.

Coisas estranhissimas que se lêem nos blogs (2)

 Descobri agorinha mesmo que fui usado pelo André Azevedo Alves para responder indirectamente ao post do Luís Naves que não mencionava o André mas sim ao Filipe Faria que nem se dignou a responder-lhe e para lhe ter respondido da daquela forma (como o meu post, entenda-se – se conseguir) mas valia não ter respondido. (o André e não o Filipe, não façam confusões). Nesta história só acho mal não ter recebido um chequezito do Insurgente por andar a fazer o trabalhinho deles.

PS: Pensando bem ainda há pouco usei o João Miranda para responder indirectamente ao Luís Naves. Refira-se a propósito que o João Miranda não devia ter respondido directamente ao Luís Naves (não uma, não duas mas três vezes) dado que nunca foi referido em qualquer post. Pese embora o Luís Naves, a dada altura, me tenha mandado ir ler o Blasfémias dado que não entendia népia dos argumentos dele. Continuo na mesma.

PS2: No final do post, o Luís Naves queixa-se que a sua “assinatura tornou-se politicamente incorrecta aí há uns três anos“. infelizmente não revela se tal se deveu a qualquer alteração na dita ou a outro motivo mais ou menos obscuro.