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I told you so

Após muita resistência consta que o BCE irá finalmente aceitar um “haircut” na dívida grega que detém.  Três considerações.

Primeiro. Segundo cálculos efectuados por vários analistas para colocar a dívida grega num patamar sustentável a reestruturação terá de eliminar cerca de 70% do montante em dívida. Portanto, mesmo com a participação do BCE (que dados os montantes de dívida que detém nunca poderia ficar fora deste processo) qualquer valor significativamente mais baixo não será credível para o mercado. Digo eu.

Segundo. Uma vez que duvido que os títulos gregos estivessem contabilizados a valor de mercado no balanço do BCE isto implicará uma importante “rombo” nas contas do banco central europeu.  Quem irá participar num eventual aumento de capital? Pois.

Terceiro. Ainda seja fundamental a reestruturação da dívida grega não percebo os festejos deste blogger. Se o acesso aos mercados já era difícil agora ficará impossível. A não ser que descubram entretanto uma fonte inesgotável de riqueza isto vai implicar (ainda) mais provações para o povo grego. Se o próprio BCE se arrisca a perder o dinheiro que emprestou à Grécia que é que lhe vai emprestar dinheiro agora? Eu não.

A solução é menos regulação e mais concorrência

Como já se esperava, os recentes “downgrades” na dívida soberana fizeram disparar as críticas às agências de notação e os pedidos que estas sejam politicamente controladas (ie deixem de desempenhar qualquer papel relevante na análise de risco). O ministro das finanças alemão propõe que se pense “na forma (…) [de] podemos limitar o papel das agências de ‘rating’ àquilo que elas são realmente“. Eu dou uma sugestão. Reduzam a regulação no sector. Acabem com o cartel concedido pelas autoridades comunitárias e americanas à Moody’s, S&P, Fitch e DBRS. Deixem a concorrência funcionar.

Um seguro contra o fim do euro

Um oportuno post do Pedro Brás Teixeira com algumas recomendações práticas para cada um de nós se precaver contra a possibilidade de sairmos do euro.

Alguém que sabe do que fala (para variar)

Jornal de Negócios

O analista Marc Faber, célebre por ter previsto o “crash” bolsista de 1987, acha que a maioria dos países europeus devia ser considerado “lixo”. E diz que o corte de França foi insuficiente (…) pois não reflecte as contínuas tensões sistémicas da economia do país. Segundo Faber, a qualidade do crédito soberano de França não é boa.(…)

Sobre os Estados Unidos, o analista diz que o “rating” deste país devia ser ‘triplo B’ ou mesmo “lixo”, atendendo aos contratos de dívida que estão para vencer e que não têm fundos para serem suportados.

Faber sublinhou ainda à CNBC que não compraria obrigações soberanas de França ou dos Estados Unidos. Acrescenta, aliás, que não investiria em obrigações soberanas como investimento de longo prazo, pois perderia dinheiro. Quanto à Alemanha, o analista considera que “está ok”, mas que tem também muita dívida em mãos.

Marc Faber acha que estes cortes anunciados ontem pela S&P não terão um efeito significativo nos mercados accionistas mundiais, tal como aconteceu quando a agência desceu a notação dos EUA. Além disso, salienta, “a maioria dos ‘downgrades’ já foi descontada na Europa”.

O que poderá mexer com as bolsas, no entender de Faber, é se algum país disser “estamos fartos, vamos sair do euro”. “Se a Grécia o fizer, não será um desastre. Mas se a Grécia, Portugal, Espanha e Itália o fizerem, então isso terá um enorme impacto” nos mercados, referiu à CNBC

E se acabar o euro?

Our estimates suggest significant depreciation risk for a number of eurozone countries in a redenomination scenario. We estimate that this risk is in the region 60% for Greece, around 50% for Portugal, and 25-35% for a group of countries including Ireland, Italy, Belgium and Spain. At the same time, our estimates confirm the common perception that a new German currency will fare better. In fact, our point estimates point to a slight appreciation potential, although it is marginal and economically not meaningful.

No Zero Hedge

Admirem-se…

The majority of Germans, 60%, believe the common European currency was a bad idea, according to a poll in Focus magazine.

Clarinho

Tylwe Cowen explica o problema da zona euro

If Germany and a few other, smaller AAA countries were to guarantee or monetize the debts of Italy, Spain, and possibly France and Belgium, never mind Greece and Portugal, Germany would not be AAA itself. The German median voter has very little interest in guaranteeing the above-mentioned debts. If German yields are flipping upwards, it is, in my view, because investors now see the whole euro deal as unraveling and don’t want to deal with the complexities and flak. A big chunk of the German auction didn’t sell at all. You don’t have to think that Germany is ripe to default to see that markets are warning Germany not to take on the whole burden.

Furthermore, there is no “half hearted recovery” in the offing, not even with better AD policy. A lot of institutional arrangements were set up in an unstable fashion and now they are unwinding, as indeed they had to do, with economic carnage along the way. The periphery countries all thought they were wealthier than they in fact are, and behaved as such, but now is the painful unwinding, including the collapse of a lot of ultimately unworkable EU governance structures. Markets now see this, and the ECB cannot so easily reverse it.

O início do fim do euro?

A propósito da emissão falhada de dívida alemã, o Alphaville e o Ricardo Arroja avançam com uma interessante explicação alternativa. Lembram-se disto e disto?

ADENDA; No Zero Hedge discordam desta teoria e voltam a insistir na tese da falta de compradores:

“Here is the bottom line: “failed” Bund auctions, in which the Buba (Bundesbank or the German monetary authority) steps in to “retain” an unbid for amount and hit a maximum issuance happen all the time. In fact literally all the time as the inset chart shows.(…) As SocGen puts it: “The fact that the Buba was forced to retain the biggest share of the sale in recent memory (see chart) is clearly a sign that some investors are no longer showing up or have started to buy considerably less, preferring other fixed income or alternative safe havens.” No need to conceive an explanation where simply supply and demand will suffice.”

Liguem as impressoras

Metade dos investidores acredita que BCE vai imprimir dinheiro

A insustentabilidade da dívida pública portuguesa

“Contas em familia” de Tiago Mendes (Cachimbo de Magritte)

“Os critérios de Maastritcht para o défice e a dívida tinham por inspiração assegurar sustentabilidade das finanças públicas. Basicamente, com défices de 3% e uma dívida de 60% do PIB, seria possível finanças sustentáveis… Mas esqueceram-se de por em parangonas qual a taxa de crescimento do PIB que sustentaria isto: 2%! 

Ora, Portugal, na primeira década do sec. XXI não cresceu 2% ao ano mas sim 0%. Ou seja, em 10 anos, crescemos, cumulativamente, menos 22% do que seria necessário para manter a sustentabilidade – e isto se tivéssemos tido défices médios de 3% do PIB! Que obviamente não tivémos. Mas quem é que deu importância a isto durante a era de Sócrates? Eram os velhos do Restelo que falavam do disparo da dívida, não era? Pois esses senhores e senhoras mereciam estátuas, por muito negativos e maus comunicadores que sejam.”