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Et tu Krugman? (4)

Alarme nas hostes “abrantinas”. O guru Paul Krugman volta a insistiar na redução dos salários em Portugal.

O prémio Nobel repetiu a recomendação que tinha feito logo no início da crise da dívida, em Maio de 2010, quando disse que países como Portugal, a Grécia ou a Espanha teriam de fazer os seus salários cair 20 a 30% em relação à Alemanha.

“Não é agradável, mas é o que tem de acontecer”, afirmou, dizendo que seria preferível subir os salários dos alemães – de modo a estimular o consumo no país e, consequentemente, as outras economias do euro – do que descer os vencimentos nacionais. “Mas, em última instância”, admitiu, “vai ter de ser à custa dos salários dos portugueses”.

E, para quem ainda não percebeu, Krugamn não está contra a austeridade em termos genéricos. O que defende é que esta nâo pode ocorrer simulatanêamente na Alemanha e nos países periféricos.

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Não há proteccionismos grátis

No seu blog, Vital Moreira dá conta do desagrado com um acordo que  retira alguns entraves à importação de produtos paquistaneses. Estará a queixar-se que, ao conceder condições preferenciais, este acordo viola os princípios de livre comércio? Longe disso. Queixa-se que irá prejudicar algumas industrias de “países menos ricos” da UE e que apenas irá beneficiar os “países ricos“.

Existem neste discurso duas enormes falácias e duas incongruências.  Em primeiro lugar,  o proteccionismo comunitários faz-se à custa dos consumidores que para além de verem artificialmente limitado a possibilidade de escolha são forçados a pagar mais caro pelos mesmos produtos. Em segundo lugar, nada nos garante que os principais beneficiados pelo acordo sejam os consumidores dos países mais ricos. Eu diria até que os efeitos ao nível do rendimento disponível serão maiores nos países mais pobres (não uso eufemismos) da UE.

É claro que ainda podemos falar do malefícios que os entraves ao comércio têm nos potenciais exportadores que se vêm assim privados de fontes de rendimento. Podem alegar tráfico de droga é sempre uma alternativa.  Depois, para aliviarem a consciência, os socialistas  defendem generosos programas de ajuda cuja maior fatias desaparece nos bolsos dos autocratas locais e nos meandros das ONG’s ao mesmo tempo que culpa o “capitalismo” e o “neoliberalismo” pelo infortúnio destes países.

No fundo, o que Vital Moreira defende é a manutenção de uma renda económica (cuja concessão critica noutros casos) à custa de terceiros. Os políticos adoram falar em “inovação”, “modernização” e “competitividade” e gastam rios de dinheiro em programas inúteis mas depois criam legislação que artificialmente prolonga a agonia de algumas industrias não competitivas e impede a efectiva reafectação dos recursos.

I told you so

Após muita resistência consta que o BCE irá finalmente aceitar um “haircut” na dívida grega que detém.  Três considerações.

Primeiro. Segundo cálculos efectuados por vários analistas para colocar a dívida grega num patamar sustentável a reestruturação terá de eliminar cerca de 70% do montante em dívida. Portanto, mesmo com a participação do BCE (que dados os montantes de dívida que detém nunca poderia ficar fora deste processo) qualquer valor significativamente mais baixo não será credível para o mercado. Digo eu.

Segundo. Uma vez que duvido que os títulos gregos estivessem contabilizados a valor de mercado no balanço do BCE isto implicará uma importante “rombo” nas contas do banco central europeu.  Quem irá participar num eventual aumento de capital? Pois.

Terceiro. Ainda seja fundamental a reestruturação da dívida grega não percebo os festejos deste blogger. Se o acesso aos mercados já era difícil agora ficará impossível. A não ser que descubram entretanto uma fonte inesgotável de riqueza isto vai implicar (ainda) mais provações para o povo grego. Se o próprio BCE se arrisca a perder o dinheiro que emprestou à Grécia que é que lhe vai emprestar dinheiro agora? Eu não.

Safe haven

Segundo o WSJ hoje, pela primeira vez, os licitantes num leilão de dívida alemã aceitaram receber menos no futuro do que irão pagar agora.

“…for some investors, the return of their capital is clearly still far more important than the return on their capital. And Germany is probably benefitting as the pool of top-quality short-term bills has been sharply diminished as the euro-zone crisis has deepened and as ratings downgrades have kicked in.”

(via Ricardo Arroja)

Leitura recomendada

“Quem ganha com a harmonização fiscal?” de João Miranda (Blasfémias)

O Luís Naves acha que a harmonização fiscal é do nosso interesse. É mesmo isso: temos custos de contexto maiores e vamos competir cobrando os mesmos impostos.(…) Na Europa, a harmonização fiscal só beneficiaria meia lua que vai de Londres ao Norte de Itália no mapa abaixo. Porquê? Porque, para custos fiscais iguais, é aí que estão a melhores condições para investir.”

 

Se querem investir em bancos arruínados façam-no como vosso dinheiro

Por uma união mais liberal

Carta aberta de 16 economistas de 16 países-membros da UE publicada no Daily Telegraph. Nela se incluem nomes tão ilustres como Alberto Mingardi, Philip Booth ou André Azevedo Alves.

SIR – As economists from 16 EU states, we don’t all hold the same view on whether the euro was a good idea, nor any particular view on David Cameron’s veto of a possible EU treaty. However, we are staunch believers in the free movement of goods, services, people and capital as enshrined in the Treaty of Rome.

Though only one person from each country has signed this letter, our views are not far out of line with those of many fellow economists. The EU should not focus on Mr Cameron’s actions. It should, instead, look at the underlying arguments about the future of the EU and the euro.

Unless there is radical deregulation of the labour and product markets and lower taxation, the euro can never work and the EU can never be a thriving economic area again.

These are the challenges, but the EU and its member governments are moving in the wrong direction. We see no sign that those discussing how to deal with the euro crisis understand the actions that need to be taken.

Whether or not the euro survives, this attitude will lead to gradual decline and increased social conflict within the EU. It may ultimately lead to the disintegration of both the single currency and the EU.

Estupidez comunitária

Se ainda não se tinham apercebido da estupidez das chamadas “políticas comuns europeias” esta é uma boa ocasião. O mesmo pode ser dito do chamado “Parlamento Europeu”.

O eurodeputdo comunista João Ferreira, que é co-responsável por esta decisão pode começar por explicar aos pescadores porque razão vão perder os seus empregos cuja defesa o seu partido defender ter prioridade absoluta.

Nunca percebi (2)

Vital Moreira, visivelmente agastado com a posição britânico no último conselho europeu:

“O Reino Unida nunca esteve whole-heartedly na intregração europeia. Já tinha ficado de fora do Euro, do espaço Schengen, da Europa social, da Carta de Direitos Fundamentais da União Europeia. Um pé dentro, o resto do corpo fora. Só lhe interessa o mercado interno, mesmo assim desde que não fira os seus interesses específicos, como no caso dos serviços financeiros. É tempo de dizer ao Reino Unido: devem decidir-se de uma vez por todas, não podem ter só o que querem. A UE não é um buffet, onde cada um escolhe o que quer.”

Importava-se de explicar porque razão a UE não pode ser (usado a sua metáfora) o tal “buffet”? E não é suposto um governo nacional defender em primeiro lugar os seus interesses específicos? Seria bom que se dignasse a  esclarecer estas questões.

Nunca percebi

Confesso que me causa alguma estranheza o asco com que é recebida a ideia de uma “Europa a duas velocidades”. Não percebo qual o problema de uma UE a 2, 3, 10 ou 27 “velocidades”.