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Tudo em família

Excerto de “Os Dias Contados” de Alberto Gonçalves (Diário de Notícias)

Foram precisos dois milénios de cristandade para que a esquerda se pronunciasse contra os subsídios do Estado aos artistas, ou “artistas”. Claro que o pronunciamento não aconteceu em sentido genérico e não aconteceu à toa, mas apenas porque, na história em causa, o Estado é o Instituto de Investigação Científica Tropical, presidido por Jorge Braga de Macedo, e a artista, ou “artista”, é Ana de Macedo, por acaso ou desígnio filha do supracitado economista barra tropicalista. Segundo consta, o misterioso IICT apoiou uma exposição de “arte contemporânea” da senhora em Maputo, um português lá residente escreveu há seis meses um texto no seu blogue sobre o assunto e, agora, o Bloco de Esquerda insurge-se contra o arranjinho e questionou o Governo acerca do esbanjamento de dinheiros públicos. Continuar a ler

Madeira, região desportiva

Participam nos campeonatos nacionais 50 equipas madeirenses, muitas com atletas estrangeiros, em diferentes modalidades: 16 em basquetebol, 14 em futebol, oito em ténis de mesa, cinco em andebol, quatro em voleibol e três em hóquei em patins(…) Os apoios aos clubes estão inscritos no orçamento regional de 2011 que destina ao desporto 47,3 milhões de euros(…).

Será lícito que aqueles que defendem subsídios públicos na cultura critiquem os subsídios aos clubes desportivos na Madeira? Afinal de contas a sua cessação poderá por em causa a prática desportiva do povo madeirense (e de alguns estrangeiros mas convém não irem por aí senão ainda vos acuso de xenofobia).

PS: sem prejuízo de continuarem a denunciar estes desperdícios madeirenses será que os media podiam também revelar os subsídios concedidos por outros autarcas?

Penso que na maior parte dos casos isso será extremamente positivo

“Austeridade” na cultura não destrói só o que existe, destrói o que fica impedido de existir.

in Manifesto em Defesa da Cultura

Reductio ad Talibanum

Artigo do encenadorFernando Mora Ramos no Público (transcrito no 5 Dias)

“Um país que destrói o teatro e a dança faz o que os talibãs fizeram com os budas, uma barbaridade e coloca-se do lado do que as ditaduras fazem, destrói a possibilidade da prática da vivificação da memória, esse “perigo” que mostra que tudo muda e permite, no presente, convocar a tragédia reconhecida para que se evite.”

É cada vez mais ridículo o espectáculo oferecido pelas corporações que vêm reduzido o seu quinhão no orçamento de estado. Invariavelmente, ameaçam com as sete pragas dos Egipto caso alguém ouse tocar no seu privilégio. Descobrimos que este país só existe graças aos subsídios corporativos e que o seu fim nos tornará num estado totalitário. Devemos ser obrigados a paguar-lhes para que continuem a iluminar-nos com a sua sapiência e a livrar-nos de cair nas garras do fascismo.

E que tal acabar com o Ministério da Cultura?

Contrariamente ao que diz o Bernardo Pires de Lima, há uma excelente razão para um eventual governo de direita não reconduzir a actual Minsitra da Cultura. Desde logo por discordar da lógica que o Estado tem de estar sempre onde os bens meritórios não funcionem com a lógica do mercado”. A ideia que um mercado ideal (genericamente falando) deve recompensar o mérito está errada e abre caminho a todo o tipo de intervenção discricionária. Como refere a Ministra os critérios para definir o mérito continuarão a ser definidos na esfera política o que resultará num direito quase ilimitado à intervenção estatal. Bastar-lhe-à decidir que o mérito artistico de determinado projecto ou criador artistico não estão a ter o reconhecimento que lhes é devido.

Se bem que de forma mais mitigada (por falta de verba?) a Ministra continua a defender o papel director do estado e a subsidiação na área da cultura. Um governo de direita faria muito bem em não reconduzir a actual Ministra e extinguir o actual ministério.

Publicado no Insurgente a 24/03/2010