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Convém perceber minimamente dos assuntos (3)

 

O autor do post aqui referido publicou um comentário onde tenta justificar a sua posição. Para qualquer um com um mínimo de conhecimento de Economia torna-se evidente a origem do seu equívoco.  Desta forma, o autor confunde um problema económico (ie a fixação de administrativa de um preço mínimo) com uma simples questão de estatística descritiva. No post anterior dei-lhe o benefício mas agora não resta qualquer dúvida. O autor não entendeu minimamente do que falava o secretário de estado. Tal como é sugerido no título desta série, se queremos discutir um assunto convém tentar percebê-lo minimanente. Por alguma razão não faço posts sobre física nuclear.

Convém perceber minimamente dos assuntos

Segundo o Secretário de Estado do Emprego, o salário mínimo em Portugal não é realmente baixo.(…) [D]evia antes ter afirmado que os salários portugueses que são baixos não são só os que comem pela tabela mínima. Ou seja, há muita muita gente que ganha pouco, mesmo ganhando mais do que o salário mínimo.Como se resolve uma tão magna questão? Talvez baixando o salário mínimo, para os outros não serem tão “altos”… será?!

A ignorância económica tem destas coisas. O autor do post supra não se apercebe que acaba por dar razão ao secretário de estado. Em Portugal, o SMN é especialmente pernicioso porque se aproxima demasiado do salário médio. As consequência estão à vista e são indesmentíveis. O autor parece pensar enfermar da ilusão que estas questões se resolvem por decreto.

Salário mínimo e desemprego

O Luís Aguiar-Conraria relembra algumas das conclusões de um estudo sobre o impacto do salário mínimo nacional em Portugal

– o efeito negativo de aumentos do salário mínimo sobre o emprego das mulheres é cerca do dobro do encontrado para os homens;
– o impacto negativo sobre o emprego dos trabalhadores menos qualificados é particularmente adverso e sente-se em especial na região Norte;
– os jovens com idade inferior a 25 anos são os mais penalizados pelo aumento do SMN, sofrendo perdas de emprego muito significativas – acima dos 5% desde 2007;
– os sectores em que o emprego mais diminui em resposta ao aumento do SMN são a Agricultura e Pescas e Indústrias Extractivas, seguidos da Indústria Transformadora e da Construção.