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Não há proteccionismos grátis

No seu blog, Vital Moreira dá conta do desagrado com um acordo que  retira alguns entraves à importação de produtos paquistaneses. Estará a queixar-se que, ao conceder condições preferenciais, este acordo viola os princípios de livre comércio? Longe disso. Queixa-se que irá prejudicar algumas industrias de “países menos ricos” da UE e que apenas irá beneficiar os “países ricos“.

Existem neste discurso duas enormes falácias e duas incongruências.  Em primeiro lugar,  o proteccionismo comunitários faz-se à custa dos consumidores que para além de verem artificialmente limitado a possibilidade de escolha são forçados a pagar mais caro pelos mesmos produtos. Em segundo lugar, nada nos garante que os principais beneficiados pelo acordo sejam os consumidores dos países mais ricos. Eu diria até que os efeitos ao nível do rendimento disponível serão maiores nos países mais pobres (não uso eufemismos) da UE.

É claro que ainda podemos falar do malefícios que os entraves ao comércio têm nos potenciais exportadores que se vêm assim privados de fontes de rendimento. Podem alegar tráfico de droga é sempre uma alternativa.  Depois, para aliviarem a consciência, os socialistas  defendem generosos programas de ajuda cuja maior fatias desaparece nos bolsos dos autocratas locais e nos meandros das ONG’s ao mesmo tempo que culpa o “capitalismo” e o “neoliberalismo” pelo infortúnio destes países.

No fundo, o que Vital Moreira defende é a manutenção de uma renda económica (cuja concessão critica noutros casos) à custa de terceiros. Os políticos adoram falar em “inovação”, “modernização” e “competitividade” e gastam rios de dinheiro em programas inúteis mas depois criam legislação que artificialmente prolonga a agonia de algumas industrias não competitivas e impede a efectiva reafectação dos recursos.

Nunca percebi (2)

Vital Moreira, visivelmente agastado com a posição britânico no último conselho europeu:

“O Reino Unida nunca esteve whole-heartedly na intregração europeia. Já tinha ficado de fora do Euro, do espaço Schengen, da Europa social, da Carta de Direitos Fundamentais da União Europeia. Um pé dentro, o resto do corpo fora. Só lhe interessa o mercado interno, mesmo assim desde que não fira os seus interesses específicos, como no caso dos serviços financeiros. É tempo de dizer ao Reino Unido: devem decidir-se de uma vez por todas, não podem ter só o que querem. A UE não é um buffet, onde cada um escolhe o que quer.”

Importava-se de explicar porque razão a UE não pode ser (usado a sua metáfora) o tal “buffet”? E não é suposto um governo nacional defender em primeiro lugar os seus interesses específicos? Seria bom que se dignasse a  esclarecer estas questões.