Tag Archives: PSD

We try harder

No esforço de redução da despesa pública o governo PSD/CDS opta, em grande medida, pelo aumento de impostos. O PS acha que o governo abusou na redução da despesa e, portanto, propõe aumentar ainda mais os impostos.

O PSD e o liberalismo

Alberto Gonçalves

A esquerda chegou a um consenso: o actual PSD é o mais “neo-liberal” (sic) de sempre. Não me lembro se a esquerda achava o PSD de Manuela Ferreira Leite só um pedacinho “neo-liberal”, o PSD de Santana Lopes pouco “neo-liberal”, o PSD de Durão Barroso quase nada “neo-liberal”, o PSD de Cavaco Silva nada “neo-liberal” e o PSD de Sá Carneiro uma força socialista à maneira e digna do voto de todos os trabalhadores. Provavelmente, a esquerda também não se lembra do que então achava. Provavelmente, “neoliberal” é apenas um sinónimo moderno de “fascista”, que por sua vez definia todos os biltres que não estavam entusiasmados com a possibilidade de transformar Portugal numa Cuba europeia ou numa Albânia atlântica.”

Infelizmente pouco “anti-SD”

“P anti-SD” de João Cardoso Rosa (Díário Económico)

Em Portugal já existe plena liberdade de escolha na educação e na saúde. A liberdade de escolha, recorde-se, consiste na ausência de obstáculos externos àquilo que queremos fazer. Em Portugal, ninguém é impedido de recorrer à esfera privada nestes domínios. Portanto, existe liberdade de escolha. Questão diferente – e sem dúvida importante – é a do financiamento dessa liberdade e é nisso que o PSD está a pensar. Ou seja, pretende-se que a escolha de privados seja financiada com recursos públicos e esteja sujeita aos mecanismos de mercado.

O artigo do Professor Carsoso Rosas reproduz duas falácias extremamente graves. Especialmente graves dado que o tenho por uma pessoa inteligente e informada. Até nem vou referir a ultra-regulação que o estado exerce nos domínios da saúde e educação que espartilham a oferta nestes sectores e impedem logo ex-ante a possibilidade de se falar numa verdadeira liberdade de escolha. Só podemos escolher dentro dos estritos parâmetros impostos pelo estado. Mas, adiante. As falácias a que me refiro são as seguintes. Em primeiro lugar as medidas do PSD não são assim tão liberalizados como o Professor Cardoso Rosas as apresenta. Infelizmente, digo eu. Em segundo lugar, a questão do financiamente é apresentada duma forma errada. Os chamados “recursos públicos” não são gerados ex-nihilo numa máquina de fazer dinheiro num qualquer departamente governamental. São subtraídos via impostos e taxas aos contruibuintes e tão somente redistruibuidos pelo estado. Somos obrigados a financiar os serviços públicos quer os utilizemos ou não. Se pretendermos, em vez dos serviços públicos, optar por um serviço similar privados somos obrigados a incorrer numa duplicação de custos. Desta forma só aqueles com mais posses terão verdadeiramente a liberdade de escolha. O bondoso estado social é extremamente perverso.

No último parágrafo o Professor Cardoso Rosas diz que um menor estado social cria uma “sociedade mais egoísta, espartilhada, violenta também“. Nem comento. Ele que olhe para as estatisticas que medem o crime e a generosidade na Europa.

A trapalhada da Taxa Social Única

Pois é. Afinal de contas quem é que anda a enganar quem?

Quem me dera

O dirigente socialista [Augusto Santos Silva] mostra-se ainda muito crítico em relação às medidas do PSD para o sector do Estado. “O programa do PSD insiste numa agenda privatizadora e enfraquecimento do papel do Estado”

Não sei se AAS está a renegar o memorando de entendimento negociado com a “troika” que prevê um várias privatizações e uma contracção do estado social. O programa do PSD vai um bocadito mais longe nalgumas áreas mas não exageremos. Mas numa altura em que o PS procura captar votos na extrema-esquerda e entre os subsidio-dependentes fica sempre bem criar este tipo de fantasias.

