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Curioso

Porque é que o pessoal das “flotilhas”, que gosta tanto da nova Turquia islamita, não faz nada acerca disto?

Contra a criminalização do negacionismo histórico

A França acaba de criminalizar a negação do genocídio arménio de 1915. A este propósito recordo e reafirmo o que escrevi acerca da condenação do historiador David Irving por negar o holocausto judeu na 2º Guerra Mundial:

“Não estando nós livres da “ameaça” do descrédito ou da censura pública pelas nossas opiniões, não devemos permitir que seja o Estado a decidir o que pode ou não ser dito e quais as verdades indisputáveis”

…e muito menos, devemos criminalizar as opiniões divergentes por mais absurdas ou carentes de fundamentação. Acrescento eu, quase 6 anos depois. Tal como no caso da Shoa, existem amplas evidências do genocídio arménio. Não é necessário (para não dizer recomendável) que a verdade seja estabelecida de forma administrativa.

A história repete-se?

Austria says doesn’t want Turkey as EU member

A Turquia

“O novo turco” de Fernando Gabriel (Diário Económico)

Há um século, no meio do desastre final otomano e com a “ajuda” de demagogos progressistas, instituiu-se a imagem universal do “turco” – a má reputação tinha começado, imerecidamente, com a célebre expressão “o homem doente da Europa” do czar Nicolau I. O “turco” era sinónimo de ignorância, indolência, torpor erótico e uma resignação absurda perante o autoritarismo. Em 1980, morriam em média 20 pessoas por dia nos conflitos políticos na Turquia; há meia dúzia de anos, o país estava a contas com uma crise de inflação. Hoje é uma economia global e cosmopolita.

Cabe aos eleitores doutros países europeus aprender com o exemplo turco e exigir verdadeiras alternativas eleitorais. Se entender que não existem, recuse-se a ratificar as listinhas partidárias e procure não ser cúmplice na transformação do “português” no “turco” deste século

A Turquia

“Ergenekon IV” de Fernando Gabriel (Diário Económico)

Para quem gosta de histórias simples, a política turca é um assunto pouco recomendável. As banalidades da sociologia política, como a oposição entre o “secularismo” e o “islamismo” não são mais do que âncoras para a ignorância, sobretudo porque o “kemalismo”, a ideologia que se reclama herdeira da acção política de Atatürk, é uma autêntica religião civil, criada para o engrandecimento do Estado e definidora de uma cidadania republicana submissa e dependente. Atatürk foi reduzido a profeta fundador da autocracia, de tal modo que as passagens mais liberais dos seus escritos foram sistematicamente censuradas desde 1938.

É perfeitamente natural que alguns liberais turcos se tenham aproximado do AKP, não só porque a religião islâmica constitui um elemento essencial de uma identidade otomana da qual os dirigentes do AKP se reclamam herdeiros, falsamente imaginada como cosmopolita e tolerante, mas sobretudo porque o republicanismo kemalista não gerou um constitucionalismo moderno, assente no reconhecimento de direitos humanos e na garantia de um governo limitado sob a lei. A questão crucial na Turquia consiste em saber quais são os verdadeiros desígnios políticos do AKP. Até agora, a prossecução de uma agenda liberalizante permitiu-lhe manter o apoio do centro eleitoral, mas receio que Arif tenha razão e o objectivo não seja reformar o Estado mas tão só apoderar-se dele, transformando uma autocracia sob tutela militar numa autocracia baseada na jurisprudência corânica, até porque a organização de Fethullah Gulen tem uma enorme e inquietante influência sobre o AKP e a vitória no referendo abrir-lhe-á as portas à infiltração no aparelho judicial.

A versão integral (não truncada por razões editoriais) do artigo pode ser lida aqui.