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Não sei se já vos tinha dito

Estou “maravilhado” com a profusão de manifestações contra os massacres na Síria. Dizem-me que há vigílias permanentes em frente das embaixadas russa e chinesa.

Deve ser coincidência

Mais uma baixa na fascinante oligarquia financeira da nova Rússia. Já repararam que eles têm todos ligações ao antigo KGB?

Falta pouco menos de um mês

Para uma versão actualizada substituir o médico pelo Ministro das Finanças

Smoke and drink more, Russia’s finance minister Alexei Kudrin urged citizens on Wednesday, explaining that higher consumption would help lift tax revenues for spending on social services. “If you smoke a pack of cigarettes, that means you are giving more to help solve social problems such as boosting demographics, developing other social services and upholding birth rates,” Kudrin said, quoted by the Interfax news agency.(…)

The finance ministry in June announced plans to more than double excise duty on cigarettes over the next three years from 250 roubles per 1,000 filtered cigarettes to 590 roubles in 2013.”People should understand: Those who drink, those who smoke are doing more to help the state,” he said, offering unconventional advice as the Russian government announced plans to raise excise duty on alcohol and cigarettes.

As sombras

Aerigo de Fernando Gabriel no Díário Económico

Só entre Maio e Outubro de 2008 a riqueza global dos 25 russos mais ricos, de acordo com a lista da Forbes, caiu mais de 62%.

Há uma certa justiça poética intrínseca às grandes crises financeiras que raramente é apreciada. Considerem-se os efeitos da actual crise sobre a economia russa. Na década de 90, a apropriação pelos oligarcas das maiores empresas soviéticas a preços irrisórios foi ruinosa para o estado: a troco de um encaixe financeiro insignificante o Estado russo abdicou de receitas futuras fundamentais -um dos principais motivos do espectacular colapso financeiro de 1998. Uma década depois, sem a sombra protectora do poder, a história acerta contas com alguns dos maiores beneficiários: só entre Maio e Outubro de 2008 a riqueza global dos 25 russos mais ricos, de acordo com a lista da Forbes, caiu mais de 62%. A fortuna de Roman Abramovich encolheu de 22,6 mil milhões de dólares para uns ‘modestos’ 3,1 mil milhões. Outros oligarcas sofreram perdas da mesma ordem de grandeza, ou até maiores.

Putin e a clique de ex-agentes do KGB que assumiram o controlo da Rússia depois de Yeltsin também vivem tempos de expiação pela hubris política. A queda abrupta do preço do petróleo, de 147 dólares por barril em Julho de 2008 para os actuais 50 dólares, ameaça o equilíbrio orçamental russo, que depende crucialmente dos impostos sobre a exportação de gás e produtos petrolíferos. Preços do barril abaixo dos 70 dólares implicam ‘deficits’ orçamentais e limitam seriamente as políticas redistributivas que estão na base da estabilidade autocrática. O impacto da instabilidade financeira na economia russa é agravado pelas consequências da invasão militar da Geórgia, que provocou um movimento de fuga de capitais. Acentuado pela fragilidade do mercado financeiro interno e pela política de sobreavaliação do rublo, já custou mais de 25% das reservas russas de divisas -as terceiras maiores do mundo.

A situação económica sugere a possibilidade de uma crise política e alguns analistas avançam mesmo cenários de transformação estrutural do regime russo. No curto prazo a crise reduz a sombra política do prestígio de Putin, e permite perceber com mais clareza a forma como os novos donos do poder manipulam os recursos energéticos para proveito pessoal. Mas o efeito provável a longo prazo é precisamente o oposto: o reforço do poder autocrático do Kremlin.

Com o acesso ao crédito extremamente dificultado, às empresas em dificuldades resta o apoio financeiro do governo. Mas esse apoio significará um controlo político ainda maior sobre a actividade económica no futuro. A instabilidade social motivará também uma reacção de defesa do poder: os opositores de Putin sabem que não estão seguros em lado nenhum. A menos que os governos ocidentais encontrem subitamente a coragem que lhes tem faltado, as execuções extra-judiciais dos adversários políticos do Kremlin prosseguirão, com custos diplomáticos irrisórios e sem julgamento dos acusados, como o demonstra o caso de Litvinenko. Andrei Lugovoi, o presumível responsável pelo seu envenenamento, foi eleito deputado da Duma em 2007 e em Dezembro passado garantia que todos aqueles que prejudicam a Rússia devem ser eliminados. Os visados são pessoas como Karina Moskalenko, advogada de notórios opositores de Putin, como o oligarca Khodorkovsky, cuja liberdade condicional em 2008 foi negada a pretexto da sua recusa em assistir às aulas prisionais de corte e costura, ou o xadrezista Garry Kasparov. Em Outubro foi envenenada com mercúrio, colocado no seu automóvel. Sobreviveu: foi apenas um aviso.

Internamente, alterações legislativas recentes modificaram a definição e moldura penal do crime de traição de forma a incluir, com adequada interpretação, as acções de oposição política que os siloviki entendam convenientes. Os julgamentos dos acusados serão uma farsa. Alterações constitucionais alargam o mandato presidencial, possibilitando a permanência no cargo durante 12 anos e prenunciando o regresso de Putin à cadeira que controlou como uma sombra.

Vita Sackville-West, uma das amantes de Virginia Woolf, esteve apenas dois dias na Rússia, em 1926, no regresso de uma viagem ao Irão, onde visitou o seu marido Harold Nicolson, que integrava a legação diplomática britânica em Teerão. Apesar de estar mais interessada em plantas do que em homens, não lhe escapou o ambiente opressivo de Moscovo e resumiu o dilema trágico dos russos: conformar-se e viver, ou opor-se e morrer. A esmagadora maioria, então como agora, escolhe compreensivelmente a primeira opção. Não admira que se movam, como descreveu Vita, colados às paredes da capital. Como sombras.