Sondagens fresquinhas

Foi hoje divulgada uma sondagem da Universidade Católica com os seguintes resultados

PS: 36
PSD: 34
CDS: 10
PCP: 9
BE: 5

Outra da Eurosondagem parece confirmar as tendências da anterior:

PSD: 35.8
PS: 32.5
CDS: 11.1
PCP: 7.7
BE: 6.6

Alguns comentários:
1. Após o falhanço da governação socialistas é (para mim) espantoso que o PS continua a recolher 1/3 das intenções de voto e todas as sondagens indiquem um empate;
2. Esperemos que se tenha esgotado o “efeito Nobre” (que foi claramente uma aposta falhada -para não dizer desastrosa) e outros “tiros no pé” da direcção do PSD. Esperemos também que esta tenha aprendido alguma coisa com os seus erros. Isto partindo do princípio que os reconhece como tais;
3. Ajudaria também se alguns notáveis (como Pacheco Pereira ou António Capucho) decidissem se o seu principal objectivo é derrotar José Sócrates ou Pedro Passos Coelho;
4. O PSD parece ter recuperado o centro ao PS sem ter esvaziado o CDS;
5. O PS parece manter a votação roubando à BE os votos que perdeu para o PSD. Percebe-se bem a insitência de José Sócrates em colar o PPC ao “neoliberalismo” reservando para si o papel de “campeão do estado social”. Algo que muitas vezes não tem qualquer aderência à realidade;
6. Convém ter presente que existe aqui uma alteração sociologica e ideolígica de uma parte significativa do eleitorado socialista. Não sei como reagirão este novos eleitores a muitas das medidas que constam do acordo com a “troika”. Particularmente funcionários públicos.
7. Parece confirmar-se a tese que o eleitorado do BE é bem mais volátil que o do PCP. A verificar-se a tendência das songagens será uma estrondosa derrota para Louçã e sus muchachos que irão ver o grupo parlamentar reduzir-se considerávelmente.
8. Em anteriores eleições as sondagens subestimavam por regra a votação do CDS. Ou reconhecendo este erro procederam a uma alteração metodológica ou mantendo-se a tendência anterior poderá significar que este partido terá uma votação muito superior à das anteriores eleições.

ADENDA: O Pedro Magalhães divulga outra sondagem da Aximage que confirma a tendência das anteriores

PSD: 33.9
PS: 30.5
CDS: 12.1
PCP: 9.3
BE: 7.7

Não contribuiram com nada?

No ponto 3.32 (p13) do memorando, escreve-se que o governo irá aglutinar as administrações dos impostos, alfàndegas e serviços informáticos numa única entidade. Irá também estudar a possibilidade de lhe conferir relativas de captação de receitas da Segurança Social.

Independentemente do mérito da proposta, esta parece-me ir de encontro a uma proposta do PSD que foi prontamente recusada pelo PS

Mudança na continuidade

Passos diz que não será preciso cortar salários nem despedir

Ou ainda não se aperceberam da gravidade da situação ou estão a iludir os eleitores. Eu sei que a verdade rende poucos votos, mas…

Ainda sobre o “neoliberalismo” do PSD

Em complemento ao meu post, ler a opinião do Miguel Morgado. Felizmente não sou o único.

Vão bater a outra porta

“Isto não é um problema dos funcionários públicos, é um problema do País todo”. Pensionistas e trabalhadores do privado devem contribuir na mesma medida, defende Diogo Lucena, coordenador das propostas na área social do “Mais Sociedade”, o movimento de reflexão do PSD

Na mesma medida? Porquê? Podia ter comprado uma casa nova e maior, uma frota automóvel topo de gama, um lcd do tamanho da parede da sala e ter ido anualmente passar férias a destinos exóticos. Tinha extrema facilidade na obtenção de crédito para isto tudo. No entanto sempre tive cuidado em não gastar mais que aquilo que tinha e preferi a poupar para comprar aquilo que queria em vez de recorrer ao crédito. Porquê tenho eu de pagar pelos sobreendividados? O mesmo vale para o meu empregador que se tivesse o mesmo nível de endividamento que o estado português já estaria mais que falido. E em vez de meros cortes salariais o meu destino seria o desemprego.

Injustiça? Não brinquem comigo.

ADENDA: Em jeito de slogan.  Assim se vê o “neoliberalismo” do PSD.