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Solidariedade interesseira

Comunicado da Sociedade Portuguesa de rentistas Autores

O Conselho de Administração da SPA encara com a maior preocupação os números agora revelados que apontam para um aumento da ordem dos 60% a 70% dos estabelecimentos de restauração que encerraram as portas nos meses de Janeiro e Fevereiro de 2012, tendo este aumento como referência comparativa a situação de 2011. Este agravamento deve-se, sobretudo, ao aumento do IVA da restauração.

Estes números representam, além de um significativo agravamento das condições de vida da população portuguesa, uma inevitável redução das cobranças a efectuar na área da Execução Pública, sector vital para a estabilidade financeira da SPA e naturalmente para os autores.

Não há proteccionismos grátis

No seu blog, Vital Moreira dá conta do desagrado com um acordo que  retira alguns entraves à importação de produtos paquistaneses. Estará a queixar-se que, ao conceder condições preferenciais, este acordo viola os princípios de livre comércio? Longe disso. Queixa-se que irá prejudicar algumas industrias de “países menos ricos” da UE e que apenas irá beneficiar os “países ricos“.

Existem neste discurso duas enormes falácias e duas incongruências.  Em primeiro lugar,  o proteccionismo comunitários faz-se à custa dos consumidores que para além de verem artificialmente limitado a possibilidade de escolha são forçados a pagar mais caro pelos mesmos produtos. Em segundo lugar, nada nos garante que os principais beneficiados pelo acordo sejam os consumidores dos países mais ricos. Eu diria até que os efeitos ao nível do rendimento disponível serão maiores nos países mais pobres (não uso eufemismos) da UE.

É claro que ainda podemos falar do malefícios que os entraves ao comércio têm nos potenciais exportadores que se vêm assim privados de fontes de rendimento. Podem alegar tráfico de droga é sempre uma alternativa.  Depois, para aliviarem a consciência, os socialistas  defendem generosos programas de ajuda cuja maior fatias desaparece nos bolsos dos autocratas locais e nos meandros das ONG’s ao mesmo tempo que culpa o “capitalismo” e o “neoliberalismo” pelo infortúnio destes países.

No fundo, o que Vital Moreira defende é a manutenção de uma renda económica (cuja concessão critica noutros casos) à custa de terceiros. Os políticos adoram falar em “inovação”, “modernização” e “competitividade” e gastam rios de dinheiro em programas inúteis mas depois criam legislação que artificialmente prolonga a agonia de algumas industrias não competitivas e impede a efectiva reafectação dos recursos.

E se fossem roubar para outra freguesia?

Marca japonesa ressalva que a decisão de suspender o investimento na fábrica de baterias de Aveiro “não tem nada a ver” com a decisão do novo Governo de pôr fim aos incentivos à compra de veículos eléctricos. Ainda assim, considera a decisão do Governo um “revés na mobilidade eléctrica”.

Já gastamos muitos milhões (que não tínhamos e que iremos pagar com juros elevados) a subsidiar projectos economicamente insustentáveis. Já chega.  A Nissan que deixe de tentar extrair rendas e (se quiser ter lucros) comece a vender carros que as pessoas (realmente) desejem e possam comprar.